Crítica | Dragon Ball Z: O Retorno dos Androides

estrelas 2,5

No filme anterior, O Retorno de Cooler, já pudemos observar uma fuga da receita clássica de Dragon Ball Z. Não mais vimos Gohan, Piccolo, dentre outros personagens lutando somente até Goku se recuperar ou chegar até eles. Esse claro avanço na parte do roteiro, que admitiu uma maior liberdade criativa, ainda não representou, contudo, o triunfo dos longas-metragens baseados na obra de Akira Toriyama. Ainda ficamos presos a uma trama sem a criatividade e repetitiva. O Retorno dos Andróides, infelizmente, não veio para revolucionar, mas acaba trazendo alguns poucos méritos próprios.

Passado durante a saga dos Androides, a projeção é iniciada com a morte de Dr. Gero pelas mãos do Nº 17. Logo somos revelados, através da voz do velho narrador, que o computador do cientista ainda se mantém em serviço, construindo novas máquinas visando a morte de Goku. Corta para a cidade, onde vemos o casual início cômico dos filmes, com cenas envolvendo Kuririn, Mestre Kame, Oolong e Trunks. Enquanto isso a comédia continua, de forma efetiva, do lado de Goku, que também ali perto, faz compras com Chichi e seu filho. O humor, porém, logo é substituído pela expectativa, com a chegada de duas figuras misteriosas, androides, que passam a destruir a cidade.

A estrutura simples da trama é, portanto, mantida e insere uma tensão crescente nos diversos combates que assistimos. Assim como no longa anterior, presenciamos as lutas ao mesmo tempo e, dessa vez, a montagem intercala as sequências de boa maneira, mantendo a fluidez da narrativa e prendendo a atenção do espectador. Como esperado os diferentes embates progridem de forma praticamente igual, com os protagonistas lentamente aumentando seu poder para, no fim, chegarmos ao super-saiyajin. Tal fator acaba gerando uma grande artificialidade na trama, além de ser completamente previsível. Ainda assim nossa imersão não é atrapalhada.

Isso acaba ocorrendo nos minutos finais, já no clímax. O que vemos em tais sequências são ações completamente repetidas, que chegam a cansar. A situação começa a melhorar com um desfecho dramático, bem-encaixado com a proposta da série, porém que se desvirtua em um deus ex machina sem precedentes e, pior, que entra em conflito com os próprios conceitos do mangá/ anime. Ao término da projeção, já estamos cansados, muito embora tenha sido um filme de apenas 45 minutos.

Em relação à animação em si não vemos grandes avanços. As cenas iniciais nos dão um vislumbre do tratamento que o filme poderia levar ao nos trazer a cena da morte de Maki Gero com um melhor trabalho de coloração. Infelizmente essa qualidade não se mantém no restante do filme e, somente pontualmente, acaba aparecendo em determinadas sequências. Mas nem tudo é negativo, já que alguns movimentos apresentam uma maior fluidez, por mais que ainda estejamos diante da animação parcial costumeira dos animes.

O Retorno dos Androides, portanto, acaba oferecendo mais do mesmo quando se trata dos longa-metragens de Dragon Ball Z. Apresenta uma premissa já trabalhada pelo próprio mangá e não nos traz momentos inesquecíveis ou indispensáveis, podendo facilmente ser deixado de lado, mesmo pelos fãs da franquia. É uma obra que contava com potencial em diversos aspectos, desde a animação até o desfecho, mas que acabou falhando nelas. Ainda assim, acaba sendo superior aos dois longas que o antecederam.

Dragon  Ball Z: O Retorno dos Androides (Doragon Bōru Zetto: Kyokugen Battle!! San Dai Super Saiya-jin, Japão, 1992)
Roteiro: Takao Koyama
Direção: Daisuke Nishio
Elenco:Masako Nozawa, Takeshi Kusao, Ryō Horikawa, Toshio Furukawa, Mayumi Tanaka, Naoki Tatsuta, Kouhei Miyauchi, Naoko Watanabe, Kazuyuki Sogabe, Hisao Egawa, Toshio Kobayashi, Kōji Yada, Joji Yanami
Duração: 45 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.