Crítica | Doctor Who: The Masters of Luxor (Fan Film)

estrelas 3,5

Quando avaliamos um filme feito por fãs, é necessário ter um olhar extremamente carinhoso e bastante tolerante para com o produto em questão. O motivo? Bem, o motivo é porque produzir um filme, mesmo que de forma amadora e por menor que seja, dá um tremendo trabalho, gasto e empenho de toda a equipe envolvida, algo que pesa ainda mais quando não se tem muito dinheiro para investir na produção técnica e atores e atrizes que já estão no mercado a anos para trabalhar.

Filmes feito por fãs são, por excelência, o tipo de obra que se encaixa nessa situação de produção com falta de recursos. E por excelência, são as mais interessantes produções amadoras, porque trabalham com uma mitologia previamente erguida; investigam, ampliam ou questionam um Universo e, muitas vezes, trazem à tona coisas que jamais se trabalhou na fonte original. Quando se trata de Doctor Who, por exemplo, há um número grandioso de produções amadoras que se dedicam a tratar de situações com vilões e personagens que jamais foram vistos na Série Clássica ou Nova Série, um fator que enriquece bastante o universo expandido do show.

The Masters of Luxor, dirigido por Frank Smialek, é um desses casos em DW. O longa, que foi produzido no formato externo de um longo episódio feito para a TV – e nos moldes clássicos – é dividido em 4 partes e adapta o roteiro escrito por Anthony Coburn em 1963! Este seria, na verdade, o segundo arco da Série Clássica, no lugar de Os Daleks, mas por opção da produção, acabou sendo posto de lado e os robôs de Terry Nation ganharam a briga, chegando para fazer história.

A produção de The Masters of Luxor é excelente, levando em conta as condições financeiras e quesitos técnicos disponíveis para realizá-lo. O filme conta a história do 1º Doutor (Anthony Sarlo), Susan, Ian e Barbara em um dos satélites do Planeta Luxor, onde enfrentarão um inimigo denominado ‘Perfect One’. Já no início da obra, a TARDIS tem sua energia drenada e em seguida é aprisionada. Os viajantes no tempo encontram, então, uma realidade nada convidativa no edifício que vão explorar.

O conceito central aqui é o do cientista brincando de Deus, o que faz com que a ameaça não seja apenas a de um robô malvado em si, mas toda uma situação – o que de alguma forma faz do roteiro uma crítica aos benefícios e malefícios da ciência. Nas mãos de Frank Smialek, essa realidade ganha um visual notável (veja a perfeição da réplica do interior da TARDIS na foto de destaque), mas infelizmente sofre, e muito, com o elenco.

Particularmente não gosto muito desse roteiro de Anthony Coburn, mas entendo-o e sei contextualizá-lo no tempo em que foi escrito. Todavia, a adaptação poderia ficar ainda mais divertida se os atores tivessem mais experiência no que fazem, o que não é o caso. A maioria é realmente muito ruim, salvando-se algumas vezes a atriz que faz o papel de Susan; o Doutor de Anthony Sarlo; o ator que interpreta Tabon e, o maior destaque de todo o elenco, o ator que interpreta o ‘Perfect One’.

O filme levou cerca de 1 ano e 6 meses para ser completado, sendo finalizadas as duas primeiras e menores partes para depois o grosso da produção ganhar corpo. Como já dito anteriormente, avaliando a obra como um fan film, é impossível negar a ótima produção e direção da fita.

Sobre esse roteiro de Anthony Coburn, vale dizer em em 2012 (portanto, 10 anos depois desse filme), a Big Finish resolveu produzi-lo, enquadrando-o na série The Lost Stories. O leitor pode ler a crítica para o referido arco clicando aqui.

The Masters of Luxor – Parte 1

Doctor Who: The Masters of Luxor (Fan Film) – EUA, 2001 – 2002
Direção: Frank Smialek
Roteiro: Anthony Coburn
Elenco: Anthony Sarlo, Clyde Scott Goble, Stephanie Gloeckler, Matt Ellegood, Samantha Eaton,Kirk Jackosn, Frank Smialek
Duração: 94 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.