Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Seeds of Doom (Arco #85)

estrelas 4,5

The plants must win. It will be a new world. Silent and beautiful.

Harrison Chase

Equipe: 4º Doutor, Sarah Jane Smith
Era: UNIT — Ano 8
Espaço: Reino Unido / Antártida
Tempo: Anos 1970

The Seeds of Doom, último arco da 13ª Temporada Clássica de Doctor Who, foi também o marco de afastamento do Doutor em relação à UNIT, algo que já vinha sendo preparado às claras desde Terror of the Zygons e que aqui se dá de maneira simples, já com a ausência do Brigadeiro e Benton e com o Doutor e Sarah sendo auxiliados por um oficial que não conheciam. A UNIT só voltaria brevemente em The Five Doctors (1983) e posteriormente em Battlefield (1989).

O espectador não demora muito para entender a formulação ambientalista que este arco propõe, elevando as consequências de um desequilíbrio ou configuração ecológica à máxima potência, misturando o aspecto de terror dos filmes O Monstro do Ártico (1951), Terror que Mata (1955) e The Trollenberg Terror (1958) com um discurso de supremacia do mundo vegetal sobre o mundo animal, trama que alguns anos depois seria retrabalhada, porém exposta com as mesmas premissas por Alan Moore em A Saga do Monstro do Pântano #21 a 24 (1984), no arco do Homem Florônico.

A base de terror gótico que se fortificou na era do produtor Philip Hinchcliffe e do editor de roteiros Robert Holmes — ambos os cargos ocupados de 1974 a 1977 –, alcança aqui um ponto de mudança importante, colocando o Doutor e Sarah em ambientes cada vez mais cercados de inimigos e sem nenhum apoio familiar, ou seja, sem apoio do amigos da UNIT. Era uma espécie de preparação para o que veríamos na temporada seguinte, com a volta de Gallifrey e uma boa mescla de aventuras em outros planetas ou mesmo na Terra, mas desta feita, apostando em atmosferas medonhas, monstros e intenções no melhor estilo “cientista louco”.

A sequência de eventos em The Seeds of Doom é frenética e se estabelece em dois cenários claustrofóbicos, um na Antártida (fortemente influenciado pelo filme Monstro do Ártico) e outro no Reino Unido. As duas bases, por assim dizer, recebem a visita indesejada de uma espécie de planta chamada Krynoid (inspirada em uma classe de equinodermos que inclui os organismos conhecidos como crinoides, lírios-do-mar e comatulídeos), uma gigantesca planta carnívora que devora a vida animal nos lugares que floresce. O trabalho que o diretor Douglas Camfield faz desde o início do arco é bastante eficiente na produção de um contexto militar + científico que recebe a interferência do Doutor de forma desesperada. Os acontecimentos na Antártida são muito bem explorados e criam toda a base para o terror que as gigantescas Krynoids trariam ao Reino Unido no desenvolvimento e final da aventura.

Tom Baker e Elisabeth Sladen mais uma vez completam a tarefa de ótimos parceiros de trabalho e ambos receberam bons diálogos e ações separadas e em conjunto, dando a oportunidade de o público entender e aproveitar cada um deles em missões paralelas. Como a dominação Krynoid se expande rápido e ganha a aparência da dominação à la Os Pássaros, de Alfred Hitchcock, a reta final da aventura é desespero puro, tanto no tipo de ameaça apresentada (intensificada pela excelente trilha sonora), com basicamente toda a flora local já dominada e controlada pela espécie alienígena, quanto na ação, gênero que assume o ritmo do arco atribuindo ao terror uma sequência rápida e explosiva de eventos onde organizações estatais e militares, estufas de um grande colecionador de plantas e estudos botânicos se misturam. O Doutor prova que faz jus o título de presidente da Intergalactic Floral Society e interfere com propriedade no crescimento e reprodução descontrolada da espécie invasora.

Embora exagerado na linha de consciência ambiental — mostrando o lado da “vingança das plantas” — The Seeds of Doom é uma excelente história de terror e ação B expondo uma invasão incomum, cujo vilão (feito do que sobrou da produção de The Claws of Axos) é ao mesmo tempo familiar e estranho para nós. Um fechamento de temporada tenebroso, como este 13ª ano de Doctor Who deveria ser.

The Seeds of Doom (Arco #85) – 13ª Temporada — Season Finale

Roteiro: Robert Banks Stewart
Direção: Douglas Camfield
Elenco principal: Tom Baker, Elisabeth Sladen, Tony Beckley, John Challis, Sylvia Coleridge, David Masterman

Audiência média: 10,93 milhões
6 Episódios (exibidos entre 31 de janeiro e 06 de março de 1976).

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.