Crítica | Doctor Who Webcast: Shada (2003)

estrelas 3

Shada foi lançado em forma de webcast pela BBC entre maio de junho de 2003. A produção foi uma parceria da emissora com a Big Finish, que já havia gravado um audiodrama baseado no roteiro de Douglas Adams (e com modificações estratégicas feitas por Gary Russell). A proposta era a seguinte: a Big Finish seguraria o lançamento do áudio em CD até o final do ano e cederia o material para servir de base à animação da BBC. Com efeito, o áudio só foi comercializado em dezembro de 2003. Para os que ainda estão estão em dúvida, vamos ressaltar: o áudio que ouvimos no webcast é exatamente o mesmo do audiodrama da BF lançado em dezembro de 2003.

Por serem produções realizadas por empresas diferentes, é claro que existe grande diferença de qualidade entre o áudio e a animação dessa versão de Shada. Quem sai ganhando na avaliação, obviamente, é a Big Finish. Estrelando Paul McGann e Lalla Ward como protagonistas da história, a produtora fez um ótimo trabalho de contextualização para a intrigante saga do Doutor contra Sakagra, um enredo inicialmente pensado para terminar a 17ª Temporada da Série Clássica mas que teve apenas metade de sua produção concluída devido a uma greve na BBC.

O início do áudio traz um prólogo de Gary Russell que recebeu críticas severas de fãs pelo universo whovian afora. Particularmente não vejo mal algum em levar em conta o cânone e tomar o ponto de partida da animação com Romana II já como Presidente do Alto Conselho de Gallifrey e auxiliada por K-9 Mark II. Vejo isso como uma forma de Russell respeitar a aventura do 4º Doutor e fazer, ao invés de uma outra aventura ou uma simples adaptação com um outro Doutor no papel, uma viagem ao passado, para, literalmente, viver de novo algo que ele já havia vivido em outro corpo.

Os efeitos sonoros e a atuação do elenco são ótimos, algo que é quase uma redundância em se falar da Big Finish, mesmo que à época do lançamento de Shada ela ainda estivesse em seus primeiros anos de produção com material de Doctor Who. Se estivesse avaliando o áudio em separado, teríamos uma nota de 4 estrelas. Mas no caso da inserção da animação feita BBC, a coisa muda de figura e torna-se um webcast medíocre, situação não muito diversa de algumas animações produzidas pela BBC para a série.

Existem problemas de todas as ordens técnicas nessa versão animada de Shada, desde o uso inadvertido de fade-outs até a horrenda movimentação das personagens em cena; a mudança de quadro para quadro e (pasme!) o incômodo atraso de sincronia do áudio com a imagem. A produção só ganha pontos na concepção estética de alguns cenários e nas belas cores utilizadas, contextos que são importantes mas que vão perdendo sua qualidade própria devido à má utilização do restante dos elementos em cena.

Os melhores desenhos são os da Nave de Sakagra e também de sua base de operações; a concepção para Shada, que no arco de TV era bastante diferente (bem, talvez porque tenhamos visto só uma parte do asteroide/planetoide); o Think Tank e a TARDIS do professor Chronotis, uma verdadeira bagunça de livros mas que se mostra um lugar tremendamente convidativo, uma casa-nave que nos dá vontade de morar lá também.

Mas a despeito de todos os tropeços, o webcast Shada não é assim algo tão indispensável quanto parece. Há algumas resoluções aqui que são melhor trabalhadas em relação às filmagens do Arco #108 e isso torna a história ainda mais interessante. Além disso, o roteiro apresenta uma questão importante no que se refere à timeline do Doutor e sua relação com os eventos passado. Aqui, depois de sonhar com o professor Chronotis, o 8º Doutor vai pedir ajuda para a Presidente Romana afim de investigar o que de fato aconteceu e sabemos que os eventos dessa aventura só são possíveis porque as ações com o 4º Doutor se perderam em uma timeline divergente. Portanto, em termos canônicos, as duas aventuras são perfeitamente possíveis e aceitáveis.

Mesmo sendo algo criado para justificar a adaptação para o áudio, as mudanças de Gary Russell no início da aventura funcionam bem, assim como o restante de suas incursões textuais. Mas é de se lamentar que a imagem e toda a produção do webcast, sob tutela da BBC, não tenham um bom papel na fixação da animação como uma aventura inesquecível. Todos os méritos, portanto, ficam com a Big Finish.

Doctor Who Webcast: Shada (Reino Unido, 2003)
Direção: Nicholas Pegg
Roteiro: Douglas Adams (com prólogo e pequenas mudanças de Gary Russell).
Elenco: Paul McGann, Lalla Ward, John Leeson, James Fox, Andrew Sachs, Sean Biggerstaff, Susannah Harker, Melvyn Hayes, Hannah Gordon, Barnaby Edwards, Stuart Crossman
Duração: 140 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.