Crítica | Doctor Who – Vol. 3: Final Sacrifice

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estrelas 3,5

Equipe: 10º Doutor, Matthew Finnegan, Emily Winter
Espaço-tempo: Oxford, 1906 / Hollywood, junho de 1926 / Planeta não nomeado, c. 21 906

Final Sacrifice (“Sacrifício Final”), como o título fatalista deixa a entrever, encerra a carreira do 10º Doutor pela IDW e acaba, também, com o gigantesco arco narrativo iniciado no primeiro volume – Fugitive – e que continua em Tesseract. Visto em seu conjunto, o trabalho de Tony Lee, que escreveu todos os 16 números (seis no primeiro volume, seis no segundo e apenas quatro no último), forma uma grandiosa aventura do 10º Doutor, cheia de viagens no tempo, paradoxos temporais, inimigos novos, companheiros novos, referências à Série Clàssica, à Série Nova e outros wibbly-wobblies.

Mas talvez a maneira mais agradável de se apreciar o roteiro de Lee é ler os volumes em seguida, sem muito intervalo entre um e outro, pois sua obra foi efetivamente pensada como um grande todo e as referências internas são incessantes e podem confundir o leitor menos atento. Eu mesmo, que li tudo quase de uma vez só, tive que voltar páginas diversas vezes para entender o que estava acontecendo, especialmente no terceiro volume que é capaz de induzir dores de cabeça aos mais sensíveis a isso.

Quando vimos o Doutor e seus companions Emily Winter e Matthew Finnegan pela última vez, Emily continuava fielmente ao lado do Time Lord, ao passo que Matthew havia se bandeado para o lado da The Advocate, ludibriado pelo “canto da sereia” dela. Se existe um grande buraco narrativo no que Lee fez foi deixar um acontecimento descrito em seu resumo inicial e não nos quadrinhos em si: semanas depois dos eventos de Tesseract, o Doutor e Emily teriam se encontrado com Barnaby em um asilo que teria dado a eles um envelope de uma futura encarnação do Doutor avisando sobre o terrível destino de Matthew.

Isso, estranhamente, acontece longe dos quadrinhos – pelo menos dessa série encadernada – e, se esse evento fosse um pouco mais importante, acho que eu teria parado de ler nesse exato momento. Mas Lee é suficientemente inteligente para quase não citar essa situação dali em diante e já nos coloca na Universidade de Oxford, em 1906, com um experimento de viagem no tempo de Torchwood capitaneado por Robert Lewis (que detesta aliens, incluindo o Doutor), sua colega Eliza Cooper, o Professor Alexander Hugh e sua assistente Annabella Primavera. Claro que dá tudo errado na viagem e, em um futuro distante e em outro planeta (isso por que a viagem seria apenas de uma hora no futuro, no mesmo lugar…), eles dão de cara em um Doutor irritado com a incompetência deles, mas muito mais preocupado em resolver uma guerra milenar entre duas facções, os Terror Farmers e os Soul Free, em um planeta no meio do nada.

Mas é claro que o Doutor e Emily não estão lá à toa e querem mesmo é encontrar Matthew e finalmente derrotar The Advocate, cujo intricadíssimo plano, no final das contas, não é tão intrincado assim. Mesmo assim, The Advocate se mostra uma importante nova inimiga para o Doutor, já que seu objetivo não só é destruir tudo, mas, no processo, fazer o Doutor sofrer o máximo possível. Suas razões para isso envolvem muita viagem no tempo, desencarnação, observação das ações do Doutor por milênios, reencarnação e estabelecimento de uma vingança que necessariamente passa pelos companions do Doutor. De quem é o “sacrifício final”? Bem, isso só lendo a história, pois não estou aqui para dar spoilers gigantescos, mas posso garantir que há mesmo sacrifício(s) e um interessantíssimo e intrigante twist no final.

A condução da narrativa por Lee, apesar da complexidade da trama, é clara e não confunde o leitor atento e que tenha paciência (afinal, tramas com viagem no tempo não são fáceis de digerir). Desde o início sabemos que algo irremediavelmente sério acontecerá ao final e até temos uma boa ideia do que é, mas, mesmo assim, ele consegue manter o interesse pela história, especialmente ao tratar da beligerância de Robert e do mistério envolvendo as duas facções em guerra, além de trazer um final redondinho que literalmente acaba onde começa.

Assim como aconteceu no segundo volume, essa narrativa daria uma boa dupla de episódios da série de TV, pelas mãos de Russel T. Davies e talvez essa seja a maior qualidade do trabalho de Tony Lee: ele nos dá algo que os whovians conseguem facilmente se identificar. Leitores não afeitos ao estilo do 10º Doutor, porém, terão naturalmente mais dificuldade de criar empatia pelos personagens, especialmente pelo próprio Doutor, que está mais verborrágico do que nunca.

Terminando satisfatoriamente suas publicações com o 10º Doutor, a IDW encerra um sólido ciclo que permite a entrada do 11º Doutor no seu meio editorial. Mas claro, isso fica para outra crítica!

Doctor Who – Vol. 3: Final Sacrifice (Doctor Who # 13 a 16 – EUA)
Roteiro: Tony Lee
Arte: Matthew Dow Smith
Editora nos EUA: IDW Publishing (julho a outubro de 2010; encadernado em dezembro de 2010)
Editora no Brasil: ainda não publicado
Páginas: 157

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.