Crítica | Dragon Ball Z: A Batalha nos Dois Mundos

estrelas 3,5

Com um título traduzido que não faz o menor sentido, A Batalha nos Dois Mundos é um dos filmes de Dragon Ball Z que melhor se encaixam na linha do tempo da série. Passado algum tempo após a morte de Cell, o longa-metragem traz de volta inúmeros elementos de Dragon Ball, seguindo um estilo similar àquele visto na saga de Cell.

Um torneio de artes marciais é anunciado, sendo organizado por um milionário que visa reunir os guerreiros mais fortes da Terra. Com Goku morto após a batalha contra Cell, cabe a Gohan seguir o legado de seu pai. Obviamente os outros guerreiros Z se interessam pelo torneio e decidem participar, nos lembrando claramente das sagas iniciais de Dragon Ball. Em meio à competição, contudo, quatro seres misteriosos, liderados por Bojack, aparecem e começam a matar os outros lutadores.

A Batalha nos Dois Mundos segue uma narrativa bastante simples, similarmente ao que já vimos nos filmes anteriores da franquia. Ao contrário destes, porém, a obra faz uso de elementos familiares ao universo criado por Akira Toriyama, conseguindo emular o característico senso de humor do autor. Dito isso, a primeira metade da projeção é repleta desses momentos de alívio cômico que muito bem conseguem prender a atenção do espectador, seja ele fã ou não da franquia.

A ação, de fato, tem início na segunda metade, quando o vilão, finalmente, dá as caras. O roteiro, infelizmente, não gasta nenhum tempo construindo o personagem, ele é apresentado repentinamente e não chega a ser memorável como as criaturas vindas do mangá ou até mesmo Broly. O mesmo pode ser dito dos combates presentes na projeção: primeiro assistimos cada um dos guerreiros z serem derrotados rapidamente, para, em seguida, assistirmos a vitória de um dos protagonistas. Não há a menor inovação, apenas uma clara repetição da resolução da saga de Cell.

A tensão é resgatada pela forte presença da trilha sonora, que utiliza não só melodias vindas do anime, como faixas originais que bem captam o tom dramático almejado pela obra. A música ainda reitera as nuances de suspense geradas pelos cenários dessa metade do filme, que claramente indicam a presença de um elemento estranho naquele torneio. Dessa forma, o impacto não causado pelo vilão acaba se fazendo presente pelos outros elementos da produção.

Graças a esses, o problema de ritmo que passa a se fazer presente nos minutos finais acaba passando, em linhas gerais, despercebido, o que em muito melhora nossa percepção da obra como um todo. O problema central é resolvido rapidamente e mais uma vez entramos no período “vazio” entre Cell e Majin Buu.

A Batalha nos Dois Mundos é um filme que agrada – contém elementos o suficiente para conseguir prender nossa atenção e, sem muitos problemas, acaba se classificando como um dos melhores longas de Dragon Ball Z. Sua resolução poderia contar com um maior cuidado e a construção do vilão acaba deixando a desejar, mas não deixa de ser uma experiência válida para qualquer fã do anime.

Dragon Ball Z: A Batalha nos Dois Mundos (Doragon Bōru Zetto: Ginga Giri-Giri!! Butchigiri no Sugoi Yatsu – Japão, 1993)
Direção:
 Yoshihiro Ueda
Roteiro: Takao Koyama
Dubladores: Masako Nozawa, Tesshō Genda, Ryō Horikawa, Toshio Furukawa, Takeshi Kusao, Mayumi Tanaka, Hiromi Tsuru, Naoko Watanabe, Tōru Furuya, Hirotaka Suzuoki, Naoki Tatsuta, Kouhei Miyauchi, Hiroko Emori, Daisuke Gōri, Hisao Egawa, Tomoko Maruo, Toshiyuki Morikawa, Iemasa Kayumi, Joji Yanami
Duração: 50 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.