Crítica | Dragon Ball Z: Uma Vingança para Freeza

estrelas 2

No quarto longa-metragem baseado na obra de Akira Toriyama, Takao Koyama, principal roteirista do anime, responsável pela grande maioria dos filmes e episódios especiais de Dragon Ball Z, decide explorar mais uma vez um dos mais notórios vilões da franquia. Não contente com a morte de Freeza e seu pai, ele decide trazer o irmão da criatura para a jogada, dando o fim, de uma vez por todas, à perversa família. Uma Vingança para Freeza se passa no período entre a chegada de Goku na Terra, após sua empreitada em Namekusei, e a aparição dos androides na saga de Cell.

A projeção é iniciada com os momentos finais de Bardock e sua contestação ao ser que irá destruir seu planeta e sua raça. O foco, porém, logo se altera nos mostrando uma nave, à distância, que somente observa aqueles eventos. Trata-se nada menos que a espaçonave de Cooler, irmão de Freeza, que em um ato de desdém pelo seu irmão, deixa passar uma única nave saiyajin sobrevivente, contendo um certo bebê destinado à Terra. Anos e anos se passam e, sabendo da derrota de seu familiar nas mãos de um dos membros da raça guerreira, Cooler decide efetuar sua vingança, viajando para a Terra junto de seus comparsas. Enquanto isso, Goku, Gohan, Kuririn e Oolong preparam um acampamento, sem nada saber sobre a iminente ameaça.

A obra, seguindo o exemplo do anime e dos filmes anteriores, mantém a mesma velha receita de sempre. Com Goku impedido de lutar por um tempo, cabe a seus amigos e filho segurar os avanços inimigos até que ele esteja completamente curado. A este ponto já sentimos um esgotamento de tal fórmula, especialmente considerando que os quatro longa-metragens que antes vieram mantiveram essa mesma premissa nada criativa. O que vemos, portanto, são lutas que não oferecem qualquer tensão, já que o resultado é mais do que esperado e sequer contam com desenvolvimentos mais elaborados, resumindo-se às trocas de energias, socos e chutes. O embate final, por sua vez, consegue criar uma expectativa maior no espectador, conseguindo mantê-lo atento até o fim da projeção

A estrutura desse combate segue um molde simples, com o herói vencendo, em seguida perdendo para novamente sair por cima. A forma como é realizada, porém, nos remete imediatamente à saga de Freeza, apelando, de forma bem sucedida, para o saudosismo dos fãs. Infelizmente, quando chegamos à transformação final do vilão, o que encontramos é um design mal finalizado, apresentando pontos interessantes misturado com partes que parecem ter sido somente improvisadas. Além disso, temos uma completa antítese do pensamento de Toriyama quanto ao vilão Freeza. Este se inicia em uma forma pequena, para crescer em tamanho, para, no fim, voltar a uma forma menor, apoiando o pensamento de não julgarmos alguém somente pela aparência. Akira consegue, assim, nos trazer um antaqonista verdadeiramente ameaçador pela sua personalidade.

No caso de Cooler, ele adota uma robustez e estatura maiores, sem atingir, de fato, o objetivo de torná-lo mais ameaçador. É claro que a desconstrução do vilão também é causada pela forma como é explorado. Vemos pouco, de fato, da criatura graças à perda de tempo com seus comparsas – período este que poderia ter sido utilizado para construir uma figura mais elaborada, ao invés de uma simples cópia de Freeza, que, inclusive, partilha do mesmo dublador.

Com isso, apesar de termos uma luta final agradável ao espectador, Uma Vingança para Freeza se firma como uma obra claramente mal-aproveitada. Seu roteiro nada criativo gera uma projeção demasiado dilatada que, por pouco, consegue manter o espectador imerso, com este sempre questionando a velha fórmula já mais que utilizada na franquia. Takao Koyama mostra mais uma vez que prefere não se arriscar, criando um filme nada menos que dispensável.

Dragon  Ball Z: Uma Vingança para Freeza (Doragon Bōru Zetto: Tobikkiri no Saikyō tai Saikyō, Japão, 1991)
Roteiro: Takao Koyama
Direção: Mitsuo Hashimoto
Elenco:Masako Nozawa, Ryūsei Nakao, Mayumi Tanaka, Toshio Furukawa, Naoki Tatsuta, Naoko Watanabe, Kouhei Miyauchi, Ichirō Nagai, Shō Hayami, Joji Yanami
Duração: 48 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.