Crítica | Doctor Who: The Time of The Doctor

estrelas 4,5

Antes de ler esta crítica, por favor, assista ao episódio! Evitei ao máximo o número de spoilers, mas essa é uma experiência que vale a pena se ter completamente “no escuro”. Já se você assistiu, ou não e vai ler mesmo assim, por favor, continue.

Já era claro desde o início que esse seria um episódio muito emocional. Nunca é fácil ver uma regeneração do Doutor, ainda mais quando acompanhamos Matt Smith desde 2010. O que vemos em The Time of The Doctor é uma oscilação muito bem encadeada entre alegria, melancolia e nostalgia.

O episódio inicia similarmente a The End of Time, com uma narração em off de Tasha Lem que nos coloca a par dos eventos que irão progredir no especial. Ela fala de uma mensagem emitida a todos os cantos do universo – uma mensagem que ninguém consegue decifrar, mas que provoca um grande temor, exceto a um homem. É fácil adivinhar quem. O sinal é proveniente de um planeta e logo diversas raças se agrupam à sua volta, sem ousar entrar.

Encontramos, então, o Doutor. Em uma nave desconhecida (porém com características facilmente identificáveis) ele abana o visor de um Dalek como “prova de sua coragem”. A nave também fica fácil de adivinhar de qual raça pertence. Prontamente, o Doutor é teleportado de volta à Tardis e lá descobrimos que conta com a ajuda de uma cabeça de Cyberman, carinhosamente apelidado de Handles.

Como prometido não irei narrar aqui os acontecimentos do episódio inteiro, mas preciso chegar na trama principal. Após se reencontrar com Clara, o Doutor é chamado por Tasha Lem (nossa narradora) para sua nave e tão logo descobrimos que ela é a Mãe Superiora do Papal Mainframe, basicamente uma Igreja do espaço que toma para si o dever de manter a paz (não muito bem, por sinal). Pessoalmente eu preferiria ter visto a Shadow Proclamation no lugar da tal Igreja – faria mais sentido dentro do universo da série e seria uma boa conexão com os tempos do e 10º Doutores.

Tasha Lem, então explica ao Doutor o que já sabíamos sobre o sinal e ainda mais, ao mesmo tempo que Clara fica cara a cara com um assustador inimigo do Time-Lord. Obviamente o Doutor desce ao planeta e se vê em uma cidade chamada Christmas Town. Na igreja desta cidade se encontra uma rachadura familiar de onde é emitido o tal sinal, que nada mais é que uma pergunta. Temos aí um vínculo com a 7ª Temporada e seu último episódio, The Name of The Doctor. Isso é mais que uma referência, ao ponto que se desenvolve em outros acontecimentos ao longo da trama. É a prova que estamos assistindo o terceiro capítulo de um arco (o que já era óbvio pelo título).

O que se sucede é uma série de momentos dramáticos com o ataque das raças alienígenas à Christmas Town, enquanto o Doutor a protege ao longo dos anos. Vemos, com isso, o triste envelhecimento do Doutor que, ao mesmo tempo que mantém sua personalidade excêntrica e animada, se torna mais melancólico. Devo tecer elogios nesse ponto ao trabalho de maquiagem e à atuação de Matt Smith, que deu veracidade ao passar dos anos.

A nossa pergunta sai da boca de Clara: por que o Doutor não regenerou? E, como era esperado, ele revela que está no limite de suas regenerações, explicando a sua companheira sobre o War Doctor e a vez que o 10 se regenerou, mantendo a mesma aparência (gerando o Meta-crise). Desse ponto em diante, o episódio se sustenta através do suspense de como veremos Peter Capaldi.

A saída escolhida é interessante, mas poderia ter sido feita com mais suspense. Em certo ponto fica óbvio o que irá acontecer. A maneira como a energia regenerativa foi usada também soou como uma medida fácil para se resolver o problema na tela, o que poderia ter sido realizada mais criativamente, quem sabe deixando um outro gigantesco cliffhanger para a temporada que vem a seguir.

Nos momentos finais do episódio temos, é claro, um potencial oceano de lágrimas e, se você tentar resistir, Moffat preparou um golpe baixo, repleto de nostalgia, trazendo uma querida personagem de volta para uma breve aparição. A história do 11º Doutor se encerra magnificamente de maneira bastante circular. Sua mudança para o 12º, vivido por Peter Capaldi é simplesmente fantástica (como diria nosso nono amigo) e a maneira como é realizada é explosiva, inesperada e ajuda a tirar aquela tristeza da regeneração.

Se o especial tem um defeito é o seu multi-plot. As diversas subtramas inseridas acabam por dificultar a narrativa do episódio. O oscilar entre o animado e o triste, contudo, é muito bem-vindo – como é de costume na série. Um grande ponto positivo, contudo, é a volta da música All The Strange, Strange Creatures, em um rearranjo que se encaixa perfeitamente na trama.

The Time of The Doctor é uma boa despedida para o 11º e uma genial abertura da era Capaldi. Apesar de alguns problemas de narrativa esse não deixa de ser um ótimo episódio do arco iniciado em The Name of The Doctor. Prepare-se para lágrimas, por mais durão que você possa ser e controle sua ansiedade, pois o final nos deixa na necessidade da próxima temporada. Raggedy Man, good night.

Doctor Who – The Time of the Doctor (UK, 2013)
Showrunner: Steven Moffat
Roteiro: Steven Moffat
Direção: Jamie Payne
Elenco: Matt Smith, Jenna Coleman, Peter Capaldi, Karen Gillan, Orla Brady.
Duração: 60 min

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.