Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Underworld (Arco #96)

estrelas 3

Equipe: 4º Doutor, Leela, K9
Espaço: P7E (nave espacial Minyan / planeta) e R1C (nave espacial Minyan).
Tempo: Indeterminado

Underworld foi o primeiro arco em que o novo editor de roteiros da série, Anthony Read, teve pleno controle sobre as decisões narrativas e… bem, quase que a experiência não passava da linha aceitável de um bom  conjunto de episódios. A trama é uma alegoria a vários eventos da mitologia greco-romana, como a história de Jasão e os Argonautas, o tosão de ouro, os mitos de Orfeu e Perséfone, a lenda do navio fantasma condenado a vagar pelo mar até o fim dos tempos e sem poder aportar (Holandês Voador), a alegoria da Espada de Dâmocles e, saindo da mitologia, o filme Planeta dos Macacos (1968).

Uma das informações valiosas que temos aqui é a explicação (ou uma das explicações) do por quê os Time Lords fixaram a política de não intervenção. O Doutor, Leela e K9 se materializam em uma nave espacial chamada R1C, que está a centenas de anos vagando pelo espaço à procura de um sinal que eventualmente se torna perceptível, mas depois se esvai. Com base no lema “The quest is the quest!“, o grupo de Minyans que encontramos podem se regenerar através de um processo mecânico (um pouco diferente da forma como os Time Lords fazem) e passaram parte de suas vidas em busca da nave P7E, que carrega os bancos de material genético da raça Minyan. Encontrar a P7E é uma forma de fazer reviver esta civilização há muito perdida. Mas é claro, sempre há uma complicação.

O primeiro episódio do arco, de longe o melhor dos quatro, coloca o Doutor e seus companions diante de uma ameaça que não é tão ameaçadora assim. E isso é interessante, porque varia um pouco daquilo a que estamos acostumados. Os Minyans recebem o grupo divididos entre a curiosidade e o medo, mas à medida que o sinal da P7E se intensifica e a R1C avança em direção a ele, sem saber que estão à borda de uma Galáxia Espiral em formação, os serviços do Doutor e K9 são necessários. Até o final do arco, essa dualidade entre parceria/confiança e medo/desconfiança se manterá.

Quando descobrimos onde está a P7E, os eventos aparentam caminhar para uma interessante sequência de ação, mas não é isso o que acontece. O mal e gigantesco uso dos efeitos de colour-separation overlay (CSO; um tipo de chroma key desenvolvido pela BBC) passam a chatear o espectador de tal maneira, que a história perde todo o seu impacto. Quase a totalidade das cenas no mundo subterrâneo utiliza esse processo e a paleta de cores do cenário + a iluminação da direção de fotografia, os movimentos de câmera e a aplicação do efeitos especiais tornaram toda a parte estética questionável, salvando-se os momentos em que o Doutor, Leela e K9 aparecem em algumas das salas da P7E (especialmente onde está o vilão, o Oráculo, mais um computador que acha que pode tudo, como aquele que vimos em The Face of Evil) ou dentro da R1C.

O bom deste arco é que os personagens são bastante críveis e a busca pelo banco genético de uma raça, de uma forma ou de outra, acaba prendendo o espectador; mas o exagero dos recursos técnicos aqui utilizados (e não havia necessidade disso!) quase colocam tudo a perder, embora não consigam, de fato, estragar o arco. O início e o fim de Underworld ainda trazem um bom alívio cômico, com o Doutor pintando e sendo desprezado ou minimizado por K9. Não há quem não ria com gosto.

Underworld (Arco #96) — 15ª Temporada
Direção: Norman Stewart
Roteiro: Bob Baker, Dave Martin
Elenco: Tom Baker, Louise Jameson, John Leeson, James Maxwell, Alan Lake, Jonathan Newth, Imogen Bickford-Smith, James Marcus, Godfrey James, Jimmy Gardner, Norman Tipton

Audiência média: 9,65 milhões

4 episódios (exibidos entre 7 e 28 de janeiro de 1978)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.