Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Visitation (Arco #119)

fifth-doctor-davison-adric

estrelas 3

Equipe: 5º Doutor, Adric, Nyssa, Tegan
Espaço: Londres, Inglaterra
Tempo: início de Setembro de 1666

Como podemos definir com exatidão este The Visitation? O arco em que John Nathan-Turner, o produtor reizinho-problematizador da Série Clássica, mandou destruir a sonic screwdriver e nunca mais a substituiu? O arco em que o 5º Doutor dá patada em todo mundo — comportamento à margem de sua persona, diga-se de passagem? O arco em que Tegan está insuportável? O arco em que Adric resolve se comportar como um garoto mimado de 3 anos e, claro, está insuportável? O arco em que Nyssa está mais blasé que Bette Davis depois dos 60 anos e praticamente insuportável? O arco em que temos referências históricas de peso, como a Grande Praga e o Grande Incêndio de Londres, em 1666?

Para ser sincero, The Visitation é tudo isso. E a despeito dos companions mal escritos do roteiro de Eric Saward e de Sarah Sutton (Nyssa) atuando muito mal, o arco acaba sendo uma aventura histórica bem-vinda, muito embora fale de um evento pouco conhecido do grande público. Há boas referências aos diários de Samuel Pepys, especialmente na forma como os aldeões tratavam estrangeiros e, como se fosse uma sombra distante da Idade Média, temiam a figura da Morte, algo que o Terileptil que caiu na Terra descobre rápido e usa com bastante sucesso — e um pouco de comicidade — a seu favor.

A aventura começa fazendo o espectador feliz: enfim, parece que o Doutor vai se livrar de Tegan. É bom ver a atriz Janet Fielding em cena (apesar da personagem, a triz é ótima), despedindo-se de todos, achando realmente que o Doutor a levaria para meia hora antes de seu voo. Ele de fato chega ao lugar certo, mas em um tempo diferente. Cerca de 300 anos antes. Um “pequeno erro” nível TARDIS.

Os primeiros momentos são de reconhecimento do local, que não dura muito tempo. Perseguidos, os viajantes do tempo encontram-se com um ladrão, Richard Mace, que por sinal daria um excelente companion, e são levados para um esconderijo em um celeiro próximo. As explicações para o que há de estranho no local aparecem rápido, passam por controle de pensamento através de um bracelete e terminam com joguinhos de gato de rato protagonizados pelo Terileptil e seu androide carnavalesco, ambos com ótimas representações estéticas, mas bastante risíveis.

Para uma aventura histórica como esta, voltamos sempre a atenção para o desenho de produção, e aqui vale ressaltar o bom trabalho nas locações, a direção de arte da casa principal, as tomadas no celeiro e dentro da nave do alien “invasor”. Ao contrário do roteiro, a direção, assinada por Peter Moffatt, é inteligente e consegue fazer um bom contexto, mudando sensivelmente a forma de explorar os personagens em externas/internas e traçando uma boa divisória entre os três primeiros e o último episódio, cuja derradeira é bem executada por todos os setores, inclusive pela fotografia, que tem um dos melhores momentos de The Visitation.

Falho na abordagem dos companions e do Doutor (apesar de Peter Davison manter sua ótima atuação), o arco consegue se salvar pela jornada um pouco improvável que nos apresenta. A base dramática lembra bastante The Time Warrior, mas é um pouquinho mais melodramática e não executa tão bem as linhas de personagens em cena. Superada esta parte, temos uma curiosa explicação para o Grande Incêndio de Londres e uma visão do lado periférico da cidade em relação ao último grande surto de peste bubônica. Mais uma vez, o Doutor e seus companheiros presenciando a História como [não] conhecemos.

The Visitation (Arco #119) — 19ª Temporada
Direção: Peter Moffatt
Roteiro: Eric Saward
Elenco: Peter Davison, Matthew Waterhouse, Sarah Sutton, Janet Fielding, Michael Robbins, Peter Van Dissel, John Savident, Anthony Calf, John Baker, Valerie Fyfer, Richard Hampton, James Charlton, Michael Melia, Neil West, Eric Dodson
Audiência média: 9,60 milhões
4 episódios (exibidos entre 15 a 23 de fevereiro de 1982)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.