Crítica | Drácula (1979)

estrelas 3,5

O britânico John Badham sempre será conhecido pelo seu inesquecível Os Embalos de Sábado à Noite (1977), filme que catapultou a carreira de John Travolta e reacendeu a chama dos dramas musicais leves, divertidos e descompromissados no cinema. Seu filme seguinte, lançado dois anos depois, não tentava repetir o sucesso dançante de discoteca, mas ia para um outro campo, o do terror, e para uma das histórias essenciais do gênero, a história do Conde Drácula.

O roteiro de W.D. Richter (que tinha escrito Invasores de Corpos no ano anterior) é a adaptação de uma obra teatral que, por sua vez, se baseava no clássico de Bram Stoker, escrito em 1897. A história se passa quase inteiramente em solo britânico e não na Transilvânia, mas a produção do filme e a direção de John Badham criam com bastante competência a atmosfera necessária para contextualizar o mundo do vampiro, retomando elementos estéticos do clássico de 1931 e elencando o máximo de referências narrativas e simbólicas do livro e do próprio gênero terror.

Ajudado pela excessivamente narrativa mas poderosa trilha sonora de John Williams, o filme ganha ares operísticos na maior parte da projeção, um arranjo cênico que gerou cenas incrivelmente bonitas e bem dirigidas mas, por outro lado, excessos e incompreensíveis escolhas, como os ‘desenhos’ do morcego na tela quando Drácula experimenta o sangue de Lucy pela primeira vez; o jogo de tonalidades vermelhas que fogem completamente à paleta de cores da fotografia do filme e, claro, a bizarra forma encontrada pelo diretor para deixar um final organicamente aberto, jogando em nosso colo a palavra final sobre a morte ou sobrevivência do Conde Drácula.

Mas se traz escolhas artísticas questionáveis e o roteiro se atrapalhe vez ou outra no desenvolvimento da história e de alguns personagens – com destaque para o Van Helsing de Laurence Olivier, aqui, em uma rara interpretação mediana –, o Drácula de John Badham ganha pontos infinitos na fotografia de Gilbert Taylor (fotógrafo de filmes como Dr. Fantástico, Star Wars: Uma Nova Esperança, A Profecia e Flash Gordon). Taylor emula os elegantes movimentos de câmera realizados por Karl Freund na versão do Drácula de Tod Browning e consegue fazer inesquecíveis entradas para o protagonista (vivido sem excessos e com bastante segurança por Frank Langella), além de usar uma acertada paleta de cores doentia em todos os cenários do filme, indo de tonalidades sutis de marrom e verde para tons esmaecidos de amarelo.

Não fosse pelos excessos ou pelas estranhas formas de mostrar a figura do morcego na tela, John Badham teria conseguido um resultado final bem mais interessante. Contudo, seu Drácula é um exercício positivamente barroco, cheio de elementos icônicos dentro do horror e com um ótimo elenco em cena. Sua figuração da violência, libido e modus operandi do vampiro são a cereja do bolo e trazem consigo algumas gratas surpresas, alguns bons sustos em momentos estratégicos e aquela sempre bem vinda expectativa pelo que vai acontecer a seguir, um elemento obrigatório para todo terror que se preze, especialmente em se tratando de um filme sobre o fatal Vampiro da Noite.

Drácula (Dracula) – EUA, Reino Unido, 1979
Direção: John Badham
Roteiro: W.D. Richter (baseado na peça de Hamilton Deane e John L. Balderston e na obra de Bram Stoker).
Elenco: Frank Langella, Laurence Olivier, Donald Pleasence, Kate Nelligan, Trevor Eve, Jan Francis, Janine Duvitski, Tony Haygarth, Teddy Turner, Sylvester McCoy, Kristine Howarth
Duração: 109 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.