Crítica | Dragon Ball: A Aventura Mística

estrelas 1

Seguindo o exemplo de seus dois antecessores, A Aventura Mística é mais uma recontagem dos eventos do mangá. O que vemos neste filme, contudo, é um grande distanciamento da história original, ao passo que temos uma condensação das sagas Red Ribbon e 22º Torneio de Artes Marciais em apenas 45 minutos de duração. Obviamente o resultado é uma obra ainda mais apressada que as duas anteriores.

Esse caráter de síntese pode ser observado desde os minutos iniciais, quando vemos o treinamento de Goku e Kuririn com Mestre Kame ser mostrado durante os créditos de abertura. Neste ponto específico a narrativa flui e, através de cenas irônicos, conseguimos compreender as provações que os dois jovens passam. A mesma tática, contudo, é utilizada na resolução do filme que é comprimida no encerramento – ao invés de soar como um recurso estético, temos a nítida impressão que estamos diante de uma falta de alternativa dos animadores em colocar tanta história em tão curto período.

O excesso de informação a cada minuto de projeção se torna ainda mais claro pela quantidade de personagens apresentados – muitos deles tendo participações desnecessárias, como General Blue. Além disso, temos uma quebra de sentido no treinamento de Goku na Torre de Karim, que, de fato, não ocorre no filme, representando um grave deslize no roteiro, que teria sido mais efetivo se tivesse cortado a cena por inteiro.

Em termos de animação não vemos uma diferença marcante quando comparado ao anime original. Ao contrário de O Castelo do Diabo, não temos mais uma excessiva quantidade de cenas reaproveitadas, principalmente devido ao fato de diversos personagens terem sido reimaginados e introduzidos em locações completamente diferentes. Caos, por exemplo, é agora um imperador.

Tais diferenças representam um alívio para aqueles que já assistiram o desenho, já que, enfim, teremos uma trama levemente diferente do original. Vale lembrar que, neste ponto, Dragon Ball começa a abandonar seu tom de comédia, inserindo elementos futuramente constantes na franquia, como a morte de personagens. Ainda assim, ainda temos elementos gráficos que garantem a risada do público, como as expressões caricatas dos personagens ou a ingenuidade do protagonista.

Um grande ponto negativo da obra é seu clímax, que não oferece nenhuma tensão e se desenrola muito rapidamente. Não vemos o combate entre Tien Shin Han e Goku, um dos pontos altos dessa fase do mangá de Toriyama. No filme a maior ameaça é Tao Pai Pai, este, contudo, é derrotado de maneira simples, explicitando ainda mais as falhas do roteiro.

A Aventura Mística  é, definitivamente, o mais frenético dos média-metragens de Dragon Ball. A condensação de diversos arcos em sua curta duração impede totalmente a imersão do espectador, que dificilmente irá se entreter. Trata-se de um roteiro apressado, que muitas vezes acaba provocando situações forçadas em uma trama que simplesmente não flui. É uma obra dispensável, valendo somente para aqueles que desejam conhecer tudo do universo de Toriyama.

Dragon  Ball: A Aventura Mística (Doragon Bōru: Makafushigi Dai-Bōken, Japão, 1988)
Roteiro: Yoshifumi Yuki
Direção: Kazuhisa Takenouchi
Elenco: Masako Nozawa, Mayumi Tanaka, Hiromi Tsuru, Naoki Tatsuta, Naoko Watanabe, Tōru Furuya, Kōhei Miyauchi, Mami Koyama, Shūichirō Moriyama.
Duração: 45 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.