Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Sun Makers (Arco #95)

estrelas 4,5

He appears to have a long history of anarchic violence, and the causing of economic disruption. He is not commercially orientated!

The Collector

Equipe: 4º Doutor, Leela, K9
Espaço: Megropolis One, Plutão
Tempo: c. 4.000.000

Quem não odeia pagar impostos, não é mesmo?

Agora imagine você canalizar toda a raiva que sente dos impostos abusivos cobrados pelo governo em uma história para uma importante série, como fez Robert Holmes, à época, bastante insatisfeito com os problemas que enfrentava com a malha fiscal britânica. O resultado de sua ira resultou em um dos poucos arcos de aberto engajamento político em Doctor Who, com direito a citação de um trecho do Manifesto do Partido Comunista (1848), revolução dos trabalhadores, sátira aos funcionários do governo e a diversos tipos de impostos cobrados no Reino Unido nos anos 1970.

A trama se passa em Megropolis One (esteticamente inspirada em Metrópolis, de Fritz Lang), uma das seis megrópolis construídas pela “Companhia”, em Plutão. Com 50 milhões de habitantes, o local era claramente um centro de exploração do trabalho humano. Com salários muito baixos e impostos altíssimos para pagar, os cidadãos viviam em um regime controlado por uma Companhia de Comércio gerenciada pelos Usurians (nome derivado da palavra usura, que, em síntese, é a cobrança abusiva de juros para um dinheiro emprestado), cujo único propósito era obter grandes somas de lucro.

Sem tempo para descansar ou dormir direito, as pessoas ainda eram controladas pela adição de um composto químico que induzia o medo na atmosfera da megrópole.

Política, ideologia, lucro a todo custo e nuances de 1984 formam a base dos episódios deste arco, que tem um esboço do Estado britânico e uma mescla de todos os Estados que adotam o regime capitalista. Desde The Enemy of the World, outro arco que cerca essa temática, não tínhamos uma crítica tão forte e tão abertamente clara a algum aspecto da política britânica ou europeia. Algumas metáforas ou tratamentos simbólicos, indiretos ou em menor escala foram feitos durante a era do 3º Doutor, mas nada comparado ao que temos aqui. E como se não bastasse, até a adulação típica dos funcionários de olho em alguma promoção fácil é igualmente alfinetada pelo roteiro, quando vemos o chefe Hade tratar o Collector das formas mais afetadas possíveis, com pronomes do tipo Sua Altitude, Sua Sublimidade, Sua Eminência, Sua Omnisciência, Sua Dignidade e até formas ofensivas que parecem bastante comuns para os dois, como Sua Grosseria e Sua Corpulência.

Como já dissemos antes, a base para o desenho de produção da cidade veio do filme Metrópolis e até a revolução final se assemelha um pouco àquela que temos no filme. O diretor Pennant Roberts conseguiu aproveitar com perfeição os corredores e câmaras, os quartos e salas do palácio ou subterrâneo da cidade para nos dar a sensação de um ambiente inteiramente dividido em castas, tanto nos cargos de trabalho quanto em importância para a Companhia. E o mais triste de tudo é que todos, do mais alto ao mais baixo cargo estavam sendo usados para que os Usurians continuassem tendo a sua arrecadação robusta de sempre. Em algum momento, o Collector nos lembra aquele homem de negócios de O Pequeno Príncipe, sempre calculando tudo, procurando lucros e números para tudo. O ator Henry Woolf tem uma interpretação maravilhosa, com sua voz forçada, máscara e maquiagem que o tornam humanoide claramente alien.

Ao contrário do arco Image of the Fendahl, K9 possui aqui uma grande participação, ajudando Leela e os cidadãos rebeldes a fugir de uma série de obstáculos e colocando um bom número de guardas do governo para dormir. E é com K9 que temos o elemento cômico que põe fim ao arco, após a TARDIS partir de Plutão. O Doutor e o cão de metal estão jogando xadrez, com uma entediada Leela acompanhando os movimentos no tabuleiro. O Doutor está visivelmente perdendo e, ao invés de seguir o jogo, mexe com alguns botões da nave para que ela dê uma guinada e derrube todas as peças… Eis aí uma atitude bem à maneira de um Time Lord se livrar de um probleminha envolvendo seu próprio ego.

The Sun Makers (Arco #95) — 15ª Temporada
Direção: Pennant Roberts
Roteiro: Robert Holmes
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, John Leeson, Richard Leech, Jonina Scott, Roy Macready, William Simons, Michael Keating, Adrienne Burgess, Carole Hopkin, Henry Woolf, David Rowlands, Derek Crewe, Colin McCormack

Audiência média: 8,82 milhões

4 episódios (exibidos entre 26 de novembro e 17 de dezembro de 1977)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.