Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The War Machines (Arco #27)

The War Machines

estrelas 3

Equipe: 1º Doutor, Dodo, Ben, Polly
Espaço-tempo: Londres, 20/07/1966

Arco final da 3ª temporada clássica de Doctor Who, The War Machines marca a patética saída de Dodo Chaplet (que tinha se juntado à TARDIS de uma maneira um tanto estranha, quase como Ben e Polly fizeram ao fim dessa aventura) e traz um inimigo com uma espécie de consciência que funciona através dos computadores, nesse caso, tendo como ponto de partida a supermáquina chamada WOTAN (sigla em inglês para algo como “Operador Arbítrio Análogo ao Pensamento”).

Este é um dos casos em que a produção merece os devidos vivas mas o roteiro meio bestializante torna as máquinas e mesmo os protagonistas humanos chatos ou pouco convincentes. As Máquinas de Guerra são quase um protótipo “terráqueo” para um Dalek, com um atirador vaporizante e dois braços inúteis cuja função seria esmagar coisas — algo que só funciona, evidentemente, para objetos bem próximos a elas.

Mas a despeito do vilão (o mega computador que hipnotiza humanos para servir às suas vontades), a produção de The War Machines merece muitos elogios. Filmagens em ruas de Londres, mobilização de um elenco coadjuvante/figurante notável para os padrões da série e efeitos visuais pouco vistos até então em Doctor Who são elementos que não podem ser deixados de lado. Em alguns momentos, o roteiro traz indicações para uso de tecnologia que se tornariam reais algumas décadas depois, o que dá um sabor todo especial à trama. Mas infelizmente esses são pontos isolados na história e que não encobrem os deslizes narrativos que se acumulam durante toda a projeção.

Para começar: o que deu na Produção Executiva da BBC para deixar passar um roteiro que expunha Dodo a esse tipo de finalização ridícula e ingrata? Convenhamos que ela se tornou companion por acidente, lá em O Massacre da Noite de São Bartolomeu, mas sua despedida não poderia ser melhor explorada? Independente se a atriz teve problemas ou não com a produção série, seria melhor filmar uma boa despedida do que a odiosa colocação de sua personagem em toda a trama, desde o início do arco.

Eu, que já havia achado a partida de Vicki um pouquinho impessoal (embora com algum elemento de emoção), sem encarar o Doutor; simplesmente não acreditei no modo como Dodo deixou a TARDIS. É para enraivecer qualquer whovian. E certamente deixou William Hartnell espumando de raiva, uma porque ele se apegava muito aos seus companheiros de trabalho (quem viu An Adventure in Space and Time sabe que ele odiava se separar dos atores que faziam seus companheiros) e outra porque ele igualmente odiou a forma como a BBC realizou a saída da atriz Jackie Lane.

Ben e Polly, assim como a companion anterior, se tornam passageiros da TARDIS por acidente — a nave se desmaterializa com eles dentro. Vale lembrar que ambos são os últimos companheiros de viagem dessa primeira encarnação do Doutor, que se regeneraria logo mais, no segundo arco da 4ª temporada. William Hartnell já demonstrava sinais de cansaço, fazendo um Doctor mais impaciente, mais ou menos tão propício a explosões como fora no início de sua vida com Ian e Barbara. Sua mudança, porém, não descaracteriza a gentileza que lhe foi adquirida no decorrer das aventuras. Mesmo impaciente, o Doutor sabia que os humanos precisavam ser tratados com mais cautela e o fazia sempre que possível.

Outra coisa importante a se observar é que o figurino do Doutor volta a ficar mais completo e sério. Não que ele tivera arroubos de modificações de vestuário no decorrer dos arcos, mas o chapéu e a capa não lhe foram assim tão presentes quanto nesse final de vida. Muita coisa já apontava para o fim de uma era.

Em tempo: os acontecimentos do arco The Faceless Ones (Arco #35, 4ª Temporada) também ocorreram no dia 20/07/1966,  isso quer dizer que tanto o 1º Doutor quanto o 2º Doutor estiveram em Londres exatamente no mesmo dia, embora em lugares diferentes: um no Centro da cidade e outro no Aeroporto Gatwick!

The War Machines (Arco #27) – 3ª Temporada – Season Finale

Roteiro: Ian Stuart Black, Kit Pedler
Direção: Michael Ferguson
Elenco principal: William Hartnell, Michael Craze, Jackie Lane, Anneke Wills, John Cater, Alan Curtis, John Harvey, William Mervyn

Audiência média: 4,97 milhões

4 Episódios (exibidos entre 28 de maio e 18 de junho de 1966).

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.