Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Web of Fear (Arco #41)

web of fear

estrelas 3,5

Equipe: 2º Doutor, Jamie, Victoria
Espaço-tempo: TARDIS (em algum lugar do espaço-tempo), metrô de Londres (estação de Covent Garden e outras), no presente (1968)

Começando exatamente onde The Enemy of the World acabou, com Salamander ejetado da TARDIS, as portas abertas e o Doutor e seus companions Jamie e Victoria tendo que lidar com a situação. Resolvido o problema, que envolveu filmagem em ângulo holandês que surpreendentemente funcionou muito bem, com os atores bem sintonizados e convincentes com o “desequilíbrio” da situação, a pequena (por fora) cabine azul de polícia é paralisada no espaço-tempo momentaneamente, cercada por uma teia.

Em outro lugar, vemos um museu e uma figura conhecida de The Abominable Snowmen, o próprio Yeti robótico, ganhando vida novamente na coleção privada de Julius Silverstein (Frederick Schrecker), onde ficou por 30 anos. Mas o que vemos é uma versão “modernizada” do Yeti, pois seu design é substancialmente diferente (e tenho minhas dúvidas se melhor) do arco em que apareceu pela primeira vez. O Professor Travers (Jack Watling, do arco mencionado), junto sua filha Anne (Tina Packer)  tentam recuperar o monstro, mas Silverstein não aceita de jeito nenhum. E, em uma base militar subterrânea, somos apresentados a um querido personagem da série, o Coronel Lethbridge-Stewart (Nicholas Courtney, que faria o papel – só que como brigadeiro, mais tarde – literalmente até seu falecimento, em 2011) que, juntamente com o Capitão Knight (Ralph Watson) está diante de um surto misterioso no metrô que Travers e o Doutor (claro!) podem ajudar.

Por pelo menos dois episódios a trama é confusa, apressada e um tanto quanto desconjuntada. São episódios usados para situar o espectador, para reapresentar o Doutor e o “milagre” da viagem do tempo ao Professor Travers e equalizar toda a situação. Mas a montagem não ajuda e a ação constante acaba atrapalhando, acelerando eventos que poderiam ser melhor trabalhados.

A bem da verdade, porém, a confusão é, no final das contas, momentânea. E ela só acontece enquanto o Doutor está convenientemente “desaparecido” nos túneis do metrô (até o começo do 3º episódio), o que permite que a ação se concentre nos soldados, no Professor Travers, Anne e, lógico, em Jamie e Victoria por um tempo. Quando a situação periclitante está determinada e o “ponto sem volta” é ultrapassado, aprendemos não só que a Grande Inteligência está novamente por detrás de tudo (qualquer whovian deduziria isso, dadas as circunstâncias) e o Doutor volta para encerrar o caso que ainda teria várias reviravoltas, descobrindo um antídoto para o fungo (a teia) espalhado pelos Yeti, tomando o controle de um e deixando o caminho aberto para a Grande Inteligência voltar mais uma vez.

Dos seis episódios do arco, apenas o 3º foi perdido, mas a BBC fez uma reconstituição com o áudio original e as fotos da série para fins de ilustração. É um pouco enervante assistir a um episódio dessa forma, mas não há alternativa. O lado positivo é que, por muitos anos, apenas o primeiro episódio e algumas sequências dos demais existiam na BBC. Mas, em 2013, em um esforço para achar os “episódios perdidos” da série, quase todos foram localizados na Nigéria e, então, lançados em DVD.

The Web of Fear, apesar do começo lento e confuso, mostra-se um ótimo arco que sabe dosar ação com exposição, mistério com drama e uma resolução satisfatória, abrindo as portas para o retorno do grande vilão ainda outras vezes. O espaço confinado do metrô e seu potencial dramático é efetivamente utilizado para aumentar o suspense e o drama, com alguns eficientes sustos ao longo dos episódios, além de disfarçar de maneira razoável o já costumeiro baixo orçamento de Doctor Who.

The Web of Fear (Arco #41) – 5ª Temporada

Direção: Douglas Camfield
Roteiro: Mervyn Haisman, Henry Lincoln
Elenco principal: Patrick Troughton, Frazer Hines, Deborah Watling, Nicholas Courtney, Jack Watling, Tina Packer, Jon Rollason, Ralph Watson, Frederick Schrecker, Tina Packer

Audiência média: 7,61 milhões
6 Episódios (exibidos entre 03 de fevereiro de 1968 a 09 de março de 1968)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.