Crítica | Downton Abbey – 3ª Temporada

estrelas 5

A questão do herdeiro seguiu um rumo favorável com o matrimônio selado entre uma das filhas do conde Grantham com Matthew e a problemática agora se vira para o fato de que Downton está falindo, assim como o estilo de vida que vem com essas grandes propriedades agrícolas. Não se trata apenas de uma casa e sim da manutenção da mão de obra que ela representa, fomentando empregos na região.

Existem muitas funções que não são o foco da série mas, para cuidar da eletricidade de uma residência como esta, eram preciso seis engenheiros responsáveis pelo gerador da casa. Esse pode muito bem ser um exemplo da importância dessa propriedade para a pequena comunidade que gira em torno de Downton.

Com diversos alívios românticos, essa temporada está carregada de momentos dolorosos e mudanças na estrutura familiar de Downton. O rearranjo social aproxima Edith de uma carreira em um jornal em Londres e afasta Brandon da garagem. Percebemos as alterações sutis que vão dominando o cenário pós-guerra.

Nada de muito interessante acontece no exterior da propriedade e o cenário se interioriza novamente para dentro dos cômodos e das mentes das personagens. Diversos assuntos e temáticas vão se desenrolando nos corredores da casa.

Alguns personagens novos aparecem. A principal é a mãe de Cora, Martha Levinson  interpretada por Shirley MacLaine, uma americana rica e viúva que exala vanguardismo e mente aberta. Ela faz o contraposto com Violet, símbolo da tradição britânica comedida e talvez hipócrita o suficiente para preferir não discutir certos assuntos financeiros. É uma briga entre dinheiro novo e a falta de dinheiro total por conta da tradição.

Thomas merece destaque em relação ao aprofundamento psicológico da personagem. Os eventos que levam à isso mostram uma faceta de Thomas que é ingênua e apaixonada. Em certa altura, o assunto da homossexualidade é relatado como o que era considerado um crime com direito à prisão.

Em geral os pontos de maior impacto nessa temporada são os de perda da inocência ou a descoberta da maturidade, mas essa perda dá chance de recuperar o fôlego e preparar o terreno para a próxima interação. Os problemas que acontecem acima da cozinha guardam algumas semelhanças aos lá de baixo, no que se refere à amor e segredos, o que aproxima as duas realidades ainda mais.

Basta olhar para o último episódio, quando nenhuma notícia ruim é deflagrada para as personagens e tudo acaba bem, para saber que essa temporada foi feita para apaziguar os ânimos e fornecer material apara os próximos episódeos. A felicidade visita Downton de mãos dadas com a tristeza e o que sobra disso é apenas a felicidade.

Downton Abbey – 3ª temporada (Reino Unido, 2012)
Criador: Julian Fellowes
Roteiro: Julian Fellowes
Direção: Diversos
Elenco: Maggie Smith, Hugh Bonneville, Elizabeth McGovern, Dan Stevens, Jessica Brown-Findlay, Laura Carmichael, Jim Carter, Brendan Coyle, Lesley Nicol, Sophie McShera, Siobhan Finneran, Michelle Dockery, Rob James-Collier, Phyllis Logan, Joanne Froggatt.
Duração: 65 min por episódio

GABRIELA MIRANDA . . . Cinéfila inveterada, sigo a estrada de ladrilhos amarelos ao som de Jazz dos anos 20 enquanto escrevo meu caminho entre as estrelas. Com os diálogos de Woody Allen correndo soltos na minha cabeça, me pego debatendo entre gostar mais do estilo trapalhão ou de um tipo canalha de personagem. Acima de tudo, acredito que tenho direito de permanecer com minha opinião. Mas acredite, nada do que eu disser poderá ser usado contra os filmes.