Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Seeds of Death (Arco #48)

estrelas 3,5

Equipe: 2º Doutor, Jamie, Zoe
Espaço-tempo: Londres e Lua, 1969 (linha do tempo alternativa da Terra).

Graças à popularidade atingida pelos Ice Warriors no arco de mesmo nome das criaturas, a produção decidiu trazê-los de volta, aproveitando, assim, seus figurinos de alto custo.

The Seeds of Death passou por problemas na escrita de seu roteiro — Frazer Hines, que interpreta o companion Jamie, já demonstrará seu interesse em sair da série (e não o culpo, considerando a subutilizacão de seu personagem em diversos arcos), criando dificuldades para o roteirista Brian Hayles.

Com seis episódios de duração, a história admite uma maior calma em sua estrutura narrativa. A problemática demora a se instaurar, custando a metade do primeiro capítulo, período no qual ficamos sem ver o Doutor e seus companheiros Jamie e Zoe. Nesse meio tempo Hayles introduz de forma bem-sucedida o cenário no qual a trama se passa, nos posicionando em um futurístico século XXI, onde os meios de transportes foram substituídos pelo transmat, em outras palavras, o teletransporte. Com o mundo inteiramente dependente de tal sistema (não só para viagens, como para distribuição de comida e remédio), temos o início de uma crise quando a Lua, central de operações do transmat, cessa todas as comunicações e não mais realiza os serviços necessários. Logo depois descobrimos que os Ice Warriors invadiram a base lunar e planejam uma invasão à Terra.

Apesar do ritmo menos acelerado dos episódios, o arco consegue admitir uma evidente fluidez, fisgando de imediato nossa atenção e sendo consideravelmente fácil de assistir. Em alguns momentos temos deslizes, detalhes difíceis demais de se acreditar e que acabam prejudicando a experiência, como o fato de um foguete ser construído em poucas horas ou as mais que cômicas fugas dos alienígenas. Felizmente essas ocasiões são mais escassas e, por mais que diminuam a qualidade do arco, não conseguem nos fazer desgostar dele.

Esse gosto que tomamos pela sua trama é, em geral, atingido pelo trabalho em cima dos companheiros do Doutor. Zoe, como sempre, desempenha um papel de destaque em diversos momentos, mas a surpresa está na retratação de Jamie, que, embora tenha sido prejudicado pelos problemas de produção mencionados anteriormente, consegue sequências em que não simplesmente realiza perguntas ou fica observando a ação acontecer. Frazer Hines, enfim, ganha um pouco do tratamento que merece. Não posso deixar de citar, também, a ênfase em cima dos coadjuvantes, especialmente Fewsham, que inicia como um personagem detestável, mas que ganha mais espaço com o passar dos capítulos, adquirindo a simpatia do espectador.

Infelizmente, muitos desses méritos caem por terra diante do simples desfecho do arco, que não consegue atingir um efetivo clímax. Ele entretém mas não se define como memorável. Essa quebra do bom ritmo da narrativa encerra a trama em nota baixa, mas não consegue afastar nossa percepção positiva dos episódios anteriores.

The Seeds of Death, apesar do claro interesse em reciclar o figurino, nos traz uma história que se sustenta por si só. Trata-se de um roteiro sólido e fluido, que consegue prender nossa atenção até o fim, que desliza, mas não chega a estragar o arco. Os Ice Warriors deixam mais uma forte impressão sobre o espectador, conseguindo soar ameaçadores apesar de suas evidentes dificuldades de mobilidade.

The Seeds of Death (Arco #48) – 6ª Temporada

Direção: Michael Ferguson
Roteiro: Brian Hayles
Elenco principal: Patrick Troughton, Louise Pajo, Ronald Leigh-Hunt, Terry Scully, Wendy Padbury, Frazer Hines, Philip Ray

Audiência média: 7,22 milhões

6 episódios (exibidos entre 25 de Janeiro e 1º de Março de 1969)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.