Crítica | Dragon Ball Z: Gohan e Trunks, Guerreiros do Futuro

estrelas 3,5

Sempre considerei a parte mais fascinante da saga de Cell a história por trás de Trunks do futuro. A maneira como a informação nos é passada, com a morte de Goku por uma doença do coração e as posteriores derrotas de cada um dos guerreiros Z chega a ser devastadora, tirando qualquer sentimento de esperança do espectador. O simples fato do filho de Vegeta ser obrigado a voltar para o passado para impedir tudo aquilo já garante um tom bastante sombrio ao arco. Dito isso, era só uma questão de tempo até descobrirmos o que, de fato, ocorrera nessa distopia, eis que recebemos o episódio especial Gohan e Trunks, Guerreiros do Futuro.

Baseado no capítulo especial, Trunks: The Story, do mangá original, a obra tem início com um Gohan ainda criança, testemunhando a morte de seu pai. Em seguida, através da locução de um narrador e algumas imagens esparsas somos mostrados as mortes de cada um dos guerreiros da Terra, até que, enfim, chegamos a treze anos no futuro. Aqui, os Androides praticamente destruíram todo o planeta, restando apenas algumas cidades. Cai nas mãos de Gohan, já adulto, e um jovem Trunks a defender o que restou da raça humana.

O cenário construído pelo episódio se enquadra fielmente ao nosso imaginário, construído pela saga respectiva no anime. A história procede de forma bastante fluida, nos mostrando cada etapa do treinamento do filho de Vegeta, que busca se tornar um super-saiyajin. Tal fluidez, contudo, acaba sendo interrompida pela excessiva quantidade de lutas de caráter bastante repetitivo, que acaba por cansar o espectador. Não há grande diferenciação entre elas e a tensão criada nos primeiros minutos acaba se esvaindo, não conseguindo ser resgatada mesmo pelo clímax que funcionaria não fossem as sequências desnecessárias ocorridas anteriormente.

Com tais defeitos em mente, acabamos sendo afastados do propósito inicial da obra, que acaba desmistificando todo o futuro distópico tão bem apresentado no desenho original. Embora ainda estejamos diante de uma narrativa similar, o excesso de detalhes acaba se demonstrando desfavorável. Podemos traçar facilmente um paralelo com filmes de terror, onde a maior parte do medo/ tensão é proveniente do desconhecido, do não-dito e quando somos mostrados a criatura, monstro ou assassino em questão, todo o terror vai embora. O mesmo ocorre neste episódio especial, tirando grande parte do mérito que tornou a saga de Cell uma das melhores do anime.

Com todas essas ressalvas, devo ressaltar que, como um produto separado, analisado individualmente, ele funciona. Traz uma história envolvente que desliza aqui e lá devido às excessivas e repetitivas cenas de luta já citadas. É uma experiência válida para quem não deseja revisitar o arco do anime por completo, desejando somente uma visão singular sobre determinado período da história de Dragon Ball. Caso contrário, minha recomendação é que deixe este de lado, ao contrário de seu equivalente na saga de Freeza, Bardock, O Pai de Goku.

Dragon  Ball Z: Bardock, O Pai de Goku (Doragon Bōru Zetto: Zetsubō e no Hankō!! Nokosareta Chō-Senshi – Gohan to Torankusu, Japão, 1990)
Roteiro: Takao Koyama
Direção: Yoshihiro Ueda
Elenco: Takeshi Kusao, Hiromi Tsuru, Masako Nozawa, Shigeru Nakahara, Miki Itō, Naoko Watanabe, Daisuke Gōri, Kōhei Miyauchi, Naoki Tatsuta.
Duração: 48 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.