Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Warriors’ Gate (Arco #113)

estrelas 3

Equipe: 4º Doutor, Romana II, K-9 Mark II e Adric
Espaço: The Gateway (E-Space)
Saga: E-Space Trilogy
Tempo: Indeterminado

Warriors’ Gate é o último arco da E-Space Trilogy e sua real importância para Doctor Who está na despedida de Romana e K-9 II da série, ficando no Portal do E-Space; e também pela definitiva saída do Doutor e Adric do local, onde estavam desde Full Circle.

Embora seja assinado pelo escritor Stephen Gallagher, o texto do serial sofreu massivas alterações do editor de roteiros Christopher H. Bidmead e do diretor Paul Joyce, que permitiu improvisos e mudou ele mesmo, durante os dias de filmagem, alguns diálogos e diversas cenas do original.

Assim como no medíocre arco anterior, State of Decay, Warriors’ Gate tem sérios problemas de desenvolvimento na trama, mas consegue manter a atenção do espectador pelas boas referências a elementos da cultura pop e diversas áreas do entretenimento. O espectador encontra aqui referências aos dois personagens da peça Esperando Godot (os dois funcionários atrapalhados da tripulação perdida que acossa o Doutor); ao filme Alien, o Oitavo Passageiro (os Tharil, aprisionados pelo Capitão Rorvik); ao livro Alice no País das Maravilhas (o Doutor se refere ao Gato Cheshire); à peça Júlio César, de Shakespeare, quando o Doutor diz para Romana que ela “foi a mais nobre Romana de todas“… e por aí vai.

Diante dessas relações com a literatura e também outras áreas do conhecimento (3ª Lei de Newton, Estrela Anã, I Ching, etc.), o arco vai ficando interessante de se ver. Mesmo que a parte relacionada à tripulação perdida seja fraca e fiquem zilhões de questionamentos a respeito dos Tharil, há uma linha de eventos que funciona como guia do roteiro e que consegue pelo menos ser positiva ao final da história.

Pela primeira vez desde a entrada de Adric na série, é possível entender a parcela de desafetos que o companion cultivou no decorrer dos anos. E o problema aqui é duplo, uma parte, por culpa do ator; outra parte, pelo roteiro, que não deu uma única boa cena ou diálogo para ele. Chega a ser frustrante e enervante ver o moço no E-Space, jogando uma moeda para cima e indo de um lugar para outro… depois aparecendo de surpresa no Portal e terminando o arco com perguntas em tom de jogral para o Doutor. Com certeza temos aqui um dos campeões de personagens mais mal escritos na série.

Os episódios 3 e 4 se estacionam quase que completamente em termos de ação, mostrando os personagens girando em torno de coisas já expostas na dupla de capítulos anteriores, sem dizer muita coisa a mais. É aqui que surgem as maiores perguntas sobre os Tharil e os maiores momentos de nervoso do espectador em relação à história, que perece uma estranha reprise. Do meio do episódio 4 para frente, a trama volta a ter um interesse maior e avançar para o desfecho quase que satisfatoriamente.

A forma minimalista do desenho de produção do arco, a diversidade de figurinos e a forma como a trilha sonora é utilizada nos dá diversas impressões sobre esse lugar entre-Universos. Infelizmente, Romana II e K-9 II partiram. Agora está o Doutor e o chatinho do Adric na TARDIS e, até que fim, de volta ao nosso Universo, o N-Space. Daqui para frente, é a reta de preparação para a regeneração do Doutor.

Warriors’ Gate (Arco #113) — 18ª Temporada
Direção: Paul Joyce
Roteiro: Stephen Gallagher
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, Matthew Waterhouse, John Leeson,  Clifford Rose, Kenneth Cope, David Kincaid, Freddie Earlle,  Harry Waters, David Weston, Vincent Pickering, Robert Vowles, Jeremy Gittins
Audiência média: 7,47 milhões
4 episódios (exibidos entre 3 e 24 de janeiro de 1981)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.