Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Space Pirates (Arco #49)

estrelas 1,5

Equipe: 2º Doutor, Jamie, Zoe
Espaço-tempo: Space Beacon Alpha 4/ V Ship/ LIZ 79/ Ta, 2135

Em sua segunda contribuição para a série clássica de Doctor Who, Robert Holmes tem o intuito de criar uma mistura de space-opera com o western, trazendo elementos de ambos tanto na construção de seus personagens quanto na própria história. The Space Pirates é o último arco a conter episódios nos quais somente o áudio (e algumas poucas imagens) se salvou, de seus seis capítulos apenas o segundo não é uma reconstituição.

Apesar dessa grande perda temos um interessante início para a história, conseguindo nos prender de imediato. Assistimos uma estranha nave se aproximar de uma estação espacial, logo descobrimos que trata-se dos piratas enunciados pelo título e que eles estão explodindo uma série dessas estações para roubar Argonite, um precioso mineral praticamente indestrutível, utilizado na composição das naves. Logo observamos a base espacial ser explodida e prontamente o General Hermack entra em cena para investigar.

É claro que, em meio a essa problemática, a Tardis acaba pousando no pior lugar possível, dentro de outra dessas estações, colocando o Doutor, Jamie e Zoe no meio dos Piratas e das forças Terrestres. Em meio à confusão eles acabam ficando presos dentro do lugar quando ocorre mais uma detonação, deixando-os perdidos no espaço. Logo nos dois primeiros episódios Holmes introduz uma trama cativante, construindo uma nítida tensão pela impotência dos protagonistas em meio àquela situação.

Robert ainda introduz um ligeiro desconforto à essa aventura espacial ao utilizar um visual mais realista do espaço – ele não é preenchido de estrelas, ao invés disso, o que vemos é a completa escuridão. O navegar das espaçonaves por esse fundo preto chega a causar um ligeiro medo, amplificado por uma nada convencional melodia, soando como um trecho de ópera. Certamente uma brincadeira dos realizadores com o próprio gênero abordado. Por outro lado essa escuridão acaba não funcionando com o passar dos capítulos conforme outros veículos espaciais entram em cena – sem um referencial a sensação de movimento é perdida, prejudicando nossa percepção do que se passa na tela.

Começam, então, os inúmeros problemas de Space Pirates, que em muito diminuem a qualidade do arco. Comecemos pela tentativa de misturar o western ao space opera. Holmes procura utilizar os arquétipos básicos do faroeste. Muitos deles funcionam, como é o caso dos piratas (que substituem os clássicos bandidos, ladrões de banco e afins) e o general (no lugar de um xerife e seus delegados). O problema está no excesso de personagens apresentados, criando reviravoltas que constituem uma trama demasiado confusa, especialmente considerando o fato de estarmos diante de um recon (que já denigre nossa percepção da obra). Desses indivíduos introduzidos o que mais se destaca é Milo Clancey, que não só faz referência a um minerador da corrida do ouro norte-americana, como fala e se veste igualzinho a um. Convenhamos que, por volta do século XXII, isso seria a última coisa que esperaríamos ver.

Com o passar dos episódios, portanto, nosso entendimento da trama geral é consideravelmente prejudicada e aquela evidente tensão construída na introdução cai por terra com a aparição de elementos totalmente fora de seu tempo-espaço, que, ao menos, garantem algumas risadas. Mesmo a interação Jamie x Zoe x Doutor perde sua força após o segundo episódio – onde é nitidamente bem trabalhada. Após alguns minutos de projeção, Jamie passa a ser tratado como uma criança, nos remetendo imediatamente ao passado mais educativo de Doctor Who.

Perdendo cada vez mais seu ritmo, The Space Pirates acaba se constituindo como uma verdadeira provação whovian, a qual somente os mais devotos à série permanecerão até o fim. Conta com seus pontos positivos, mas estes são completamente ocultados pelo declive de qualidade exibido a partir do terceiro capítulo. Talvez se ainda estivéssemos com ele intacto, com imagem e som, a experiência poderia ter sido melhor, mas, até segunda ordem, é um arco dispensável.

The Space Pirates (Arco #49) – 6ª Temporada

Direção: Michael Hart
Roteiro: Robert Holmes
Elenco principal: Patrick Troughton, Wendy Padbury, Frazer Hines, Brian Peck, Dudley Foster, Jack May, Donald Gee, George Layton

Audiência média: 5,93 milhões

6 episódios (exibidos entre 08 de Março e 12 de Abril de 1969)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.