Crítica | Dragon Ball Z – Saga 01: Os Saiyajins

estrelas 3,5

Embora o primeiro anime de Dragon Ball tenha sido um sucesso absoluto no Japão, foi somente através de DBZ que a história criada por Akira Toriyama se popularizou no ocidente. A letra Z, atribuída somente no desenho animado (o mangá conta com uma narrativa ininterrupta), foi escolhida pelo próprio criador da franquia, para ilustrar o iminente fim da história e sua falta de interesse em se alongar muito mais. Vale lembrar que sua ideia original era terminar a trama com a Saga de Cell, mas, como Conan Doyle, o autor foi convencido a continuar pelos fãs.

A divisão entre dois animes (DB e DBZ), contudo, foi bem realizada, já que estamos falando de não só uma mudança no personagem principal, que agora está adulto, como uma alteração quase que completa do tom da obra. Dragon Ball Z, desde os primeiros minutos já nos mostra uma história mais violenta, mais focada nos combates que na aventura propriamente dita. Na saga dos Saiyajins vemos a chegada de Raditz no planeta Terra, revelando ser o irmão de Goku, expandindo a mitologia da série, substituindo a fantasia do primeiro desenho pela ficção científica (característica mantida nos próximos arcos).

Essa mudança é tornada ainda mais clara pela revelação da raça de Piccolo, tirando o misticismo deus x demônio existente entre ele e Kami-sama. Sim, é mantida uma certa hierarquia divina dentro do anime, mas ela acaba se tornando mais mundana, nos levando a crer que estamos apenas falando de raças diferentes, vide o sr. Kaioh.

Voltando para a trama, esta primeira saga aposta a grande maioria de sua duração na criação da expectativa pela chegada de Vegeta e Nappa, os dois saiyajins mais poderosos. Para isso, a narrativa é dividida em três núcleos: a corrida de Goku pelo caminho da serpente, o treinamento de Gohan e Piccolo e o treino de Yamcha, Kuririn e Tien Shin Han. A ênfase, contudo, está nos dois primeiros, ao passo que poucos episódios são destinados para o terceiro grupo. O grande problema, porém, está na exagerada quantidade de fillers, que ocupam a maior parte da temporada. O motivo disto é o fato do anime estar sendo lançado ao mesmo tempo do mangá e tais capítulos precisavam ser lançados a fim de não ultrapassar o material original, criando uma distância dele, como vimos na primeira adaptação de Fullmetal Alchemist.

Essa presença gigantesca de material “extra”, contudo, não é inteiramente descartável, muitos deles funcionam a fim de expandir a mitologia da franquia ou trabalhar em cima de alguns personagens. Dois claros exemplos disso são os episódios que vemos Vegeta e Nappa acabando com um planeta à caminho da Terra e outro é o treinamento de Tien, Yamcha e Kuririn no templo de Kami-sama. Vale lembrar, também, que no anime a interação de Gohan e Piccolo é melhor trabalhada, garantindo uma maior identificação com os personagens, principalmente nos momentos finais da saga. O ponto negativo, porém, é que a evolução de Gohan, demonstrada por inúmeros capítulos, é totalmente jogada de lado nas lutas decisivas.

Os fillers, porém, não se resumem a novos capítulos, existem também as cenas adicionais e pequenos planos inseridos no material original que dilatam cada sequência, torando muitas delas bastante lentas. Ainda assim, somos presos à narrativa através de uma expectativa muito bem construída. Graças a isso, a ameaça dos saiyajins chega a se tornar palpável, mantendo uma constante tensão ao longo do arco. Contudo, o que mais entretém o espectador é o seu ótimo trabalho de dublagem.

Embora a dublagem original japonesa cumpra seu papel, é através das vozes brasileiras que o anime se destaca. Geralmente sou a favor do áudio de origem, mas este é um caso especial e não falo somente pelo fator nostálgico. Wendell Bezerra, que empresta sua voz a Goku, consegue captar com exatidão a essência do personagem, toda sua descontração, inocência e ingenuidade, aproximando-nos ainda mais do protagonista. O mesmo se estende para o elenco principal, dando um maior destaque para Luis Antônio Lobue (Piccolo) e Alfredo Rollo (Vegeta). Além disso, nada supera ouvirmos frases como “Kakarotto, seu canalha” ou “seu inseto” dentre outros diálogos extremamente dramáticos que certamente provocarão inúmeras risadas.

A primeira saga de Dragon Ball Z certamente demonstra os efeitos do tempo, exibindo uma animação que, embora seja superior à seu predecessor (Dragon Ball), parece travada, com a ausência completa de full animation. Apesar disso, o anime consegue prender seu espectador através de sua história bem humorada, principalmente se vista no áudio em português brasileiro. Se fillers não o incomodam, certamente esta é uma experiência que vale ser visitada ou revisitada.

Dragon Ball Z – Saga 01: Os Saiyajins (Japão, 1989 – 1990)
Episódios: 1 – 35
Estúdio: Toei
Dubladores originais: Masako Nozawa, Hiromi Tsuru, Toshio Furukawa, Naoki Tatsuta, Kouhei Miyauchi, Daisuke Gōri, Tōru Furuya, Naoko Watanabe, Daisuke Gōri, Mayumi Shō, Mayumi Tanaka, Mami Koyama, Ryō Horikawa.
Dubladores brasileiros: Wendell Bezerra, Fátima Noya, Raquel Marinho, João Batista, Tânia Gaidarji, Luis Antônio Lobue, Alexandre Marconatto, Úrsula Bezerra, Márcio Araújo, Fábio Lucindo, Walter Breda, Alfredo Rollo.
Duração: 20 min (cada episódio)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.