Crítica | Doctor Who: The Crystal Throne / The Eye of Torment

Os dois arcos aqui criticados foram publicados na Doctor Who Magazine (DWM) entre junho e agosto de 2014. A primeira história, The Crystal Throne, é uma aventura com a Paternoster Gang e a segunda, The Eye of Torment, marca a estreia do 12º Doutor nos quadrinhos da DWM.
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The Crystal Throne

estrelas 4

vastra

Equipe: Madame Vastra, Jenny Flint, Strax
Espaço: Londres
Tempo: Década de 1890

Esta história de Scott Gray, publicada na DWM #475 e 476, seguiu-se à última aventura do 11º Doutor na revista, The Blood of Azrael. Por ser uma “edição de transição”, como um preparativo até que a equipe da DWM pudesse escrever e desenhar algo para o 12º Doutor, foi resolvido que haveria uma história com a equipe da Paternoster Gang.

Eu não sou exatamente fã desse trio (gosto deles, mas nada demais), mas sempre apoio histórias que façam sentido para a concepção original dos personagens em destaque e para sua época, um status que temos muito bem apresentado em The Crystal Throne. A trama começa com uma tendência meio V de Vingança mas em poucos quadros essa impressão se dissipa. Madame Vastra aparece, neutraliza a ameaça e passa a investigar, ao lado de Jenny (que a chama de esposa) e Strax o palácio de cristal onde uma imitação da floresta tropical brasileira está sendo cultivada.

Toda a estranheza característica das histórias com o grupo vitoriano está presente, mas isso fica apenas na atmosfera local e no caráter dos vilões. Não há sequer reflexos da má abordagem para eles que lemos em O Demônio na Fumaça ou “encaixismos” fáceis para poder citar ou colocar o Doutor em cena. Até a posse de Vastra para um objeto bastante icônico utilizado pelo Time Lord tem justificativa dentro da série, vinda de uma fala passada de River Song.

O roteiro mantém a ação a todo instante e só falha (de maneira bem canhestra) na finalização, com um salto temporal narrativo que não faz sentido algum. Posto isso de lado, não existem maiores incômodos no texto de Scott Gray e nem na arte David A Roach, que faz um bom trabalho nos desenhos dos insetos e das estripulias do grupo da Paternoster para chegar à “raiz do problema” dentro do palácio de cristal.

Como toda boa história, The Crystal Throne traz elementos novos para o leitor e certamente garante um bom divertimento. Algo que vai surpreender até quem não gosta muito deles, que, no final, parece ter ganho mais um membro. Isso, porém, só o futuro irá dizer.

The Crystal Throne – DWM #475 – 476 (Reino Unido, 2014)
Roteiro: Scott Gray
Arte: David A Roach
Cores: James Offredi

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The Eye of Torment

estrelas 4

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Equipe: 12º Doutor, Clara
Espaço: Pollyanna, uma Nave Solar da 9ª Era
Tempo: Indeterminado

The Eye of Torment acontece para o Doutor e Clara após os eventos de Time Heist e já traz algumas características densas que pontuaram o relacionamento da dupla na 8ª Temporada de série (2014). Claro que isso não é posto como um conflito direto ou uma briga, mas na exploração da companion em um papel de difíceis decisões e “encarnando” o Doutor na forma de pensar e agir (como aconteceria em Flatline, pouco tempo depois).

Aqui, temos a primeiríssima aventura do 12º Doutor nos quadrinhos da DWM e, para colocar ainda mais tensão no leitor, Scott Gray segura a aparição do Time Lord até o último quadro da primeira edição. Até aquele momento, encontramos Clara e o restante da equipe da nave solar Pollyanna (o Doutor diria que é uma nave comum na “9ª Era”), que começava a perceber a ação de figuras negras e dentes como os de um tubarão, as Umbras, sobre a nave solar, alimentando-se da tristeza, das falhas e dos arrependimentos de cada tripulante.

É evidente aqui o plágio, ou melhor, a cópia a inspiração de Gray no livro Mortalha da Lamentação, de Tommy Donbavand, lançado um ano antes. Só o fato de haver criaturas que são uma mortalha negra e assumem o corpo da vítima após alimentar-se de suas memórias ruins já nos dá a certeza de onde veio a ideia geral do roteiro. De todo modo, a tal Umbra funciona muito bem nessa aventura.

E só para não perder mais uma, a relação dos vilões com o 12º Doutor nessa história é exatamente igual a relação do 11º Doutor (e Clara!) com as Mortalhas. [ok, prometo que não faço mais comparações… mas que é igual é.].

O irritante e ao mesmo tempo ótimo Rudy Zoom, empresário e “apoio moral” responsável pela expedição no Sol tem uma ótima participação, configurando uma batalha contra as Umbras que é até melhor do que a batalha final do Doutor contra elas. Mas o Senhor do Tempo jamais poderia seguir o mesmo caminho que o Sr. Zoom, por um motivo óbvio. Ele sabia muito bem o que era falhar, perder e sofrer, ou seja, era um combustível saboroso para as sugadoras de sentimentos negativos alheios.

Com um ótimo trabalho artístico de Martin Geraghty e coloração muito bem aplicada de James Offredi, The Eye of Torment serve como uma perfeita apresentação do 12º Doutor à Doctor Who Magazine. Em algumas páginas temos ações e diálogos que poderiam ser melhores… ou uns “personagens de isopor” mal utilizadas na história, mas tudo dentro do aceitável para haver uma opinião final positiva sobre a trama. Além da nossa concordância com a fala do Doutor, de que Clara estava pensando cada vez mais parecido como ele…

The Eye of Torment – DWM #477 – 480 (Reino Unido, 2014)
Roteiro: Scott Gray
Arte: Martin Geraghty
Arte-final: David A Roach
Cores: James Offredi

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.