Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Warriors of the Deep (Arco #130)

warriors_of_the_deep_doctor-who-plano-critico

estrelas 3,5

Equipe: 5º Doutor, Tegan, Turlough
Espaço: Terra, fundo do Oceano, Sea Base 4
Tempo: 2084

Começando a 21ª Temporada de Doctor Who, Warriors of the Deep foi marcado por inúmeros problemas de produção e insatisfação de Peter Davison pela resolução do produtor John Nathan-Turner de que ele não completaria a temporada, mas teria a sua regeneração no penúltimo arco do serial, dando lugar ao já escolhido Colin Baker, a primeira e única escolha de JNT. A essa altura, também já estavam decididas as partidas de Tegan e Turlough e, por um motivo técnico e de logística para os episódios, o imediato assumir do fracasso na tentativa de fazer de Kamelion (The King’s Demons) um companheiro, o que para mim é uma desculpa conveniente, pois eles sequer tentaram arranjar alternativas menos ativas para o robô. A meu ver, o androide daria um excelente companion. Ou pelo menos deveria ter aparecido mais vezes, talvez como “droide de consulta” ou algo parecido.

Marcado pelo espírito da Guerra Fria na fase dos anos 1980 — quando tudo começava a desmoronar para o mundo socialista/comunista — o roteiro de Johnny Byrne sugere duas grandes potências em “guerra indireta”, marcadas pelo medo, por constantes testes para uso de armas e pela espera de que a qualquer momento uma bomba do inimigo iria atingir o outro lado e fazer explodir uma guerra sem precedentes, ou seja, o princípio adaptado da MAD (mutual assured destruction). Esse espelho da luta encabeçada, na realidade, por EUA e URSS teve, inclusive, uma presença política na produção do arco, quando tiveram que pausar uns dias para as eleições de 1983, onde, dada a rápida recuperação econômica do país após a Crise do Petróleo em 1979, além da vitória britânica na Guerra das Malvinas, garantiu a reeleição de Margaret Thatcher para o cargo de Primeira Ministra, o que dividiu opiniões entre os produtores do programa.

Com leves críticas à política militarista do Reino Unido e expondo de maneira interessante a dinâmica da Guerra Fria naquele momento da História, Johnny Byrne não pode, porém, reescrever o roteiro para caber às necessidades da produção, o que acabou sobrecarregando o editor de roteiros Eric Saward. Diante disso, atrasos nas filmagens (especialmente na preparação do tenebroso monstro Myrka) e granes mudanças nas ideias originais se sucederam. O arco acabou se tornando uma das histórias mais cruéis da série: com exceção dos tripulantes da TARDIS, todos os coadjuvantes acabam morrendo — a meu ver, uma ótima metáfora para a temática política aludida na história, embora isso não tenha sido ideia do roteirista original.

Exceto pelo Myrka (sou muito mais os bichos do nosso Carnaval de rua e festas populares do que esse negócio pavoroso), o desenho de produção e figurinos aqui são muito bons. O bom uso de cores para o interior da Base, a ótima representação do ambiente marítimo — mesmo com todas as limitações, há um grande charme nesse submarino de Warriors of the Deep — e a aparência dos vilões que conhecemos lá de Doctor Who and the Silurians e The Sea Devils. Uma coisa que me fez rir alucinadamente, foi a armadura de guerra dos Sea Devils, que lembra um pouco a armadura de samurais. Eu tive que pausar para poder terminar de rir e prosseguir com o episódio, porque é uma referência tão aleatória e tão absurda que só Doctor Who poderia nos trazer: répteis pré-históricos, primos de uma outra raça pré-histórica vestindo armadura semelhante a grandes guerreiros japoneses. Oh, Senhor…

O egoísmo de Turlough chega a irritar em certo ponto, assim como as suas briguinhas com Tegan e algumas respostas atravessadas da companheira para coisas que o Doutor sugere ou pede para ela fazer. Novamente, sua posição na série fica chata e é impossível não revirar os olhos algumas vezes. Também foi interessante ver o Doutor agindo de forma mais “violenta”, partindo para a briga, assumindo ações de ataque direto, algo que eu não víamos de maneira tão marcante desde a era do 3º Doutor (o 4º Doutor teve seus momentos nesse lado, claro, mas ação física obviamente nos remota ao 3º).

O final aqui é chocante. A face do Doutor é de vergonha, pesar e luto, e sua frase final toca o espectador. Uma maneira dura — e bastante rara — de terminar uma história em Doctor Who.

Warriors of the Deep – 21ª Temporada
Direção: Pennant Roberts
Roteiro: Johnny Byrne
Elenco: Peter Davison, Janet Fielding, Mark Strickson, Tom Adams, Ingrid Pitt, Ian McCulloch, Nigel Humphreys, Martin Neil, Tara Ward, Norman Comer, Nitza Saul, Stuart Blake, Vincent Brimble, Christopher Farries
Audiência média: 7,25 milhões
4 episódios (exibidos entre 5 e 13 de janeiro de 1984)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.