Crítica | Dragon Ball Z: Broly, o Lendário Super Saiyajin

estrelas 3

A lenda do lendário super saiyajin já era um dos temores de Freeza muito antes da aparição de Goku. Foi este medo o maior motivador da destruição do planeta Vegeta, que, ironicamente, levaria aos eventos de Dragon Ball e Dragon Ball Z, que provocam a morte do vilão. Em Episódio de Bardock, o mais recente dos OVAs, lançado em 2011, descobrimos que o guerreiro das lendas original era o próprio pai de Goku, mas, muito antes desta obra canon, vimos a premissa ser explorada no até então mais popular filme baseado na obra de Akira Toriyama, Broly, O Lendário Super Saiyajin.

A fama do longa-metragem pode ser facilmente atribuída a alguns fatores que em muito o diferenciam dos filmes anteriores, como O Retorno dos Andróides e O Retorno de Cooler. Primeiro, trata-se de um roteiro mais criativo, que em poucos momentos cai nas velhas repetições da franquia (mais sobre isso adiante). E segundo, porque conta com um maior tratamento visual nas cenas de combate, que, ao invés da simples sucessão de movimentos em alta velocidade, temos ações mais esmiuçadas, que permitem, efetivamente, que enxerguemos o que se passa nas sequências. Poderíamos também incluir os setenta minutos de duração nessa lista (em detrimento dos costumeiros 40-50 dos filmes predecessores), mas tal fator acaba se tornando, de fato, um empecilho para a narrativa.

A projeção tem início no planeta de sr. Kaioh, que sente uma iminente ameaça a caminho do planeta Terra. O que vemos em seguida, após a velha abertura, são pequenos trechos de alívio cômico, mostrando cada um dos personagens antes da chegada de Paragus, um sobrevivente dos saiyajin que alega estar construindo um novo planeta para a raça guerreira. Prontamente ele pede a Vegeta que seja seu rei e o orgulhoso príncipe aceita. Seguem ele Kuririn, Gohan, Trunks do futuro, Mestre Kame, Oolong e, posteriormente, o próprio Goku. Logo, porém, descobrimos que tudo aquilo nada mais se trata de um plano de Paragus para eliminar Vegeta, mas tudo foge do controle quando Broly, seu filho, libera seus poderes, demonstrando ser o lendário super-saiyajin.

O filme conta com um trecho inicial com altos e baixos, com sérios deslizes se destacando. O texto não soa nada orgânico e de forma completamente artificial nos insere na problemática central. Além disso, durante metade da obra, temos mudanças repentinas de humor de personagens, recurso que busca causar risadas, mas somente gera um grande estranhamento por parte do espectador. Por outro lado temos, enfim, uma premissa que é mais bem-explorada que o velho “um novo inimigo surge, vamos lutar”. Shigeyasu Yamauchi, que já trabalhara como diretor em A Árvore do Poder, garante bastante espaço para uma construção de seus vilões, criando uma maior profundidade ao roteiro, que somente desliza nos trechos finais através de um encerramento que já vimos em outros filmes de DBZ.

Felizmente, consertando os erros da primeira metade do longa, temos uma batalha inesquecível entre os guerreiros Z e Broly. Como dito anteriormente, dessa vez conseguimos enxergar os movimentos e cada ação do lendário super saiyajin chega a ser brutal e conseguimos facilmente acreditar nelas pela sua gigantesca estatura. Pela primeira vez nos filmes temos um vilão à altura daqueles do mangá original. Sim, ele nada mais é que um brutamontes, uma máquina de matar, mas tanto pelo trabalho de animação, quanto pelo preciso uso da trilha sonora de Shunsuke Kikuchi, nos é construído um grande temor por sua figura monstruosa. Até o fim não conseguimos visualizar como Goku e seus amigos sairão dessa enrascada. De forma interessante, nosso medo é inserido na obra através de Vegeta, que, pela primeira vez desde Freeza, é tomado pelo terror e permanece imóvel em completa resignação.

Já nem tudo são flores, pois o filme acaba pecando pelo exagero em seus trechos finais, se estendendo mais que deveria. Um corte de dez minutos da projeção muito resolveria seu problema de ritmo final. Ainda assim, apesar de inúmeros problemas, ele nos deixa com uma percepção positiva, constituindo-se como uma obra que realmente acrescenta ao universo de Dragon Ball Z, ainda que entre em oposição com alguns detalhes de O Episódio de Bardock.

Finalmente, após quatro longas-metragens de espantar qualquer fã, recebemos um que merece fazer parte da querida criação de Akira Toriyama.

Dragon  Ball Z: Broly, O Lendário Super Saiyajin (Doragon Bōru Zetto: Moetsukiro!! Nessen Ressen Chō-Gekisen, Japão, 1993)
Roteiro: Takao Koyama
Direção: Shigeyasu Yamauchi
Elenco: Masako Nozawa, Bin Shimada, Ryō Horikawa, Toshio Furukawa, Takeshi Kusao, Mayumi Tanaka, Naoki Tatsuta, Kouhei Miyauchi, Hiromi Tsuru, Naoko Watanabe, Hiroko Emori, Masaharu Satō, Iemasa Kayumi, Joji Yanami
Duração: 70 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.