Crítica | Dragon Ball Z: Uma Nova Fusão

estrelas 3

Aproximadamente um ano após o desastre que foi Bio-Broly, o décimo segundo filme de Dragon Ball ZUma Nova Fusão, foi lançado. Seu posicionamento na linha do tempo da franquia é um sério problema, assim como em outros longas que o precederam – vide A Árvore do PoderO Retorno de CoolerPodemos inferir que, através de alguns diálogos da projeção, a obra se situa por volta do episódio 253 do anime, antes mesmo da aparição de Super Buu. O filme claramente realiza inúmeras reciclagens da franquia como um todo, bebendo especialmente da saga vigente na época, principalmente levando em consideração as fases do vilão principal.

O enredo tem início no Outro Mundo, onde Goku e Paikuhan estão prestes a lutar em um torneio de artes marciais. Não muito longe dali um ocorre acidente envolvendo a máquina de lavar almas, levando uma grande quantidade de maldade ser liberada. Em forma de nuvem – a primeira cópia de Majin Buu – essa maldade se condensa, formando uma terrível criatura gorda que se autodenomina Janemba. O que procede são gags forçadas que buscam uma imersão cômica do espectador, mas que se resumem ao ridículo, causando somente um sério cansaço das audiências.

Felizmente, o cenário repetitivo que encontramos na primeira metade da obra se altera significativamente com a mudança de forma do principal antagonista. Janemba adquire uma forma mais similar a um demônio propriamente dito, com traços marcantes de Super Buu. As coreografias de cada luta se destacam do que estamos acostumadas, ao passo que observamos mais movimentos completos e não os costumeiros traços que simbolizam a movimentação em alta velocidade. Melhorando tal aspecto temos uma maior criatividade nos golpes do vilão, que utiliza espécies de portais para dobrar a realidade ao seu redor.

Alguns pontos do roteiro continuam sendo forçados, como a própria aparição de Vegeta que soa conveniente demais. Além disso, Paikuhan fica preso a uma tarefa que logo se prova inútil, ficando claro que o texto queria simplesmente tirá-lo da jogada até o momento certo – felizmente os traços de humor dos poucos planos envolvendo o guerreiro conseguem gerar algumas risadas, mas essas, em geral, aparecem nos trechos finais do anime. Refiro-me, é claro, à resistência de Vegeta em realizar a fusão, mais um elemento trazido da saga de Majin Buu. Aqui, contudo, há uma revitalização da gag pelo simples fato do orgulhoso personagem ter de completar a ridícula dança que o processo envolve.

A preocupação do espectador a tal ponto, contudo, atinge o ápice ao percebermos que a obra perde ainda mais tempo com a forma imperfeita de Gogeta, enquanto a transformação perfeita toma menos que cinco minutos do filme. O anticlímax é garantido ao passo que Janemba é derrotado de maneira simples e rápida, quebrando todo o engajamento da audiência que já fora prejudicada pelos dez minutos anteriores.

Do lado artístico, o longa investe no exagero do colorido, que acaba se encaixando com a proposta do Outro Mundo de Dragon Ball Z. Ambas as formas de Janemba são bem desenhadas e, por mais que suguem diversos elementos da franquia como um todo, se destacam por se firmarem como inimigos únicos. A segunda forma, em especial, chama a atenção, fazendo uso do clássico roxo para simbolizar a morte, fator utilizado constantemente dentro da franquia – Piccolo e Freeza são evidentes exemplos disso.

Uma Nova Fusão acaba se firmando, apesar de seus inúmeros defeitos, como um satisfatório filme de Dragon Ball Z, especialmente se considerarmos o terror que veio antes dele. Ainda assim, fica claro que a fórmula utilizada em tais produções já mais do que cansou os espectadores, que esperam algo, no mínimo, do mesmo nível que o material original escrito por Akira Toriyama.

Dragon Ball Z: Uma Nova Fusão (Doragon Bōru Zetto: Fukkatsu no Fusion!! Gokū to Vegeta – Japão, 1995)
Direção:
 Shigeyasu Yamauchi
Roteiro: Takao Koyama
Elenco: Masako Nozawa, Tesshō Genda, Takeshi Kusao, Yūko Minaguchi, Ryō Horikawa, Daisuke Gōri, Hiromi Tsuru, Naoko Watanabe, Hikaru Midorikawa, Ryuusei Nakao, Joji Yanami
Duração: 51 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.