Crítica | Dragon Ball – Arco 05: Freeza

estrelas 5

O quarto arco de Dragon Ball representou uma mudança da fantasia para a ficção científica em relação às origens de Piccolo e Goku. Dando continuidade à essa linha narrativa, Akira Toriyama expandiu seu universo, trazendo não só outras raças como movendo a trama para outro planeta, Namekusei, terra natal do rei demônio, vilão, de outrora.

Após a terrível batalha contra os saiyajins, os guerreiros da Terra mal tempo tiveram para sua recuperação e já partiram em busca das esferas do dragão do planeta Namekusei, onde, segundo especulações de Vegeta, poderiam evocar um outro Shenlong. Contudo, graças à recente luta, Goku foi forçado a permanecer no hospital em recuperação, enquanto Gohan, Bulma e Kuririn viajam pelo espaço. Ao chegarem em seu destino, porém, os três descobrem que não só Vegeta também está em busca de seu desejo de vida eterna, como o temível Freeza ali se encontra, trazendo morte por onde passa.

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Foi-se o tempo que crianças podiam ler Dragon Ball

Neste quinto arco podemos enxergar claramente a grande qualidade que possibilitou a renovação de Dragon Ball através dos anos: sua capacidade de inovar em suas tramas. Ao passo que na história dos Saiyajins foi construída uma crescente expectativa em relação à chegada dos alienígenas, neste arco de Freeza o autor cria situações de tensão constantes colocando Gohan, Kuririn e Bulma em meio a seres consideravelmente mais poderosos que eles. A sensação de que o plano de trazer seus amigos mortos de volta à vida pode falhar é retomada a cada momento, contribuindo para o engajamento do leitor na obra.

Ao mesmo tempo há uma clara reciclagem de certos pontos da história: novamente Goku treina separadamente de seus amigos e todo o peso da vitória cai em seus ombros. Dito isso, este é um dos arcos que menos vemos o personagem principal, que, assim como no arco anterior, somente entra em ação na segunda metade da trama. Um grande ponto positivo novamente se exibe na criatividade de seu treinamento em gravidade aumentada, que agora faz uso da recém descoberta habilidade dos saiyajins de se tornarem mais fortes após experiências de quase morte. Tal fator é crucial para a progressão da narrativa neste arco.

Devido à sua estrutura capitular de lançamento semanal, esta quinta parte de Dragon Ball sofre de uma repetição de diálogos que muitas vezes giram em torno da temática do super-saiyajin. A impressão que nos é passada, ao lermos de forma seguida, é que o autor deseja fixar veementemente o conceito na cabeça do leitor, tornando mais do que óbvio o que veremos no fim do arco e, assim, tirando grande parte do suspense da obra. Ainda assim, através de pequenos detalhes que retomam a personalidade, aos poucos construída, de cada personagem, o encerramento desta subtrama definitivamente não deixa a desejar.

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Toriyama ensinando a não julgar pelo tamanho

Embora o vilão do arco anterior, Vegeta, seja um dos personagens mais importantes de todo o mangá (e é trabalhado em mais detalhes nesta história), Freeza é quem representa o verdadeiro nêmesis de Goku. Vemos no vilão um dos antagonistas melhores construídos de Dragon Ball, que aos poucos se constitui como o verdadeiro oposto do protagonista. Com isso a tão esperada luta entre os dois funciona como uma força gravitacional dentro de toda a trama e, ao, enfim, chegar, supre todas as expectativas, nos entregando um dos combates mais emocionantes do mangá.

O quinto arco de Dragon Ball representa uma nova mudança para a história de Toriyama e nos passa uma distinta sensação de encerramento. Embora ainda existam dois arcos (no mangá) pela frente, a batalha contra Freeza constitui um dos picos da narrativa, levando o protagonista a quase abandonar sua bondade inata. Este é, possivelmente, o ponto mais épico da lenda de Son Goku.

Dragon Ball – Arco 05: Freeza
Roteiro: Akira Toriyama
Arte: Akira Toriyama
Lançamento oficial: Japão, 1984
Lançamento no Brasil: 2012 (Edição da Panini)
Editora: Panini
Capítulos: 242-329

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.