Crítica | Doutor Estranho: Prelúdio do Filme

estrelas 2

Obs.: Leia nossa crítica sem spoilers do filme bem aqui.

Assim como os filmes anteriores do Universo Cinematográfico Marvel, Doutor Estranho também ganha seu prelúdio em quadrinhos. Como naqueles que o antecederam, somos oferecidos aqui um olhar sobre os personagens e locais que vemos no filme, estabelecendo esse lado da mitologia do estúdio para que já estejamos familiarizados com ele quando assistirmos o longa-metragem. Apesar de ser uma mera introdução, contudo, não podemos deixar de sentir como se tudo não passasse de um grande filler, visto que pouco influencia na narrativa que vemos na obra cinematográfica. Vendo por esse lado, o prelúdio funciona quase que para saciar a ansiedade daqueles que não querem esperar pelo filme e, é claro, como mera estratégia marqueteira da Marvel.

Composto por duas edições, os quadrinhos nos trazem duas histórias distintas. A primeira nos introduz a Kaecilius (o vilão vivido por Mads Mikkelsen no longa) e Wong (um dos mestres das artes místicas, interpretado por Benedict Wong). A trama gira em torno do roubo de um artefato mágico de grande poder por uma maga desconhecida. Após falhar em obter o objeto de volta, Wong deve recorrer aos seus colegas feiticeiros a fim de salvar a humanidade de um possível desastre.

Desde já observamos o orgulho de Kaecilius, que o levaria para o mau-caminho, ele evidentemente se considera acima dos outros e a forma como encara o poder deixa claro sua posterior queda, algo que não chegamos a ver aqui. Mais que isso, porém, essa primeira edição não nos acrescenta em muita coisa. Evidente que aprendemos como a magia funciona nesse universo, mas de maneira muito superficial, nada que, de fato, estrague esse lado “origem” do longa-metragem. Dito isso, a arte não ajuda na representação das feitiçarias, visto que o traço de Jorge Fornés prejudica nosso entendimento de alguns painéis, tornando tudo uma grande bagunça. Além disso, ele utiliza círculos vermelhos em determinados momentos, o que definitivamente só causa estranhamento no leitor – é claro que ele representa o uso de magia através deles, mas são desnecessários, ele poderia ter se limitado aos traços amarelos para desenhar o místico.

O segundo número, por sua vez, nos apresenta Kamar-Taj, o santuário no qual reside a Anciã (interpretada por Tilda Swinton no filme). Aqui um outro artefato caíra nas mãos erradas, desta vez um arco e flecha místico com devastadores poderes. Agora cabe a ela e Mordo (vivido por Chiwetel Ejiofor) resgatar o objeto antes que mais terror se espalhe na China, onde um grupo de bandidos estivera utilizando o artefato a fim de subjugar a população de uma pequena cidade. É evidente que a intenção, tanto dessa quando da primeira edição, era nos mostrar a importância de tais artefatos nesse mundo e aqui a forma como a magia funciona é explicada mais a fundo.

Vemos diversos painéis deixando claros os movimentos da Anciã e como esse caminho não é nada fácil. Focado quase que exclusivamente nessa personagem, esse segundo volume já deixa claro o cansaço da feiticeira, anunciando a necessidade de Strange entrar na jogada. O roubo do arco, portanto, é uma mera desculpa para trabalhar a personagem mais a fundo e não podemos sentir como se uma trama que permanecesse em Kamar-Taj não seria mais conveniente para esse prelúdio, afinal, o treinamento é uma das partes mais fascinantes desse mundo. Não havia a necessidade de explicitar o poder dessa mulher, isso já é estabelecido nos primeiros minutos do longa-metragem.

A arte do segundo número segue o mesmo estilo, naturalmente, buscando aproximar a aparência de cada personagem com sua contraparte no filme. Em alguns momentos o artista acaba se distanciando do material principal, enquanto em outros a semelhança é nítida, demonstrando uma falta de coesão artística, que acaba prejudicando nossa imersão. Felizmente, a confusão que sentíamos em alguns quadros da edição anterior vai embora e nos consegue passar uma narrativa mais fluida.

No fim, o prelúdio de Doutor Estranho só funciona como um mero gostinho do longa-metragem, realizado na medida para quem não aguenta mais esperar. Apresentando alguns dos personagens coadjuvantes e marcado por duas subtramas que soam como filler, temos aqui uma obra bastante dispensável, que poderia ser muito mais, mas descarta seu potencial, quando poderia adentrar em mais detalhes na mitologia envolvendo Stephen Strange.

Doutor Estranho: Prelúdio do Filme ( Doctor Strange: Prelude) — EUA, 2016.
Roteiro: Will Corona Pilgrim
Arte: Jorge Fornés
Cores: Jesus Aburtov
Letras: Travis Lanham
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: 2016
Editora no Brasil:  Não publicado no Brasil até a publicação da crítica
Páginas: 40 páginas.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.