Crítica | Dragon Ball Z: O Retorno de Cooler

estrelas 2

Caindo na mesma falta de originalidade de seu filme antecessor, O Retorno de Cooler, mais uma vez, como o próprio título anuncia, explora a família de Rei Cold. Afinal, se seu irmão teve seu corpo reconstruído, na saga de Cell, por que ele, Cooler, não faria o mesmo? É claro que, neste ponto, já entramos em dois grandes empecilhos nesta narrativa. O primeiro vem do mangá: a volta de Freeza é desnecessária e diminui os eventos finais da saga anterior; o segundo é o fato de que o vilão, em Uma Vingança para Freeza, fora jogado no Sol e, portanto, se torna difícil acreditar que algo tenha sobrado de seu corpo.

Acionando nossa suspensão de descrença, contudo, podemos superar esses deslizes da premissa e, finalmente, entrar na história em si. Iniciamos a projeção assistindo o planeta Novo Namekusei sendo praticamente fagocitado por um corpo celeste misterioso. Trata-se da estrela Piget e, sabendo dessa ameaça, Dendê (já como Kami-sama) envia os guerreiros terrestres para investigar. Ao chegarem na nova terra dos namekuseijins, Goku e seus amigos se deparam com um exército de robôs e ninguém menos que Cooler, agora com um corpo completamente metálico, que garante ao vilão um design superior ao que vimos no longa-metragem anterior, apresentando uma maior diferenciação de seu irmão.

A obra, portanto, é dotada de um bom ritmo inicial, que não perde tempo para nos inserir na problemática central. Além disso, não mais vemos a velha estrutura, na qual Goku é mantido fora de combate por alguma razão, forçando os outros a segurarem o inimigo até que Son volte. Ao invés disso temos uma divisão em dois núcleos: Kuririn, Gohan e Piccolo lutam contra os robôs enquanto Goku enfrenta o principal antagonista. Tal modelo funcionaria, transmitindo uma boa dinâmica para o filme, se estivesse aliado de uma boa montagem. Infelizmente isso não ocorre e a narrativa primeiro nos mostra um lado para depois mostrar o outro, quando claramente poderia se beneficiar de focos intercalados.

A projeção ganha uma sobrevida com a chegada de Vegeta em cena, marcando sua primeira aparição nos filmes de Dragon Ball Z. Tudo caminha por trilhas ainda melhores quando a luta entre os saiyajins e Cooler segue por caminhos inesperados, fazendo bom uso da caracterização robótica do vilão. Além disso, a técnica de teletransporte é explorada de maneira criativa, garantindo uma boa inovação para os combates. Esses pontos positivos, porém, logo se desfazem em um dos maiores anti-clímax da história de Dragon Ball, dando fim a qualquer chance de imersão do espectador. O que vemos nos quinze minutos finais soa apressado e mal-pensado, encerrando o longa prematuramente, ao invés de explorar mais detalhes do antagonista, que, no fim, se estabelece na superficialidade.

O Retorno de Cooler chega a corrigir diversos defeitos de seus antecessores, mas acaba deslizando por outras vias, que rapidamente cansam o espectador. É um filme preguiçoso, que não exibe criatividade em sua premissa ou desfecho, limitando-se a apenas alguns traços de originalidade em seu desenvolvimento. Mais que passou a hora de, finalmente, aposentar a família de Freeza.

Dragon  Ball Z: O Retorno de Cooler (Doragon Bōru Zetto: Gekitotsu!! Hyaku-Oku Pawā no Senshi-tachi, Japão, 1992)
Roteiro: Takao Koyama
Direção: Daisuke Nishio
Elenco:Masako Nozawa, Ryūsei Nakao, Mayumi Tanaka, Toshio Furukawa, Naoki Tatsuta, Naoko Watanabe, Kouhei Miyauchi, Ichirō Nagai, Shō Hayami, Joji Yanami
Duração: 46 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.