Crítica | Doctor Who: Uma Questão de Vida e Morte

estrelas 4

SPOILERS!

Equipe: 8º Doutor, Josie Day
Espaço: Wales / Lumin’s World / Edinburgh / Briarwood House / Bakri Resurrection Barge e Wales
Tempo: Indeterminado / Indeterminado / 1866 / 12 de Abril de 1932 / Fevereiro

Parte de um momento delicado e sofrido da vida do 8º Doutor, mais próximo de sua regeneração e cada vez mais raivoso e impaciente com qualquer tipo de guerra, essa minissérie da Titan Comics traz um pouco de alegria para o atormentado Time Lord, colocando a jovem Josie Day em seu caminho.

A minissérie não segue padrão “simples” de uma saga com eventos organizados cronologicamente e um único problema inicial que demanda tempo para ser resolvido. Cada uma das cinco partes narra uma história diferente, mas todas elas estão conectadas. A última dá sentido à primeira e nela vemos explicados alguns mistérios da quarta parte, o que torna o roteiro de George Mann um ciclo inteligente e prazeroso de se acompanhar. Mas não se engane: a coisa fica realmente boa quando terminamos toda a leitura. O meio da minissérie não é exatamente um primor de roteiro…

O 8º Doutor e suas entradas cheias de charme.

O 8º Doutor e suas entradas cheias de charme.

Em The Pictures of Josephine Day, o Doutor vai para sua casa em Wales (ao que parece, ele manteve em seu nome a casa para a qual se mudara logo depois de The Daemons, na época do seu exílio) em busca de uma edição de Jane Eyre e encontra Josie ocupando o lugar como se fosse seu ateliê. O encontro entre os dois é doce e a recepção nos parece aceitável demais por parte da garota, mas isto é algo que fica claro na última parte da minissérie. A partir do primeiro encontro, surge uma cadeia de eventos que se o leitor tiver atenção, verá ganhar fôlego e justificativas com o passar das revistas. Mesmo que durante as aventuras haja alguns problemas no roteiro, toda a saga de Uma Questão de Vida e Morte é no mínimo aceitável e se fecha muito bem.

Após nos familiarizarmos com o Doutor ao lado de Josie e engolirmos a seco a resolução um pouco boba das pinturas vivas, temos uma pergunta que pode se perder em meio aos diálogos e desfecho dessa primeira luta. O Doutor deixa claro que não entende por quê Josie possuía partículas Animae em grande quantidade. Isso talvez se mostre apenas como uma dúvida sem nexo para o leitor desavisado, mas acredite, não é. Olhando para esse modelo de ligação das pistas através das edições, fica fácil gostar e perdoar os deslizes do trabalho de George Mann, porque ele fará quase tudo — pelo menos todas as partes importantes — ser amarrado e um único motivo dramático.

A arte de Emma Vieceli nos impressiona positivamente a partir do momento em que as pinturas ganham vida, no primeiro volume, mas é no segundo, intitulado Music of the Spherions, que veremos a elegância de seu traço quase solto, com finalização de forte linha negra e expressões não exatamente iguais às de Paul McGann, mas que fazem aquilo que toda arte de HQs para pessoas reais deveria fazer, capturar a essência do ator/atriz/personagem e passá-la para o papel; não um retrato, mas uma representação que podemos aceitar como sendo desta pessoa (a mesma coisa podemos dizer do trabalho de Dave Gibbons para o 4º Doutor na DWM). Quanto mais complexa a cena, mais interessante parecem os traços da artista, tanto para os personagens quanto para o cenário.

doctor who

The SilveringBriarwood são as partes mais fracas da minissérie. Na primeira, fazemos uma visita a um teatro de  Edinburgh, em 1866 e vemos a ação de um mágico incomum que aprisionava uma versão das pessoas do outro lado de seu espelho. Das cinco histórias, esta é a que mais dificuldade temos de ligar ao montante, dada a sua pouca força de acontecimentos (mais fechados e bizarros) e quase nenhum impacto na revelação final, uma vez que a explicação dada por Lady Josephine resolve tudo o que esta parte quis mostrar. Já em Briarwood, mesmo sendo uma trama mais fraca que a primeira e quinta partes, se mostra bem melhor que The Silvering, tanto que nem cobramos uma maior interação entre este Universo e o que vemos no Bakri Resurrection Barge, com o desfecho da saga, cujo título é A Matter of Life and Death.

A participação “às escondidas” e depois a presença em pessoa do 12º Doutor e Clara só melhora a reta final, que mantém Josie como companion do 8º Doutor, agora com todos os segredos revelados. Uma Questão de Vida e Morte é uma aventura de busca de identidade e firmação de personalidade através do tempo e espaço. A lição de moral que recebemos no confronto entre humanos e humanoides sintéticos é para fazer pensar por um bom tempo e daí surge o estabelecimento de Josie como uma das mais interessantes (e literalmente artística) companions do 8º Doutor. Que venham mais aventuras dessa dupla!

Doctor Who – o 8º Doutor: Uma Questão de Vida e Morte (A Matter of Life and Death) — EUA, 2015 – 2016
Editora:
 Titan Comics
Roteiro: George Mann
Arte: Emma Vieceli
Cores: Hi-Fi
Letras: Richard Starkings, Jimmy Betancourt
Capas: Alice Zhang, Rachael Stott, Luis Guerrero
5 edições de 25 páginas cada uma

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.