Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Power of Kroll (Arco #102)

estrelas 2,5

Equipe: 4º Doutor, Romana, K9 II
Espaço: Delta III (satélite do planeta Delta Magna)
Saga: Key to Time (5 de 6)
Tempo: 2878 (?)

The Power of Kroll é aquele tipo de história que vem para acabar com uma temporada até então sensacional. Escrito por Robert Holmes, veterano e importantíssimo roteirista da série (de The Krotons, na era do 2º Doutor até The Ultimate Foe, na era do 6º Doutor), o roteiro é o penúltimo passo do Doutor, Romana e K9 II para fechar os segmentos da Chave do Tempo e cumprir a tarefa solicitada pelo The White Guardian em The Ribos Operation.

Para esta aventura, o produtor Graham Williams solicitou algumas coisas para Robert Holmes trabalhar no roteiro: primeiro, que a trama trouxesse o maior monstro de Doctor Who até o momento; segundo, que o humor de algumas de suas histórias não fosse deixado de lado, até para minimizar um pouco a aparência sombria do enredo; e terceiro, que houvesse uma ameaça forte o bastante para os cliffhangers que impulsionasse o público para o próximo episódio, o que acabou dando certo (e eu nunca vou entender como, porque a história é bem medíocre e os cliffhangers são um pouquinho patéticos), já que este arco tem — pasme! — a maior audiência da 16ª Temporada, ganhando inclusive do finaleThe Armageddon Factor.

A história começa com a chegada da TARDIS à pantanosa Lua Delta III, um satélite do planeta Delta Magna. Devido ao terreno nada propício, K9 é escanteado nessa aventura (ele permanece na nave) enquanto o Doutor e Romana partem para procurar o quinto segmento da Chave do Tempo. Devo admitir que as locações são excelentes — e claro, deu um grande trabalho para o diretor Norman Stewart, que passou 9 dias e 2 noites em locação — e gera um sentimento claustrofóbico bem propício, talvez muito mais importante para a aventura do que as idas e voltas chateantes do texto. Não sei se foi apenas comigo mas a execução do último movimento (Badinerie) da Suíte No. 2 em Si Menor de Bach criou ainda mais um sentimento exótico, não necessariamente de medo mas de abandono, melancolia, dado momento e local em que é executada pelo próprio Doutor, em uma flauta improvisada. Uma ótima escolha e ótimo momento em cena.

O teor político da trama (com a citação do grupo The Sons of Earth) se opõe ao fanatismo religioso dos Swampies, primitivos que imediatamente nos acende a lembrança dos índios, cujo embate com os colonizadores para a recuperação da terra invadida e esgotada já começa perdido para os nativos. Esses reflexos de nossa História e sociedade ligados ao “efeito King Kong” do enredo poderiam dar uma boa aventura, não fosse a superficial e caricata ligação entre o bloco dos Swampies e os técnicos da refinaria que explorava o satélite. Nessa má ligação, o espectador vai perdendo interesse pela história porque não há um verdadeiro foco como em todos os outros 4 arcos da saga. Temos a impressão de que duas histórias independentes foram acopladas de última hora, com um fio condutor entre elas que só se destaca de verdade no desfecho e, apesar de bem feito — a despedida é realmente bem escrita e dirigida — apresenta-se apenas como um ponto bom entre outros nada positivos.

Considerando quem escreveu e considerando a temporada em que se encaixa, The Power of Kroll é uma vergonha de arco. Não chega a ser uma história ruim, mas é, no sentido mais desgostoso da palavra, mediana, uma daquelas tramas que não se equilibram em sua proposta e se atropelam o tempo todo, desviando a atenção do público com duas grandes ações acontecendo em um mesmo enredo — ações desconexas e mal amarradas –, pontuadas aqui e ali de boas cenas cômicas e fuga da parte dos protagonistas. Pelo menos os objetivos comerciais da encomenda foram cumpridos. Já a qualidade com que isso aconteceu é outra história.

The Power of Kroll (Arco #102) — 16ª Temporada
Direção: Norman Stewart
Roteiro: Robert Holmes
Elenco: Tom Baker, Mary Tamm, Neil McCarthy, John Abineri, Philip Madoc, Glyn Owen, Carl Rigg, Frank Jarvis, John Leeson, Grahame Mallard, Terry Walsh

Audiência média: 9,43 milhões

4 episódios (exibidos entre 23 de dezembro de 1978 e 13 de janeiro de 1979)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.