Crítica | Dragon Ball Z: A Árvore do Poder

estrelas 4

O terceiro filme baseado em Dragon Ball Z apresenta novamente o problema de posicionamento dentro da linha do tempo do anime. Com erros de continuidade em relação à obra original, poderíamos considerar o longa como se passasse antes ou depois da saga de Freeza. Aqui, contudo, irei colocá-la após a derrota dos saiyajins na Terra, levando em conta não só a força de Goku durante o período, como o próprio fato de Freeza ainda estar vivo durante os eventos do filme.

Sua trama consiste na invasão do planeta por alguns guerreiros extra-terrestres, que plantam a semente de uma terrível árvore que absorve toda a vida natural para gerar seus frutos, estes garantem super-força a quem come-los. Os invasores são liderados por Turles, um saiyajin cuja aparência é praticamente a mesma de Goku (fator observado, inclusive, por Gohan), o que poderia ser considerado uma evidente falta de criatividade da equipe de arte, que sequer dedicam muito tempo à criação do principal antagonista da obra. O motivo por trás de tal visual, contudo, é explicado nas entrelinhas – este trata-se de uma versão de Son caso ele não houvesse batido sua cabeça quando criança. Tal fato é reiterado, inclusive, através de um diálogo no qual o protagonista se sente aliviado pelo seu acidente quando pequeno.

O trabalho da equipe criativa se destaca, também, através do design da árvore que garante o título ao filme. Não só a forma como cresce, como sua aparência final é imponente, projetando sombras por uma grande superfície e garantindo uma bem definida tensão no espectador, que consegue facilmente identificar a ameaça que esta representa. O roteiro também não peca neste lado e consegue integrar de forma orgânica sua presença dentro da trama central, tornando-a, inclusive, mais uma representante da dualidade entre Turles e Goku – vida x morte em uma só.

As falhas do texto somente se tornam presentes através do papel dos coadjuvantes, como Kuririn, Piccolo, Tien e Caos, que nao realizam nada de relevante dentro da trama. A sensação deixada é que esses cumprem suas funções como geradores de cenas de ação, que facilmente poderiam ter sido cortadas, já que, no fim, a resolução do problema parte de Goku, como de costume. Mais uma prova da irrelevância de tais personagens é a maneira rápida como o protagonista se livra dos vilões secundários, demonstrando que a única ameaça é, de fato, Turles.

As sequencias desnecessárias citadas acima, contudo, não deixam de agradar à audiência, contando com técnicas mais rebuscadas de animação (quando comparado ao anime), que colocam esta produção acima, inclusive, das duas que a precederam – o resultado são cenas mais dinâmicas e uma verdadeira tensão criada com a aproximação do clímax da narrativa. Com isso, podemos remeter ao fato que este foi um dos poucos filmes de Dragon Ball Z exibidos nos cinemas internacionais, incluindo os brasileiros em circuito mais limitado. A mesma qualidade está presente na trilha sonora, que opta por utilizar faixas originais e sem exageradas repetições. Vale ressaltar que, mesmo a abertura, ao som de Cha-la Head Cha-la, é integrada à trama, não representando uma interrupção dentro da obra.

Com boas doses de ação, aventura e um ameaça palpável ao planeta Terra, A Árvore do Poder é a primeira produção baseada em DBZ que se destaca. Apesar de contar com, essencialmente, a mesma equipe, fica claro o maior cuidado com o filme, que nos traz uma história original e criativa aliada de boas técnicas de animação. Os problemas de continuidade, como sempre, estão presentes, impossibilitando uma precisa colocação dentro da linha do tempo do anime, mas, para maior aproveitamento, recomendo assistir entre as duas primeiras sagas. Definitivamente vale a experiência para qualquer fã de Dragon Ball. 

Dragon  Ball Z: A Árvore do Poder (Doragon Bōru Zetto: Chikyū Marugoto Chōkessen, Japão, 1990)
Roteiro: Takao Koyama
Direção: Daisuke Nishio
Elenco: Masako Nozawa, Akira Kamiya, Hiromi Tsuru, Mayumi Tanaka, Daisuke Gōri, Mayumi Shō, Kouhei Miyauchi. Toshio Furukawa, Takeshi Aono, Kenji Utsumi, Joji Yanami
Duração: 61 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.