Crítica | Dragon Ball: A Lenda de Shenlong

estrelas 2

Exibido entre os episódios 43 e 44 do anime Dragon Ball, o primeiro filme baseado no universo criado por Akira Toriyama não é nada mais que uma reformulação do arco do Imperador Pilaf. Fica, portanto, fácil de imaginar o resultado de treze capítulos condensados em apenas cinquenta minutos de projeção.

Iniciamos o anime em uma pequena vila sendo escavada por um exército à procura de rubis. Um dos moradores questiona tais ações a um dos guardas, que o agride. A trama logo nos revela, em paralelo à escavação, a busca pelas Esferas do Dragão pelo cruel rei Gurumes, que deseja pedir a Shen Long um prato delicioso para que ele não morra de fome. Quem já leu ou assistiu as primeiras sagas de Dragon Ball já está acostumado com tais pedidos ridículos e eles, em geral, funcionam para manter o tom mais cômico da obra. O que vemos no filme, contudo, é algo demasiadamente forçado, que não tem tempo o suficiente em tela para formar uma gag efetiva, fator que se repete ao longo de toda a narrativa.

Em seguida vemos Goku em sua cabana nas montanhas, momentos antes de conhecer Bulma. Neste ponto começamos a enxergar com clareza que a história toda do primeiro arco será recontada, ao ponto que utilizam não só a mesma história como trechos do anime original, no melhor estilo copia e cola. O ápice da reciclagem é a reutilização de planos exibidos na própria abertura do desenho (que, inclusive, é exibida no início do filme). Tais elementos garantem uma sensação ao espectador de que estamos vendo apenas um resumo dos primeiros episódios do anime, ao passo que vemos novamente a primeira aparição de Oolong, Yamcha e Mestre Kame.

Tal caráter de resumo, contudo, é atrapalhado pela ausência de elementos importantes dentro da trama geral de Dragon Ball. O mais marcante desses é a  falta da transformação de Goku. Na série este é um ponto crucial do encerramento do arco de Pilaf, enquanto que nesta obra equivalente não temos tal elemento – mais um efeito da condensação nos meros cinquenta minutos.

A obra, porém, não é um fracasso completo, a técnica de animação utilizada, apesar de ainda estar longe do que vemos, posteriormente, em Dragon Ball Z, exibe pequenos avanços quando comparada com o anime. É adotada uma maior dinâmica em detrimento da usual lentidão e economia de tempo dos animes comerciais. Há muito material reutilizado, mas, em geral, não somos mantidos em um mesmo fotograma estático por muito tempo.

A trilha sonora também não deixa a desejar, exibindo músicas tiradas diretamente da série e outras novas melodias, compostas especificamente para a obra. Tal mescla assegura o familiar tom de início, o mesmo presente no primeiro arco do anime original.

A Lenda de Shen Long é um filme desnecessário, uma obra que nada acrescenta ao universo de Dragon Ball, apenas nos mostrando novamente algo que já vimos. A reutilização de material é evidente para o espectador, que logo enxerga este média-metragem como uma tentativa do estúdio de arrecadar ainda mais dinheiro com algo que já foi exibido.

Dragon  Ball: A Lenda de Shen Long (Doragon Bōru: Shenron no Densetsu, Japão, 1986)
Roteiro: Toshiki Inoue
Direção: Daisuke Nishio
Elenco: Masako Nozawa, Hiromi Tsuru, Naoki Tatsuta, Naoko Watanabe, Tōru Furuya, Kōhei Miyauchi, Mami Koyama, Shūichirō Moriyama.
Duração: 50 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.