Crítica | Downton Abbey – 2ª Temporada

estrelas 5

Acompanhando os principais eventos que marcaram o mundo, Downton anuncia a declaração da guerra contra a Alemanha no fim da 1ª temporada. Pouco antes, o futuro das duas irmãs Edith e Mary fica ainda mais aberto já que as duas perdem a chance de selarem um noivado. A partir daí são introduzidas mais algumas mudanças sociais com um salto indo para 1916.

Nas trincheiras os homens conhecem uma hierarquia mais horizontal à medida que lutam juntos por suas vidas e por seu país. Aos poucos a realidade pouco prática de Downton vai sendo esquecida. E enquanto isso, as mulheres em casa lidam com a vontade de se fazer útil. O que era antes inaceitável já passa a ser tolerado, como a filha que aprende a dirigir ou a que se dedica a aprender a cozinhar para adquirir algum conhecimento na intenção de se tornar enfermeira.

A tensão da guerra é inserida na trama e nas ações das personagens de maneira progressiva. Dessa vez, não se trata somente de evidenciar a relação no andar de cima e o de baixo e sim aproximar as realidades desses dois núcleos, a partir dos vínculos de relacionamentos e das perdas de pessoas queridas. O casal que personifica o empalidecer da demarcação de restrições entre classes sociais é o único que se fortalece durante os horrores da guerra, Sibyl e Branson.

Novamente ocorre um salto temporal e conhecemos uma Inglaterra em 1918. É interessante acompanhar as alterações de maneira tão realista, seguindo um ritmo e uma continuidade sutil, moldando aos poucos as transformações internas das personagens e se ampliando para além das paredes de Downton. Os valores tradicionais são congelados durante esse período, que foge das circuntâncias normais do cotidiano, para nunca mais  serem retomados da mesma maneira.

Isso pode muito bem ser evidenciado na cena em que o patriarca toma conhecimento do caso de Mary com Pamuk, que terminou mal tinha transformado a moça em “um bem danificado”, segundo a mãe que soube de tudo. A reação do pai foi de dizer que em outros tempos ele obrigaria o casamento dela com o dono do jornal Richard, para proteger a honra da família. No entanto, ele se restringe a perguntar se ela o ama e se será feliz com essa imposição deliberada, o que demonstra o estreitamento do afeto e demonstra que preocupações superficiais já não ocupam o mesmo espaço em Downton.

Passar por experiências que incitam a reflexão e a descoberta do que é sincero em si mesmo e o quão efêmero é o tempo que existe para ser feliz, determina o clima de desdobramentos no episódio Especial de Natal, que dá um fechamento para a temporada. Preconceitos são desfeitos, amores retomados, vinganças executadas, esperanças partidas entre ganhos e perdas.

Downton Abbey – 2ª temporada (Reino Unido, 2011)
Criador: Julian Fellowes
Roteiro: Julian Fellowes
Direção: Diversos
Elenco: Maggie Smith, Hugh Bonneville, Elizabeth McGovern, Dan Stevens, Jessica Brown-Findlay, Laura Carmichael, Jim Carter, Brendan Coyle, Lesley Nicol, Sophie McShera, Siobhan Finneran, Michelle Dockery, Rob James-Collier, Phyllis Logan, Joanne Froggatt.
Duração: 65 min. (cada episódio)

GABRIELA MIRANDA . . . Cinéfila inveterada, sigo a estrada de ladrilhos amarelos ao som de Jazz dos anos 20 enquanto escrevo meu caminho entre as estrelas. Com os diálogos de Woody Allen correndo soltos na minha cabeça, me pego debatendo entre gostar mais do estilo trapalhão ou de um tipo canalha de personagem. Acima de tudo, acredito que tenho direito de permanecer com minha opinião. Mas acredite, nada do que eu disser poderá ser usado contra os filmes.