Crítica | Dragon Ball – Arco 07: Majin Buu

estrelas 4,5

Neste último arco de Dragon Ball novamente temos um salto temporal – desta vez, sete anos após a batalha contra Cell, acompanhamos Gohan em seus dezesseis anos. O filho de Goku (que está morto desde o fim do último arco) agora larga seus estudos de casa e parte para o colégio, iniciando um tipo de narrativa ainda não vista no mangá. Essa mudança, porém, não só traz elementos novos: há um evidente retorno às origens da série, ao ponto que a comédia ganha um papel central em grande parte do arco.

Com Mr. Satã tendo sido considerado, erroneamente, o salvador da Terra, os guerreiros Z são forçados a esconder seus verdadeiros poderes quando em público. Isso na teoria, pois conforme vemos com o decorrer da trama, a discrição não é o forte deles. Toriyama sabe utilizar bem este ponto, garantindo diversas risadas com o fato de Gohan se tornar uma espécie de super-herói na cidade onde estuda – o Grande Saiyaman – com direito a um disfarce ridículo, como é apontado pelos próprios personagens.

Não demora muito, é claro, para que Videl, a filha de Mr. Satã, descubra a identidade do Grande Saiyaman e, com isso, pela primeira vez vemos de relance um pequeno romance se formar em Dragon Ball (aqueles de Bulma do primeiro arco não contam nem de longe!). Não esqueçamos, porém, que o foco são justamente nas lutas e, por isso, sabiamente, a narrativa não se prende na relação de Videl e Gohan. Aqui vemos um ponto que desde as primeiras edições se mostra forte no roteiro de Toriyama – as interações entre seus personagens. Estas ocorrem de maneira fluida e natural e muitas vezes através do humor, causando em nós uma aproximação ainda maior com suas criações. Por isso, mesmo quando é revelado de repente que Goku teve outro filho, Goten, nosso estranhamento é quase nulo – afinal o mesmo foi feito com a primeira aparição de Gohan e foi mascarado perfeitamente com bem humorados diálogos.

Nem eles esperavam isso

Nem eles esperavam isso

Goten desempenha um importante papel dentro deste último arco, fechando o ciclo que seu pai muitas vezes tenta compor. Segundo Goku ele quer que os jovens desempenhem um papel central na proteção da Terra, tirando tal fardo de suas costas – afinal, ele nunca pediu vida eterna às esferas do dragão. Dito isso, a semelhança absurda de Goten com seu pai nos remete às origens da série, algo que se torna ainda mais evidente na personalidade do garoto – impulsivo, ingênuo e inocente.

Mas com toda essa volta às origens não nos esqueçamos que ainda estamos em uma história do que posteriormente seria conhecido (graças ao anime) como Dragon Ball Z. Após alguns capítulos centrados em como o mundo se encontra pacífico após a derrota de Cell, um novo inimigo é anunciado. Surge Babidi – um feiticeiro que deseja reviver a terrível criação de seu pai: Majin Buu. Não é preciso dizer que ele é bem sucedido em tal empreitada, por mais que os heróis tentem impedi-lo. Da esfera-prisão, então, sai o monstro tão aguardado e o que vemos é… uma criatura gorda e rosa.

Definitivamente, dentre todos os 519 capítulos do mangá, em nenhum deles tivemos uma quebra de expectativa tão grande. Depois de dois vilões terríveis – Freeza e Cell, o que Toriyama nos proporciona é aquilo. O autor, porém, utiliza dessa expectativa agora em pedaços criando um ser que é composto de uma força incrível, quase invencibilidade e uma bela dose de comédia. Buu Gordo (como é carinhosamente apelidado) é como uma grande criança mimada que somente faz o que quer e, mesmo quando destrói uma cidade inteira, nos proporciona diversas risadas.

Nada de spoilers

Nada de spoilers

Esse clima que oscila entre o leve e o pesado (algumas mortes ocorrem, afinal) dura até certo ponto. Eventualmente há uma mudança drástica no vilão e seu lado cruel se torna predominante – sua aparência também muda, refletindo perfeitamente a mudança no personagem. De todos os seres apresentados na série, é Majin Buu que possui o olhar mais cruel e aterrorizante. É esta criatura que merecidamente ocupa o cargo de vilão do último arco de Dragon Ball, nos proporcionando um emocionante desfecho que se encaixa perfeitamente dentro da mitologia criada por Toriyama.

Dificilmente uma história mantém sua qualidade do início ao fim – na maioria ele se perde no meio do caminho, ao ponto que expande seu universo até onde o próprio autor não consegue amarrá-lo de forma efetiva. Dragon Ball não cai neste erro e mantém sua complexidade nas relações entre os personagens e em suas motivações. Por mais que seu universo tenha sido expandido ao longo dos volumes, Akira soube utilizá-lo bem, introduzindo os elementos de pouco em pouco a fim de não confundir o leitor. Neste último arco ele sabe fechar o ciclo de sua grande narrativa, trazendo à tona tudo que aprendemos a apreciar na saga de Son Goku. É um triste encerramento, mas fiel à proposta do mangá.

Dragon Ball – Arco 07: Majin Buu
Roteiro: Akira Toriyama
Arte: Akira Toriyama
Lançamento oficial: Japão, 1995
Lançamento no Brasil: 2014~2015 (Edição da Panini)
Editora: Panini
Capítulos: 421-519

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.