Crítica | Dragon Ball – Arco 03: Piccolo Daimaō

estrelas 4,5

Com uma distância de três anos de todo o embate contra a Red Ribbon, o terceiro arco de Dragon Ball inicia com o familiar torneio Budokai Tenkaichi e um Goku um pouco maior, embora sua inocência ainda permaneça a mesma.

Se na história anterior já era visível o tom mais sério da narrativa, é aqui que o mangá começa a entrar em uma nova fase. O crescimento do protagonista funciona como uma metáfora para o próprio roteiro que começa a abordar mais constantemente a morte como um tema recorrente. Além disso a violência gráfica e abandono de reações e lutas mais caricatas vão gradualmente ocorrendo, de forma que, ao fim do arco, este deixa de ser um mangá para todas as idades – focando em um público da adolescência para cima. Ainda assim a comédia não é abandonada por completa e risadas são garantidas ao longo da leitura.

O teste de Sr. Popo

O teste de Sr. Popo

Em termos de história há a formulação de um padrão (que se torna ainda mais recorrente daqui para a frente): um inimigo de força superior aparece e Goku o derrota. O desenrolar da trama de Dragon Ball nunca teve grandes segredos, a graça está justamente na forma como os fatos ocorrem. As lutas criativas que eram uma constante no primeiro arco voltam com força total, ao passo que cada um dos embates é inteiramente diferente um do outro.

Além disso, a sensação de perigo estabelecida por Piccolo é uma novidade dentro do mangá, de forma que este é o primeiro vilão a nos fazer acreditar que Goku realmente pode ser morto. Esse medo construído por Toriyama torna cada combate ainda mais envolvente, conseguindo absorver o leitor do início ao fim do arco.

Um defeito da narrativa, porém, é a forma como os personagens secundários vão perdendo força, ao passo que não acompanham o crescimento do protagonista. Mais de uma vez é falado “o que nos resta é confiar em Goku”. Assim, tais personagens que adotavam um papel de destaque no passado acabam funcionando como nada mais que narradores dos quadrinhos. Felizmente, em alguns capítulos, Akira se lembra de suas criações e garante a eles algumas ações de destaque.

Picollo e Goku no torneio

Piccolo e Goku no torneio

Ao mesmo tempo que alguns personagens são deixados de lado, contudo, outros novos são trazidos. Neste arco vemos desde o cômico Yajirobi até o poderoso Kami-Sama. Com isso há um ainda maior aprofundamento na mitologia do mangá que, aos poucos, abre caminho para as histórias subsequentes. Também são deixadas algumas pistas para o que veremos a seguir, principalmente em relação à origem de Goku.

Se algo é feito com maestria nessa história é o envelhecimento de Goku. Ao mesmo tempo que fica claro seu amadurecimento, não podemos deixar de notar os traços que garantem sua personalidade. Vemos o menino que vivia sozinho nas montanhas e também um guerreiro formado através de anos de treinamento. Isso é possibilitado graças à dinâmica narrativa que sabe exatamente quando pular certos intervalos de tempo, produzindo no leitor uma distinta sensação de passagem temporal.

O arco de Piccolo Daimao funciona como o término de uma fase para Dragon Ball e, ao mesmo tempo, uma despedida do menino Goku que, agora, entra na vida adulta. Toriyama produz um arco que encaixa toda sua história organicamente e abre portas para o futuro da série que, a cada momento, dá novos motivos para sua leitura, prendendo o leitor a cada instante.

Dragon Ball – Arco 03: Piccolo Daimaō
Roteiro: Akira Toriyama
Arte: Akira Toriyama
Lançamento oficial: Japão, 1984
Lançamento no Brasil: 2012 (Edição da Panini)
Editora: Panini
Capítulos: 113-194

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.