Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Time Warrior (Arco #70)

estrelas 5,0

Equipe: 3º Doutor, Sarah Jane Smith
Era: UNIT — Ano 7
Espaço: Terra (Inglaterra)
Tempo: anos 70, século XIII

The Time Warrior é tudo aquilo que o arco anterior, The Green Death, não é: uma história ágil, bem estruturada, com direção de arte e montagem impecáveis. E tudo isso servindo a um momento histórico whoviano importantíssimo, a introdução de Sarah Jane Smith, vivida por Elisabeth Sladen, como companion do Doutor, função que manteria por 18 arcos e duas encarnações do Time Lord, de 1973 a 1976, além de estrelar o piloto de K-9 and Company, em 1981, voltar em The Five Doctors em 1983, depois em Dimensions in Time, em 1993 e, na Série Nova, aparecer em diversos episódios com o 10º Doutor e em um com o 11º. Além disso, a atriz emprestou sua voz a audiodramas da série e viveria a personagem em série própria – The Sarah Jane Adventures – por cinco temporadas, de 2007 a 2011, até seu falecimento em função de câncer.

Nada mal, não é mesmo?

E olha que The Time Warrior, além de oferecer aos fãs o começo da longeva carreira da personagem (e que se tornaria a eterna favorita de muitos), ainda merece destaque por ser a primeira vez que:

(a) os Sontarans aparecem (um, na verdade, o guerreiro Linx, vivido por Kevin Lindsay);

(b) Gallifrey, o planeta-natal do Doutor, é mencionado por nome;

(c) os Rutans, raça rival dos Sontarans e que apareceriam em Horror of Fang Rock, na 15ª temporada, são mencionados por nome;

(d) o famoso (mas feio) logo da série em formato de diamante surgiria;

(e) os arcos da série deixaram de ser compostos por “episódios”, passando a ser formados por “partes” (alteração sem consequência, claro, mas marcante de toda forma).

E, lógico, uma nova abertura, para acompanhar tanta coisa nova, também foi providenciada.

Acho que já ficou claro o quão importante é o arco aqui comentado e creio não ser mais preciso falar nada sobre ele, não é mesmo?

Mas vou falar mesmo assim…

Contada em apenas quatro partes, a história que introduz Sarah Jane Smith reúne os melhores atributos de Doctor Who, ou seja, viagem no tempo, bizarras raças alienígenas e uma trama galgada na ação. Falta, sem dúvida, comentário social como no arco anterior, mas isso não é nada que atrapalhe a fluidez do roteiro de Robert Holmes, responsável, dentre outros, pelo excelente arco introdutório do 3º Doutor, Spearhead from Space. Ao contrário, ao despir The Time Warrior de maiores  pretensões e carregar na espirituosa e forte presença de Elisabeth Sladen, então com 27 anos, mas parecendo ainda mais jovem, a narrativa ganha agilidade sem dar trégua ao espectador.

E, de fato, Sladen é o grande ás na manga aqui, pois ela cria uma personagem com muito personalidade e presença, que já começa mentindo (ela finge ser uma pesquisadora para se infiltrar na UNIT), desconfia das intenções aparentemente nobres do Doutor e, quando vê que está errada, não se faz de rogada e arregaça as mangas para resolver o imbróglio medieval em que se mete depois que vai ao século XIII como clandestina na TARDIS. É particularmente interessante vê-la bater de frente com Jon Pertwee e, em muitos momentos, roubar as cenas, já deixando muito claro que par perfeito os dois fariam pelo espaço-tempo.

A história começa quando cientistas da UNIT começam a desaparecer e o Doutor, ao investigar, descobre que alguém vem transportando-os para o passado. Esse alguém é o guerreiro Linx, da beligerante raça dos Sontarans, cujos únicos propósitos são lutar, guerrear e combater. Linx faz uma aliança com Irongron (David Daker), também guerreiro com pretensões de ser rei, que o permite ficar em seu castelo em troca de armas “mágicas”. Assim, o Doutor e a não-tão-relutante nova companion, têm que usar as cabeças para derrotar dois vilões extravagantes: um extraterrestre cabeçudo e um humano mais cabeçudo ainda.

Se a diatribe inicial entre o Doutor e Sarah Jane já cumprem seu papel de entreter o espectador, a relação interesseira entre Linx e Irongron, tratada no roteiro com muito exagero e clichês, é extremamente divertida. A aparência grotesca do Sontaran (muito diferente da versão “domesticada” que veríamos mais tarde, com Strax) e sua varinha hipnótica combinam com perfeição com Irongron e sua turma, basicamente uma espécie de turba formada de testosterona em excesso misturada com um apetite infindável e muita beligerância gratuita, exatamente o que se espera do estereótipo de guerreiros medievais. Aliás, nesse quesito, David Daker, vivendo Irongron como se não houvesse amanhã, mastiga sua comida da mesma maneira que faz com o cenário, com sua presença imponente, mas ao mesmo tempo hilária (o ator voltaria à série, em outro papel, em Nightmare of Eden, na 17ª temporada) e desconcertante.

E, claro, considerando as restrições orçamentárias características da série, há que se fazer especial comenda à trabalho de design não só do Sontaran (aquela linguinha sexy de Linx hein?) em si, como também dos figurinos e de todo o cenário. Há um senso de estrutura épica ao castelo de Irongron que são amplificadas com tomadas “aéreas” focando na ação em seu interior, notadamente uma sequência em que o Doutor, sozinho e sem armas, enfrenta a horda de soldados do bárbaro. Logicamente, as mesmas questões financeiras tornam risíveis o ataque de Irongron e seu diminuto batalhão ao castelo vizinho. Lembra, de certa forma – e isso é um aspecto positivo, que fique claro! – os combates que vemos em Monty Python em Busca do Cálice Sagrado, lançado no ano seguinte (juro que em muitos momentos esperei o som dos cocos sendo batidos…).

The Time Warrior é pura diversão televisiva com uma trupe de personagens que não serão facilmente esquecidos por quem perdoar a agradável “tosquidão” e mergulhar na aventura. Sarah Jane Smith não poderia ter começado de forma mais excitante sua longa carreira na série.

The Time Warrior (Arco #70) – 11ª Temporada
Direção:
 Alan Bromly
Roteiro: Robert Holmes
Elenco: Jon Pertwee, Elisabeth Sladen, Nicholas Courtney, Kevin Lindsay, David Daker, John J. Carney, Alan Rowe, June Brown, Jeremy Bulloch, Donald Pelmear

Audiência média: 8,22 milhões

4 episódios (exibidos entre 15 de dezembro de 1973 e 05 de janeiro de 1974)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.