Crítica | Doctor Who: The Road to the Thirteenth Doctor #3: Tulpa

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Terceira e última edição da minissérie The Road to the Thirteenth Doctor, Tulpa é também a aventura mais fechadinha da trilogia, tanto na narração da história principal, com o Doutor e Bill, quanto na relação com a 13ª Doutora, na segunda parte, que se passa durante os eventos de World Enough and Time — quando o Doutor, Missy e Nardole acabam de descer para a base da nave, em busca de Bill. Considerando isso, faz muito sentido que esta edição tenha o nome de Tulpa e sua trama principal fale sobre luto e sobre sentir-se bem e estar próximo das pessoas que amamos, mesmo que elas não estejam mais entre nós. Isso nos dá a farta sensação de cumplicidade com o que estava acontecendo com o próprio 12º Doutor e sua companheira na quele momento, nos últimos dias de cada um deles em seus “velhos corpos”.

Tulpa é um conceito dentro do misticismo que fala sobre um corpo ou objeto criado apenas através de poderes mentais, vindo do ideal tibetano de “emanação” e “manifestação”. Tanto o conceito quanto a relação aqui explorada (que também pode acontecer na forma de um duplo, como em A Metade Negra) já apareceram em obras muito diferentes sobre representação mental/cósmica de um Ser, vide, por exemplo, Twin Peaks – The Return ou, nos próprios quadrinhos, As Origens de Druuna: Anima. Em resumo, não é o tipo de conceito fácil de se representar, mas James Peaty faz um bom trabalho com isso, pegando elementos narrativos emprestados de aventuras desse Doutor ao lado de Bill (só para ser mais específico, porque, obviamente, existem inúmeras referências à Era Clara), como The Pyramid at the End of the WorldThe Lie of the LandThe Eaters of Light.

A simplicidade do roteiro, assim como nas edições anteriores, continua. O Doutor e sua companion são colocados no meio de uma emergência e se encarregam de salvar o dia. Aqui, porém, o clima é um pouquinho mais exigente em suas exposições, com ações que se espalham por distintas dimensões e tempos, além de um conceito pessoal/sentimental que acrescenta um tom fofo de ciclo completo na vida do jovem solitário, ao fim da edição. O que emperra bastante aqui é a inclusão da UNIT, porque o texto não aproveita bem a instituição. Kate é uma grande personagem, claro, mas ela também parece solta aqui, estando apenas como convidada ilustre, sem real importância para a história. Na outra ponta, também incomoda a virada do jogo, quando o Doutor e Bill conseguem identificar o problema e tentam fazer com que o hospedeiro das Tulpas entenda o que ele estava causando à Terra.

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Quanto a segunda parte, suficiente dizer que é impossível não aproveitar e se divertir com Missy. No plano técnico, pela primeira vez, a arte das duas partes da revista (Brian Williamson e Rachael Stott) chama a atenção pela sua grande qualidade, e devo dizer que a narrativa principal ganha muito de sua relação com o leitor por conta do trabalho de Williamson, que ainda traz uma diagramação aplaudível, encaixando-se bem ao ritmo de diálogo e correrias do Doutor e Bill. Agora que o trajeto foi encerrado, a Titan Comics tem o tapete estendido para receber a 13ª Doutora. Não fica claro qual é o motivo dessa tentativa de contato entre ela e suas encarnações 10, 11 e 12, mas uma noção de interação entre as partes já é sugerida aqui. A Doutora precisa de ajuda. Sua série mensal, com início em outubro de 2018, começará a trazer as respostas.

Doctor Who: The Road To The Thirteenth Doctor #3: Tulpa
Publicação original: Titan Comics (EUA, Reino Unido, 12 de setembro de 2018)
Roteiro: 
James Peaty, Jody Houser
Arte: Brian Williamson, Rachael Stott
Cores: Dijjo Lima, Enrica Eren Angiolini
Capas: Robert Hack, Will Brooks, Ariana Florean
Letras: Jimmy Betancourt, Richard Starkings
Editoria: Andrew James, Jessica Burton
32 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.