Crítica | Dragon Ball Z: O Ataque do Dragão

estrelas 4

O último dos filmes de Dragon Ball Z antes do hiato de oito anos que levaria ao mais recente A Batalha dos Deuses, resgata os traços positivos de seu antecessor, Uma Nova Fusão. Ao contrário da maior parte dos longa-metragens pertencentes ao universo criado por Akira Toriyama, O Ataque do Dragão pode ser facilmente posicionado dentro da linha do tempo da franquia, se passando pouco tempo após a derrota definitiva de Majin Buu. Além disso, a obra traz uma interessante origem para a espada de Trunks, que a utiliza tanto no universo alternativo destruído pelos androides, quanto em Dragon Ball GT.

A trama tem início com breves planos demonstrando a destruição de um planeta por uma criatura gigantesca e uma voz maligna anunciando que logo a Terra teria um destino similar. O corte para nosso planeta nos leva para uma certa confusão em um centro urbano – claramente uma brincadeira a fim de nos fazer acreditar que os humanos já estão em perigo. Logo, contudo, descobrimos se tratar de uma gangue fugindo da polícia, isto é, até Gohan e Videl aparecerem (como grandes saiyamen) para salvar o dia. Como qualquer longa de DBZ uma relativa paz reina na Terra até a chegada do verdadeiro inimigo. Aqui, a situação começa a se complicar com a chegada de um estranho velho (claramente alienígena, apesar dos personagens não terem o bom senso o suficiente de perceber). A figura misteriosa porta uma pequena caixa de música e alega que ela contém um honrado guerreiro lendário, Tapion, mas que ele precisa da ajuda dos guerreiros Z para a abrir. Pouco sabem, contudo, que junto de Tapion existe uma temível criatura, Hildegarn, pronta para se libertar.

Como de costume o perigo da trama vai se instaurando de forma crescente. O vilão demora a aparecer e a luta definitiva somente ocorre nos minutos finais. A estrutura já é conhecida, mas alguns detalhes específicos quebram o ritmo da narrativa, cansando o espectador em determinados trechos. O mais notável deles é a, já citada, vilania do velho misterioso. O Ataque do Dragão se beneficiaria em não deixar claro que há algo por trás das intenções do personagem, ao invés disso estraga qualquer surpresa e tira sua própria credibilidade ao trazer planos de olhares maliciosos e as típicas risadas vilanescas. Além disso, muito similar a Babidi, a clara inspiração do personagem, ele acaba se tornando completamente inútil após a libertação de Hildegarn, enquanto poderia exercer um papel mais significativo dentro do enredo.

A despeito de tais deslizes, quando a ação, de fato, se inicia temos uma grata surpresa. As lutas apresentadas no filme não caem na velha repetitividade costumeira, vista desde Goku, O Super Saiyajin até Bio-BrolyAo invés disso, nos são apresentados combates com melhores movimentações e relances de estratégia que nos remetem às origens da franquia, lá atrás nos torneios de artes marciais. Graças a essa ação mais bem pensada, o longa consegue nos engajar em seu clímax, que, embora não seja o auge da criatividade da série, consegue deixar alguns arrepios nos fãs.

Das qualidades, porém, exibidas no filme a maior delas é a construção do personagem Tapion, que foge do velho coadjuvante dispensável para se tornar um memorável indivíduo dentro da mitologia de Dragon Ball. Há uma notável poética em torno do personagem, amplificada consideravelmente pelo fato dele mais tocar sua ocarina que, de fato, lutar diretamente. A música de Shunsuke Kikuchi aqui desempenha um marcante papel, trazendo uma evidente melancolia a Tapion, que perfeitamente contrasta aos dramáticos minutos finais da projeção.

Por tais acertos, O Ataque do Dragão logo se firma como um dos melhores filmes de Dragon Ball Z. Apesar de conter alguns pequenos furos no roteiro, tem notáveis qualidades que conseguem nos fazer relevar seus defeitos. Definitivamente vale a experiência, nem que seja para contemplar a origem da lendária espada de Trunks.

Dragon Ball Z: O Ataque do Dragão (Doragon Bōru Zetto: Ryū-Ken Bakuhatsu!! Gokū ga Yaraneba Dare ga Yaru)
Direção: 
Mitsuo Hashimoto
Roteiro: Takao Koyama
Elenco: Masako Nozawa, Shin Aomori, Takeshi Kusao, Yūko Minaguchi, Ryō Horikawa, Hiromi Tsuru, Mayumi Tanaka, Masaharu Satō, Hiro Yūki
Duração: 52 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.