Crítica | Downton Abbey – 4ª Temporada

estrelas 5,0O contexto social é o que prevalece para demarcar a narrativa dessa temporada. A sequência segue com uma pegada dramática mais pungente, após os acontecimentos que mudaram de maneira drástica a dinâmica de Downton durante a temporada anterior. Na medida que a trama se desenrola novas complicações carregam a história de momentos impactantes e o suspense permanece como uma possibilidade sempre presente na narrativa de Julian Fellowes.

Até mesmo o romance, que faz parte do lado mais doce do enredo, também encontra algumas amarguras para serem contornadas. O que consegue atingir um equilibrado a partir de respiros excitantes, na medida que segredos se acumulam. E, indo contra essa linha de discrição, outro casal toma a frente no que diz respeito a ir contra as regras com um relacionamento interracial, ao mesmo tempo que um punhado de insinuações e possibilidades romanticas roubam a atenção do espectador.

Uma situação que exige atenção histórica é a questão dos latifundiários, que impõe decisões pragmáticas aos gestores da casa. Mary acaba ganhando um papel central nisso com uma questão de impostos cobrados pela herança de Downton. O fator economico certamente afeta a maneira como a sociedade se organiza e isso deve ser levado em conta. E ter uma personagem feminina tomando a frente de questões antes relacionadas somente ao critério masculino sugere uma influencia do feminismo nessa porção dos anos 20 com a emancipação das mulheres. Isso pode ser notado pelas roupas e penteado das mulheres. Tudo mais curto, mais prático.

Depois da guerra muita coisa mudou. As alterações também podem ser percebidas nos quadros de funcionários de grandes propriedades como esta, reduzidos diante da nova realidade da classe alta inglesa ao ter de enfrentar um reajuste. Quem mais demonstra não aprovar os novos arranjos que surgem com a modernidade é Carson. Mas com esse novo contexto, temos a chance de espiar como se compõe o cenário social que vai além de Downton, o que traz uma diversidade de personagens novos. A sociedade do mundo artístico toma certa parte da atenção na série, o que injeta uma dose de eventos musicais na casa e a dança one-step.

E o interessante na série é perceber que tudo isso ocorre de maneira muito progressiva, ou seja, você não vê mudanças bruscas, tudo segue um ritmo ordenado. O que provoca uma perspectiva bem próxima do que foi vivenciado à época. Afinal, as transformações no mundo não são compreendidas como grandes avanços initerruptos e chocantes. O cotidiano mascara a evolução enquanto ela ocorre. E os marcos históricos tornam possível congelar um fragmento que dê sentido a eventos ou situações que já vinham sendo parte da vida de uma parcela da população há algum tempo já. Esse pode muito bem ser o segredo de maior prestígio da série, que mantém record de audiência e se superou na estreia dessa temporada, remontar o olhar de pessoas que passaram por experiências e servem de inspiração para a ficção que o mundo acompanha e aguarda ansiosamente.

Downton Abbey ­­- 4ª Temporada (Reino Unido, 2013)
Criador: Julian Fellowes
Roteiro: Julian Fellowes
Direção: Diversos
Elenco: Maggie Smith, Hugh Bonneville, Elizabeth McGovern, Dan Stevens, Jessica Brown-Findlay, Laura Carmichael, Jim Carter, Brendan Coyle, Lesley Nicol, Sophie McShera, Siobhan Finneran, Michelle Dockery, Rob James-Collier, Phyllis Logan, Joanne Froggatt
Duração: 65 min por episódio

GABRIELA MIRANDA . . . Cinéfila inveterada, sigo a estrada de ladrilhos amarelos ao som de Jazz dos anos 20 enquanto escrevo meu caminho entre as estrelas. Com os diálogos de Woody Allen correndo soltos na minha cabeça, me pego debatendo entre gostar mais do estilo trapalhão ou de um tipo canalha de personagem. Acima de tudo, acredito que tenho direito de permanecer com minha opinião. Mas acredite, nada do que eu disser poderá ser usado contra os filmes.