Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Three Doctors (Arco #65)

estrelas 3,5

As long as he does the job, he can wear what face he likes.

Brigadeiro Lethbridge-Stewart
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Equipe: 3º Doutor, Jo / 1º Doutor / 2º Doutor (+ UNIT, Brigadeiro Lethbridge-Stewart, Sargento Benton)
Era: UNIT — Ano 6
Espaço: Reino Unido / Planeta Gallifrey / Universo de anti-matéria criado por Omega
Tempo: Anos 1970

Talvez tenha sido a minha altíssima expectativa em relação a esse arco que tenha atrapalhado a minha visão final sobre ele; ou talvez tenha sido os muitos elogios que eu ouvira a respeito da história ou, ainda, a importância essencial que a aventura tem para o universo de Doctor Who que me tenham feito sentar para assisti-la como se estivesse prestes a ver uma excelente história da era do 3º Doutor, algo na linha de Inferno, por exemplo. E qual não foi a minha surpresa e decepção ao me deparar com um arco que, apesar de ser bom no todo, possui uma direção trôpega e um roteiro que só ganha pontos na construção de elementos canônicos para a série, falhando ao tentar mostrar um drama coeso dentro de uma boa proposta.

Todavia, mesmo que tenha ficado decepcionado com a estrutura do arco, não pude deixar de curtir o impagável encontro entre os Doutores, na primeira aventura desse tipo na série, que então estabelecia a possibilidade de cruzamento de linhas temporais. William Hartnell, mesmo bastante debilitado, fez questão de participar da comemoração de 10 anos do show (a ideia da história surgiu dele, na verdade), sendo colocado em um cenário onde pudesse ler os diálogos em separado. Seus takes foram posteriormente mostrados nos sets onde estavam Jon Pertwee e Patrick Troughton, que atuavam respondendo às falas de seu antecessor.

Julgando dramaticamente, o esforço não saiu bem. A edição não faz um trabalho interessante e Hartnell realmente não estava em condições de gravar. Mas meu lado fã consegue ver a beleza de tudo isso. A dedicação do 1º Doutor ao papel e a junção dos três primeiros atores foi um verdadeiro evento, especialmente no caso dos Doutores 2 e 3, sobre os quais se centram a parte cômica e as ótimas “brigas consigo mesmo” que também marcariam esses encontros no futuro.

Vemos que pela primeira vez o Brigadeiro Lethbridge-Stewart e o Sargento Benton entram na TARDIS, e ambos ficam impressionados com o interior da nave. Muito boas também são as reações dos dois militares ao se darem conta que estavam lidando com duas versões de um mesmo homem, pessoalmente, e com uma outra versão dele projetada em uma tela. Para o Brigadeiro, isso era um verdadeiro tormento, uma constatação que arranca bons risos do espectador.

O inimigo que os Doutores enfrentam juntos aqui é Omega, o co-fundador da sociedade dos Time Lords (juntamente com Rassilon e o Outro), o brilhante engenheiro intergalático que acabou se perdendo (e sendo dado como morto) em um Buraco Negro, após sua nave Eurydice ter o Halo de Estase sabotado. Omega é transportado para um Universo de anti-matéria, onde, através da sua força de vontade e controle mental, consegue criar um mundo para si, com algum tipo de vida simples. A partir de determinado momento, ele conseguiu utilizar a Singularidade do Buraco Negro e com ela drenar a energia de Gallifrey, além de transportar objetos da Terra para o seu mundo, com a intenção de atrair algum Time Lord (o Doutor, mais precisamente) para então conseguir ajuda e terminar o seu plano de vingança.

Com uma mistura de elementos bíblicos (Omega é a personificação de Satã, o “anjo caído”, anteriormente um dos grandes seres do Paraíso — aliás, toda a história de Omega tem esse caráter do “Paraíso perdido”); características emprestadas de O Mágico de Oz; menção a H. G. Wells e a filmes de terror B na construção do universo de Omega e seus guardas (que lembram o trash A Bolha Assassina, de 1958), o roteiro tenta arduamente construir algo potente no campo da ficção científica e do drama. Foram tantas coisas em cena, tantos detalhes para lidar, que Bob Baker e Dave Martin “optaram” por colocar as explicações mais estranhas ou simplórias para algumas interrogações, e deixarem as coisas assim mesmo, já que buscar uma boa saída para elas demandaria mais espaço que 4 episódios e provavelmente mudaria o rumo central da história.

O final de The Three Doctors traz o fim do exílio do Doutor — era o mínimo que os Time Lords podiam fazer para agradecê-lo — e um um universo inteiro de possibilidades para a 10ª Temporada, a penúltima com Jon Pertwee no papel principal.

Mesmo com escolhas bastante questionáveis do diretor Lennie Mayne (as cenas de conjunto são sofríveis em dinamismo cênico, especialmente as que se passam no mundo de Omega) e um roteiro que funciona bem apenas no fator de criação de cânone e no humor aplicado à relação entre as diferentes encarnações do Doutor, fator estendido para o Brigadeiro, The Three Doctors não deixa de ser uma história muito querida. Ela decepciona, mas não é ruim. Falta aquele salto criativo que vimos em outros arcos da Série Clássica até aqui, mas o espectador saberá lidar bem com isso, afinal, trata-se de uma das mais importantes aventuras do Universo de Doctor Who. Aquém ou não do esperado, assisti-la e discutir sobre ela é simplesmente obrigatório.

The Three Doctors (Arco #65) — 10ª Temporada
Direção: Lennie Mayne
Roteiro: Bob Baker, Dave Martin
Elenco: Jon Pertwee, Patrick Troughton, William Hartnell, Katy Manning, Nicholas Courtney, John Levene, Stephen Thorne

Audiência média: 10,28 milhões

4 episódios (exibidos entre 30 de dezembro de 1972 e 20 de janeiro de 1973)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.