Crítica | Dominação (2017)

Dominação

estrelas 2

Dominação é um filme desperdiçado. Não que a trama seja ruim em sua totalidade, mas a ideia premissa interessante desenvolve-se de uma maneira muito irregular. Dirigida por Brad Peyton, o mesmo do relativamente recente Terremoto: A Falha de San Andreas, outra produção que não disse quase nada em termos cinematográficos.

O roteiro assinado por Ronnie Christensen toma para si algumas ideias que deram muito certo em A Origem, Matrix, Possuídos e claro, O Exorcista, filme que pode ser considerado o precursor deste subgênero de pessoas possuídas pelas forças do mal. Em Dominação, tão irregular quanto o seu homônimo de 2000, acompanhamos a rotina de Dr. Seth Ember (Aaron Eckhart), um exorcista não convencional, cujo método de atuação é entrar no inconsciente dos seus pacientes e tentar alguma forma de exorcizá-los.

Durante a trama somos inicialmente apresentados aos casos que Ember resolveu, uma espécie de apresentação dos “poderes” deste herói pós-moderno, para mais adiante, adentramos no caso principal: um garoto de nove anos possuído por uma entidade que transfere-se de corpo apenas pelo toque. Tal manifestação maligna, anteriormente uma tormenta na vida de Ember, retorna para confrontá-lo.

Em seus 88 minutos o filme apresenta algumas questões interessantes, mas infelizmente naufraga diante da irregularidade do roteiro, um material literário repleto de diálogos vagos, estranhos, abusivamente comprometedores do ponto de vista da dramaturgia, bem como atores de boa qualidade aparentemente perdidos diante de uma direção ineficaz. Os problemas também invadem a seara técnica, pois a direção de fotografia prejudica bastante a iluminação e, por sua vez, a nossa observação dos acontecimentos.

Há tantas cenas para deflagrar os problemas narrativos em Dominação que transformaríamos a sua análise em uma tese de doutorado tranquilamente, com material de sobra para análise. No entanto, um dos defeitos mais notáveis é a cena de expulsão demoníaca, que por sinal, recebe o nome de despejo por parte de Ember, não exorcismo, palavra que ele abnega. Durante a luta com o mal, ele insere um crucifixo pela boca de um personagem possuído, tendo em mira acabar com o horror que ronda o cotidiano do garotinho possuído. Uma pergunta, no entanto, surge logo de cara: ele não diz o tempo inteiro que o seu processo não tem religião específica envolvida?

A aproximação entre psicologia e exorcismo prometia uma trama cheia de potencial narrativo, mas que fica apenas no meio termo, mais para o “meio” do que para o “termo”, configurando-se como outra produção do subgênero “filme de exorcismo” que não trouxe relevância para a temática, atualmente em alta com os relançamentos do romance O Exorcista, da série televisiva encerrada recentemente e do interesse do público pelo assunto.

Dominação (Incarnate) – EUA /2016
Direção: Brad Peyton
Roteiro: Ronnie Christensen
Elenco: Aaron Eckhart, Breanne Hill, Carice van Houten, Catalina Sandino Moreno, David Mazouz, Emily Jackson, Emjay Anthony, Karolina Wydra, Keir O’Donnell, Mark Henry, Mark Steger, Matt Nable, Petra Sprecher, Seaonna Chanadet, Tomas Arana
Duração: 88 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.