Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Sontaran Experiment (Arco #77)

estrelas 3

Equipe: 4º Doutor, Sarah Jane, Harry
Espaço: Terra
Tempo: 16.087

Dando continuidade a The Ark in Space, que, inclusive, é referenciado diversas vezes ao longo do arco, The Sontaran Experiment nos traz a segunda história a ser composta apenas de de dois capítulos – a primeira tendo sido The Rescue, escolha que funciona tanto a favor quanto contra a narrativa aqui estabelecida. Primeiro temos a quebra de uma estrutura exageradamente dilatada, geralmente presente nos arcos de seis episódios; segundo, porém, nos é passada a sensação de que tudo isso nada mais é que um simples filler, preenchendo o espaço entre duas histórias maiores, algo, também, naturalmente provocado pelo fato de que a história em questão fora criada justamente para isso.

Tal narrativa, aparentemente descartável, contudo, não deve ser simplesmente ignorada, visto que, apesar de seus defeitos, está longe de apresentar um grau inferior de qualidade. Antes, porém, vamos à história. O Doutor (Tom Baker), Sarah Jane (Elisabeth Sladen) e Harry (Ian Marter) materializam, através de um transmat, na Terra no ano de 16087. Sabemos, através de The Ark in Space que ela está agora desabitada, mas o vazio não é tudo que encontram lá. Um grupo de humanos, um deles aparentemente aterrorizado por uma criatura nas colinas, também habita o mesmo local e logo os viajantes do tempo descobrem que caíram o meio de um estratagema sontaran.

Filmado inteiramente em locação, The Sontaran Experiment não tem problemas em trazer a imersão do espectador. A falta de qualquer civilização nos campos verdejantes apresentados, de fato, nos faz acreditar que estamos diante de um planeta agora deserto. A falta de variedade de cenários, entretanto, causa uma nítida estranheza em quem está acostumado a enxergar uma grande pluralidade de locais nos episódios de Doctor Who. Fator que certamente contribui para o aspecto filler já mencionado. Felizmente esse lado é combatido pelo aprofundamento nos planos do sontaran, que nitidamente fazem parte de algo maior, que, infelizmente, obtém sua resolução dentro do mesmo arco, não criando um possível cliffhanger para uma história posterior.

O roteiro, que tivera trechos cortados na versão final, incluindo o desenvolvimento de um dos personagens coadjuvantes, conta com um problema de ritmo evidente. O primeiro capítulo apresenta uma maior lentidão narrativa, usada, é claro, para nos introduzir dentro da trama e cuidadosamente apresentar a problemática central. Já o segundo episódio é dotado de uma pressa desconfortável, nos trazendo ações repentinas, personagens que desmaiam e acordam sem mais nem menos, resoluções apressadas e uma montagem nada precisa em determinados pontos, o que causa no espectador um grande estranhamento, como se houvéssemos pulado alguma parcela do capítulo.

Tais defeitos, porém, são minimizados pelo tom estabelecido na obra, um mais sombrio, naturalmente provocado pela entrada de Philip Hinchcliffe na produção na história anterior. A morte aqui ocupa o centro do palco, garantindo ao sontaran uma caracterização verdadeiramente assustadora – uma criatura sem o menor apreço pela vida humana, metódico e calculista, gerando na audiência uma nítida sensação de urgência, que, portanto, minimiza o desconforto criado pela aceleração apresentada na segunda metade do arco.

The Sontaran Experiment está longe de ser uma produção perfeita, mas, apesar de seu caráter filler não deve ser ignorada, trazendo uma relativa simplicidade que bem trabalha a condição dos sontarans. Com apenas dois episódios está longe de cansar qualquer espectador, podendo ser assistido facilmente de uma vez só. Seus problemas de ritmo podem ser facilmente ignorados, embora, certamente, serão notados. Basta enxerar essa como mais uma das viagens do Doutor.

The Sontaran Experiment (Arco #77) — 12ª Temporada
Direção: Rodney Bennett
Roteiro: Bob Baker, Dave Martin
Elenco: Tom Baker, Elisabeth Sladen, Ian Marter, Donald Douglas, Glyn Jones, Peter Walshe, Kevin Lindsay

Audiência média: 10,75 milhões

2 episódios (exibidos entre 22 de fevereiro e 1º de março de 1975)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.