Crítica | Dragon Ball Z: O Resgate de Gohan

estrelas 2,5

O primeiro filme derivado do anime Dragon Ball Z veio bastante cedo, sendo lançado logo em 1989 entre os episódios 11 e 12. Apesar dessa contextualização, contudo, sua trama se passa entre Dragon Ball e DBZ. No ocidente, o média-metragem, foi lançado diretamente para home vídeo, anos após seu lançamento original. Vale ressaltar que, no Brasil, somente dois filmes baseados no universo criado por Akira Toriyama puderam ser vistos no cinema, estes foram A Árvore do Poder e A Batalha dos Deuses.

O Resgate de Gohan nos traz a história da vingança de Garlic Jr. contra Kami-sama. No processo, o vilão, visando obter a vida eterna, captura Gohan por este usar um chapéu contendo a esfera do dragão de quatro estrelas (ao invés de simplesmente roubá-lo do menino). Com isso, Goku parte para o resgate de seu filho, entrando em combate com as forças do pequeno antagonista. Logo nos primeiros minutos da projeção já podemos identificar diversos elementos tirados da primeira saga do anime. Estes não desagradariam muito não fosse o óbvio problema de continuidade que geram ao encadearmos com os eventos de DBZ. Um dos menores (para evitar spoilers), por exemplo, é o fato de Kuririn descobrir que Goku tem um filho, quando, no anime, a mesma descoberta acontece seguida de uma evidente surpresa por parte do personagem.

A obra, apesar de tais problemas, acaba agradando os fãs, pelo simples fato de não contar com a lentidão da animação presente no anime original. Por não estar sujeita a um esquema de produção apertado e não ter de se preocupar com a dilatação temporal para não superar o mangá em capítulos, o filme adota sequências com técnicas mais bem-cuidadas, ainda dentro da animação parcial, porém com movimentos mais fluidos e menos entrecortados. Tal fator se demonstra visível, principalmente, dentro das cenas de ação, onde a fluidez se torna evidente. O mesmo cuidado, todavia, não se estende para o traçado em si. Este é bastante sujo, dando um toque de esboço a cada quadro.

Já na trilha sonora, o filme não apresenta defeitos, trazendo as famosas músicas de Dragon Ball Z, sem fazer muito uso de variações de Cha-la Head Cha-la. O tema dos saiyajins se faz bastante presente, trazendo uma notável tensão para os momentos mais dramáticos, ajudando o roteiro mesmo quando este comete inúmeros deslizes no caminho. O trabalho de dublagem também não deixa a desejar, já que estamos falando dos mesmos dubladores do desenho original (tanto no áudio japonês quanto português brasileiro).

O Resgate de Gohan é um bom começo para o universo cinematográfico de Dragon Ball Z, ao passo que expande sua mitologia e não apenas reconta um trecho já passado no anime, como foi feito nos média-metragens de Dragon Ball. Embora conte com diversos problemas no roteiro e um traçado malcuidado, a animação será de agrado aos fãs através de suas sequências mais dinâmicas. É uma obra melhor aproveitada se assistida entre DB e DBZ.

Dragon  Ball Z: O Resgate de Gohan (Doragon Bōru Zetto: Ora no Gohan o Kaese!!, Japão, 1989)
Roteiro: Takao Koyama
Direção: Daisuke Nishio
Elenco: Masako Nozawa, Akira Kamiya, Hiromi Tsuru, Mayumi Tanaka, Daisuke Gōri, Mayumi Shō, Kouhei Miyauchi. Toshio Furukawa, Takeshi Aono, Kenji Utsumi, Joji Yanami
Duração: 41 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.