Crítica | Doctor Who – Vol. 2: Tesseract

DW - Tesseract imagem destacada

estrelas 4

Equipe: 10º Doutor, Emily Winter, Matthew Finnegan, Martha Jones
Espaço-tempo: TARDIS / Nave Acari / 5ª Dimensão Espacial, tempo indeterminado / Greenwich, 2009

O segundo volume sobre o 10º Doutor da IDW consegue dar um enorme salto de qualidade narrativa e gráfica em relação ao primeiro. De certa forma, há uma exata inversão da razão entre partes ruins e partes boas. Agora, é a história inicial (de dois números) – Tesseract – que é mais fraca, cambaleante, enquanto que a segunda história, Don’t Step on Grass, composta de quatro números, consegue trazer uma excelente ameaça ao Doutor e à Terra como um todo em um arco narrativo digno de um ou dois episódios pelo showrunner Russel T. Davies.

Em Tesseract, já começamos com o Doutor em seu guarda roupa da TARDIS fazendo uma homenagem à todas as suas encarnações anteriores e tentando achar roupas mais adequadas para seu mais novos companions, Emily Winter e Matthew Finnegan, que vieram com ele a partir da aventura do primeiro volume. Enquanto que Matthew se mostra relutante em aceitar facilmente o Doutor, Emily abraça a aventura completamente, vestindo uma roupa que poderia muito bem ter saído de um seriado de Flash Gordon.

O roteirista, Tony Lee, responsável também pela aventura anterior, continua seu enorme arco, logo fazendo com que uma força de Acari invada a TARDIS. A partir daí, os três heróis se dividem e nós, leitores, somos brindados com um interessante, mas às vezes confuso, passeio pela nave do Doutor que, como sabemos, é maior – MUITO maior – por dentro do que por fora. Mas Lee, que manteve o segredo sobre o vilão até o finalzinho do primeiro volume, não enrola e nos mostra logo que SPOILERS SPOILERS, The Advocate está por trás de tudo mais uma vez e que ela tem um plano de longo prazo para infernizar a vida do Doutor.

Parte desse plano é recuperar um objeto, o Tesseract (que poderia muito bem se chamar MacGuffin) e aliciar Matthew, que parece ser o mais fraco e inseguro dos dois companions. O problema todo é que a sucessão de quadros por Al Davison acaba criando uma certa confusão na narrativa e ele não recebe ajuda alguma de Tony Lee, que carrega pesadamente nos diálogos. De toda forma, como são apenas dois números, a aventura é basicamente indolor e funciona como um razoavelmente interessante preparativo para a aventura seguinte, de escala muito maior.

Em Don’t Step on the Grass, o Doutor é chamado por Martha Jones para ajudar a U.N.I.T. com um problema, digamos, arbóreo em Greenwich. Misturando lendas envolvendo o matemático e astrônomo John Dee, do século XVII, com extraterrestres há muito presos aqui na Terra (e bem embaixo do observatório de Greenwich!), Tony Lee consegue montar uma narrativa engajante assim que ele se livra dos diálogos preparatórios contidos todos eles no primeiro número. Estabelecida as ameaças diretas – seres incorpóreos que tomam a formam de anjos de metal em estilo steampunk – e a ameaça indireta, a sempre presente The Advocate, a história passa a ser recheada de ação, dilemas bélicos (a U.N.I.T. quer por que quer explodir tudo, como toda boa instituição militar), traições e mudanças de aliança.

Os anjos em si, desenhados por Blair Shedd, são belos e ameaçadores (sempre são no universo whoviano, não?) e toda a arte sofre uma salutar mudança, que permeia o volume até o final. Agora, os traços são mais firmes, com cores em computador de Charlie Kirchoff, emprestando uma aura enganosamente infantil à arte, mas que estranhamente combina muito bem tanto com os ameaçadores anjos quanto com as árvores que tomam vida e passam a literalmente esmagar e comer pessoas (Ents do mal, como o Doutor não perde tempo em classificar).

Com isso, a história diverte, prende a atenção e mistura muita mitologia do Doutor, tanto nova quanto antiga de maneira eficiente, sem que a narrativa sofra com isso. Tesseract é um volume “do meio” que finalmente mostra o 10º Doutor da maneira que Davies colocou nas telinhas. Uma diversão só.

Doctor Who – Vol. 2: Tesseract (Doctor Who # 7 a 12 – EUA)
Roteiro: Tony Lee
Arte: Al Davison (# 7 e 8), Blair Shedd (# 9 a 12)
Editora nos EUA: IDW Publishing (janeiro a junho de 2010; encadernado em outubro de 2010)
Editora no Brasil: ainda não publicado
Páginas: 174

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.