Crítica | Doctor Who – Vol. 1: Fugitive

estrelas 2

Equipe: 10º Doutor, Matthew Finnegan, Emily Winter / Brarshak, Kraden, Stomm
Espaço-tempo: Hollywood, junho de 1926 / Proclamação das Sombras, tempo indeterminado

O encadernado Fugitive, que reúne os seis primeiros números da série da IDW, de 2009, com o 10º Doutor, é um típico exemplo de excelente ideia executada pela metade. Na verdade, tudo relacionado com o título da compilação – “Fugitivo” – empalidece diante do que vem logo antes e que funciona como razão de ser para a narrativa principal.

E essa grande ideia é bem simples: o roteirista Tony Lee, que co-escreveu o início do crossover entre Doctor Who e Star Trek, dessa vez coloca o Doutor em plena Hollywood dos anos 20, um verdadeiro celeiro para um caminhão de referências cinematográficas para fazer qualquer cinéfilo sorrir de orelha a orelha. Assim, os dois primeiros números da compilação, batizados de Silver Scream, nos apresentam o 10º Doutor, sozinho, honrando um dos últimos desejos de Donna Noble antes de ter sua memória apagada, que era visitar um set de filmagens de filmes mudos.

Mas é claro que, ao chegar, o Doutor detecta uma anomalia temporal que envolve determinado estúdio em Hollywood, somente para ele descobrir que testes de atores e atrizes aspirantes são usados como cobertura para dois Terronitas absorverem a jovialidade e esperança dos jovens por meio de uma máquina típica de filmes de monstro.

A história em si é boba, apenas uma desculpa para Lee se divertir – e nos divertir – citando os Keystone Cops, usando Buster Keaton em uma ponta, mencionando Harold Lloyd e repetindo diversas cenas clichês de filmes mudos, como a parede da casa que cai bem com a janela em cima dos protagonistas, que saem inteirinhos da experiência; a vítima amarrada no trilho do trem pelo vilão; o malabarismo na torre do relógio e outras. Até mesmo um “concorrente” de Charles Chaplin, chamado Archie Maplin, funciona como coadjuvante do Doutor. Como curiosidade, o nome Archie Maplin foi usado pois a IDW não conseguiu desembaraçar os direitos para usar o nome e imagem de Charles Chaplin, ainda que Maplin seja uma cópia exata do saudoso ator, com direito a bigode, chapéu coco e bengala.

Mas encerrado essa curta e divertida narrativa que tem como maior defeito os terríveis desenhos de Al Davison, com rostos disformes e desproporções corporais, Tony Lee inicia o arco “Fugitivo” propriamente dito. O que o Doutor faz em Hollywood acaba levando-o para um julgamento pela Shadow Proclamation envolvendo um antigo inimigo seu – e agora advogado da “promotoria” – Mr. Finch, um Krillitane. A acusação é que o Doutor teria interferido em um ponto fixo no tempo durante sua aventura em Hollywood.

Apesar da temática ser interessante – deve ou não o Doutor interferir com a vida de pessoas, raças e planetas? – a execução é forçada demais, com cansativas reviravoltas que estão lá unicamente para acrescentar páginas à cada número. Saem as tiradas inteligentes com a Hollywood dos anos 20, entram ligações obscuras com o passado remoto do Doutor que podem talvez agradar aos whovians mais ferrenhos, mas que, em linhas gerais, têm o efeito contrário de alienar aqueles que não são tão afeitos assim à mitologia remota do último Time Lord.

Mas, independente dessas referências, a narrativa é genérica demais. Traição aqui, outra traição acolá e o Doutor sempre fazendo suas piadinhas histriônicas. Talvez tudo tivesse sido diferente se o arco “Fugitivo” não percorresse quatro números do encadernado, o que acaba esgarçando demais qualquer força que a história tivesse. A arte, porém, melhor um pouco, pois passa para os mais hábeis pincéis de Matthew Dow Smith, ainda que ele não se esmere nos detalhes e na composição dos quadros.

Esse primeiro volume deixa as portas abertas para o segundo, com um grande mistério ainda a ser resolvido. Resta saber se Tony Lee conseguirá tornar a história verdadeiramente interessante do começo ao fim.

Doctor Who – Vol. 1: Fugitive (Doctor Who # 1 a 6 – EUA)
Roteiro: Tony Lee
Arte: Al Davison (# 1 e 2), Matthew Dow Smith (# 3, 4, 5 e 6)
Editora nos EUA: IDW Publishing (julho a dezembro de 2009; encadernado em março de 2010)
Editora no Brasil: ainda não publicado
Páginas: 175

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.