Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Power of The Daleks (Arco #30)

estrelas 4

Equipe: 2º Doutor, Ben, Polly
Espaço-tempo: Planeta Vulcan, 2020

Após nos despedirmos de William Hartnell como o Primeiro Doutor em The Tenth Planet, somos levados ao planeta Vulcan. Patrick Troughton é a nova face do Time-Lord e, consigo, traz uma nova personalidade que, a princípio, causa suspeitas em Ben e Polly. Aqui vemos o desenrolar de um dos elementos chaves de Doctor Who, a regeneração, que no arco em questão é chamado de renovação (renewal).

David Whitaker, porém, não dá muito espaço em seu roteiro para as dúvidas dos companheiros. Cedo ele joga esse novo Doutor, mais cômico, ainda mais excêntrico e, aparentemente, distraído, em uma nova aventura. Nos primeiros minutos do episódio de abertura, o time-lord presencia um assassinato em um pântano de mercúrio. Ao examinar o corpo, o Doutor se apropria de uma insígnia que o identifica como o examinador. Pouco após, o protagonista e seus companheiros são levados à uma colônia humana, onde acreditam que o time-lord é o examinador e está ali para analisar uma espécie de cápsula.

The Power of The Daleks, por mais que tenha restado apenas a faixa de áudio, alguns trechos e fotogramas, consegue captar a atenção do espectador, desde o princípio, pelo tom de mistério mantido durante a maior parte da narrativa. Whitaker consegue intercalar a subtrama da revolução organicamente com a presença dos Daleks, de forma que um lado da história se demonstra essencial para o outro. A tensão criada nos episódios é palpável e somente se intensifica a cada aviso ignorado do Doutor, que já teme os Daleks, tendo em vista seus encontros anteriores.

Em termos de roteiro, o arco peca na retratação dos companheiros, que são deixados de lado na maior parte da história, não contando com ações que interfiram para a progressão da trama. Em dois episódios ainda temos a ausência de Ben ou Polly, pelas filmagens entrarem em conflito com as férias de cada um dos atores. Além desse problema, temos os decorrentes da falta de imagem, que, ocasionalmente, prejudica o entendimento da narrativa, requisitando uma redobrada atenção por parte do espectador.

The Power of The Daleks é um arco importante dentro do universo de Doctor Who, sendo a primeira história completa do segundo Doutor. Além disso temos a apresentação de elementos notáveis, como o Diário e o formato de título “of The Daleks” que seria utilizado, posteriormente, nos arcos que contam com tais criaturas. O trabalho de reconstituição realizado consegue captar com exatidão o tom da obra, uma crescente tensão que somente peca na apressada resolução. As consequências da primeira regeneração são trabalhadas de maneira efetiva e a nova personalidade do protagonista não necessita de muito tempo em tela para cativar o espectador.

The Power of The Daleks (Arco #30) – 4ª Temporada

Roteiro: David Whitaker
Direção: Christopher Barry
Elenco principal: Patrick Troughton, Anneke Wills, Michael Craze, Nicholas Hawtrey, Bernard Archard, Robert James, Pamela Ann Davy, Peter Bathurst

Audiência média: 7,8 milhões

6 Episódios (exibidos entre 05 de Novembro e 10 de Dezembro de 1966).

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.