Crítica | Dragon Ball – Saga 03: 22º Torneio de Artes Marciais

estrelas 3,5

O Exército Red Ribbon foi derrotado e, ao que parece, os protagonistas entraram em um período de paz anunciado pelo próprio Yamcha – “não temos mais com o que nos preocupar, certo?”. Ocasionalmente um comentário como esse acaba levando a um surgimento de um inimigo que visa destruir a Terra, mas este não é o caso (ainda não estamos em Dragon Ball Z). Assim entramos na última saga com elementos fortes de comédia, fator que somente seria retomado com Majin Buu.

A saga se inicia com a busca pela última esfera do dragão. Há, contudo, um grande porém nessa procura: ela não aparece no radar do dragão. Dito isso, Mestre Kame propõe a alternativa de buscar Aranai Baba, que, segundo ele, pode revelar a localização da sétima esfera. Para isso, contudo, é preciso vencer uma espécie de torneio de artes marciais. Mas esperem: este ainda não é o Tenkaichi Budokai, apenas um teste extremamente similar. Assim o tom da saga começa a se formar, deixando de lado a aventura e focando nas lutas. Estas, porém, não são nem um pouco sérias e certamente provocarão risadas nos espectadores.

A comédia dá um pequeno espaço para o drama com a aparição do Gohan, avô de Goku, um dos trechos mais importantes para toda a história do pequeno saiyajin, que mais uma vez define a personalidade do protagonista. Além disso é neste ponto que o menino decide começar a fortalecer o seu rabo, algo que até então era seu principal ponto fraco (além da fome). Passando desse trecho inicial, que no mangá pertencia ao arco Red Ribbon, entramos na primeira elipse temporal de Dragon Ball, isto é, depois de alguns fillers.

Três anos se passam e, enfim, chegamos ao momento que garante o título da saga. Apesar de contarmos, neste ponto, com uma presença reduzida de fillers, eles são o suficiente para prolongar o torneio por dias dentro do anime. Além da luta temos, também, toda uma subtrama de assassinato que, obviamente, é resolvida em instantes. Tais pequenas enrolações, porém, não conseguem tirar o foco das semi-finais e finais, nas quais vemos as melhores lutas (tanto em tensão quanto comédia) até então. Fica claro o amadurecimento da Toei que consegue captar mais e mais o espírito do mangá original, fator que somente se tornará pleno em Dragon Ball Z.

É importante ressaltar, também, que aqui vemos a introdução do segundo vilão a se redimir no futuro, Tien Shin Han (o primeiro foi Oolong, por incrível que pareça). Tal temática é central dentro de Dragon Ball e será vista constantemente ao longo da história, se tornando mais um fator chamativo da personalidade de Goku (que acabou sendo herdada por Naruto).

A Saga do 22º Torneio de Artes Marciais oferece uma progressão mais discreta para a narrativa de Dragon Ball. Ela oferece elementos importantes dentro da mitologia (é a primeira vez que alguém é revivido pelas esferas), mas é notável pelo seu clima de prólogo que se concretiza com a chegada de Piccolo na saga posterior. Ainda assim é uma bela despedida para a forte presença da comédia dentro do anime.

Dragon Ball – Saga 03: 22º Torneio de Artes Marciais (Japão, 1987)
Episódios: 69-101
Estúdio: Toei
Dubladores: Masako Nozawa, Hiromi Tsuru, Naoki Tatsuta, Kouhei Miyauchi, Daisuke Gōri, Tōru Furuya, Naoko Watanabe, Daisuke Gōri, Mayumi Shō, Mayumi Tanaka, Mami Koyama.
Duração: 20 min (cada episódio)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.