Crítica | Doctor Who: Silhueta, de Justin Richards

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estrelas 2,5

Equipe: 12º Doutor e Clara
Espaço: Londres
Tempo: Anos 1890

Este é o tipo de história curiosa para acontecer logo no início da “nova vida” de um Doutor, especialmente do 12º. Eu sempre vejo com curiosidade os momentos iniciais após uma regeneração, o que o novo corpo e a velha mente fazem se adequar, se relacionar com o mundo e encarar novos desafios pela frente, o que nos traz, então, para a particularidade desse romance, Silhueta, que acontece para o Doutor e Clara entre os arcos Into the Dalek e Robot of Sherwood.

Quando percebemos que a TARDIS se materializa na Londres da Era Vitoriana, fica muito óbvio que Madame Vastra, Jenny e Strax terão um papel importante na jogada, não apenas uma figuração rápida. O Doutor tenta desconversar e diz o seguinte para Clara: “Vastra e Strax e Jenny? Ah não, não precisamos importuná-los. Confie em mim.“, mas as coisas não vão exatamente como o Time Lord imaginara a princípio e a ajuda da Paternoster Gang se torna mais do que necessária.

A história tem o saber bizarro das aventuras Vitorianas em Doctor Who, mas falta alguma coisa. Desde o começo, o leitor percebe que os acontecimentos com os protagonistas, as mortes e a estranha premissa de que “quase tudo pode se transformar em uma arma” arrumam o caminho para dar em algum lugar, mas não sabemos exatamente aonde. No começo isso é mais ou menos entendido, porque o autor vai nos apresentando pouco a pouco aos personagens, criando e descrevendo ambientes de cenas separadas do Doutor e Clara; de Strax e um amigo; de Vastra e Jenny; da feira-espetáculo chamada ‘The Carnival of Curiosities’ ou do misterioso Orestes Milton. Não há nada de mal nisso. O leitor de fato se diverte com os mistérios ainda mudos, com os caminhos tortuosos dessa cidade que intriga o Doutor e sua companion.

Como era de se esperar, há também uma veia cômica no início da história, não necessariamente a melhor escrita por Justin Richards, mas boa o bastante para fazer sentido dentro da linha de um Doutor ainda com crise de identidade como o 12º nestes primeiros dias após a sua emblemática regeneração, trazendo-lhe um novo ciclo. A maioria dessas cenas acontecem entre o Time Lord e Clara na TARDIS e a passagem deles pela feira de curiosidades. Esse percurso acaba servindo também de apresentação do local, pois é através da rabugice do Doutor que algumas atrações são visitadas e as primeiras coisas realmente “fora de lugar e época” começam a ser observadas.

Toda a base do livro é erguida como se fosse uma investigação de uma morte estranha. Aos poucos, porém, a arma que o Doutor viu no início começa a dar seus “frutos”, mostrando quem na verdade é o dono e o que esse dono pretende fazer com tantas armas. Sem perceber, o leitor pula rapidamente de um padrão dramático para outro e, quando se dá conta, nota que a qualidade da história caiu drasticamente com isso. O motivo? Bem, tem coisa demais acontecendo e certos caminhos delineados no começo da obra ou são abandonados ou recebem uma resolução apressada e insatisfatória para dar lugar a um Senhor das Armas e a um certo sentimento de raiva extrema incutido nas pessoas. Infelizmente, esse é o tom da linha final do livro, que, fugindo da graça e mistérios apresentados nos primeiros capítulos, empolga pouco e chateia mais do que deveria.

Ao terminar a leitura, o público sente o grande peso de uma história contada em duas fases bem distintas em qualidade e com frágil interação entre elas. O humor volta nesse bloco e a despedida entre os tripulantes da TARDIS e Paternoster Gang tem sua graça, mas não salvam Silhueta da linha mediana de qualidade. Este é o problema em querer inventar complexidade demais onde a simplicidade cairia muito melhor.

Silhueta (Silhouette) — Reino Unido, 2014
Autor: Justin Richards
Editora: BBC Books
255 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.