Crítica | DuckTales – 2X01 e 2: The Most Dangerous Game… Night e The Depths of Cousin Fethry

plano critico DuckTales – 2X01 e 2 The Most Dangerous Game… Night e The Depths of Cousin Fethry
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Depois de uma primeira temporada mais do que satisfatória para os fãs da animação clássica e da obra de Barks e Rosa, Ducktales não tem tempo para recuperar o fôlego depois da fantástica conclusão de The Shadow Wars!, onde tivemos o aguardado confronto entre Patinhas e a Maga Patalójika. O episódio abriu a possibilidade para várias tramas novas e deixou um cliffhanger não muito surpreendente, mas que todos estavam doidos para ver: Dumbela não está tão morta quanto pensavam e a lua não está abandonada.

A segunda temporada já teve seus dois primeiros episódios liberados, então vamos logo falar sobre eles porque a vida é como um furacão aqui em Patópolis… droga, a música não vai sair da cabeça nunca mais!
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2X01: The Most Dangerous Game… Night!

O lado competitivo de Patinhas não é mistério algum, ainda assim é engraçado ver como ele se comporta quando os sobrinhos decidem fazer uma noite de jogos. Depois de terem passado por uma aventura nos moldes de Os Caçadores da Arca Perdida, todos precisam de um merecido descanso. É claro que as coisas ficam absurdas em uma velocidade inacreditável e o episódio insere raios de encolhimento e uma civilização bárbara que declara guerra ao povo de estatura média. O episódio também tem algumas boas referências, como a cena em que Patinhas apresenta uma versão de Monopoly com seu rosto na caixa e há algumas coisas legais nos espaços, como menções à Carl Barks.

Por ter deixado a primeira temporada com um cliffhanger gigantesco, era de se esperar um episódio com foco maior na trama envolvendo o desaparecimento de Dumbela, e mesmo que haja menções ao arco da “Lança de Seline”, esse não é o foco agora e isso talvez seja apenas uma forma de trazer a sensação de comédia descompromissada por alguns episódios e deixar a carga dramática mais pra frente. É divertido ver a dinâmica criada nas duplas durante a noite de jogos, principalmente Donald e Patinhas (eles são perfeitos fazendo mímica já que Donald é quase impossível de ser compreendido vocalmente), mas o maior desenvolvimento entre os personagens aqui é a relação de Zezinho e Patrícia. Os dois se consideram a melhor dupla da família, cantando juntos e descobrindo a solução para várias pistas, mas um jogo de adivinhações pode estragar tudo. Além deles, Huguinho e Luisinho tem seus próprios problemas. Luisinho, que está cansado de jornadas e quer descansar um pouco, faz com que seu irmão comece a duvidar de suas habilidades como escoteiro mirim – tudo faz parte de seu “plano”.

Como é de se esperar, a situação gera vários momentos cômicos, como Patinhas incerto de qual sobrinho usa um chapéu vermelho ou Donald chocado ao descobrir que faz parte do testamento da família. É um episódio com tudo que faz Ducktales funcionar perfeitamente. Agora os personagens estão tão bem estabelecidos que quando temos uma pequena aventura focada apenas em três deles a estrutura não é prejudicada, como no segundo episódio.

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2X02: The Depths of Cousin Fethry!

Como o próprio título insinua, temos a primeira aparição de Peninha (Fethry, no original), o carismático personagem criado por Dick Kinney e Al Hubbard. Seu visual é similar ao original dos quadrinhos e aqui ele é apresentado como um cientista, o que ele não é, mas se for para seguir seu comportamento clássico, talvez torne-se um, pelo menos por uns dias.

Depois de Patinhas recusar o telefonema de Peninha, Huguinho e Zezinho ficam curiosos para descobrir porque seu tio não aceitou um convite para uma aventura que prometia todo tipo de obstáculo. Os irmãos pedem para que Capitão Bóing os leve para visitar o parente, o que significa roubar um avião do tio. Por falar no Capitão Bóing, finalmente descobriram como utilizá-lo da melhor maneira. Ele é um inconveniente em alguns episódios da primeira temporada por conta de sua atitude impulsiva, mas quando ele não faz parte da trama principal e decide partir em algo próprio é quando brilha. Nesse episódio, ao chegar no farol onde Peninha reside, Bóing é chamado por um “antigo amor”: Oceanika. Isso faz com que ele desapareça durante a aventura e ressurja apenas no desfecho, dessa vez com um penteado, armadura e equipamentos que sugere uma trama paralela ainda mais absurda.

Por ser um episódio com menos consequências na trama principal, servindo mais para apresentar Peninha, The Depths of Cousin Fethry! é executado do um jeito mais previsível que o normal, fazendo desse um episódio menos memorável, mas ainda assim divertido e muito bem animado. Vale deixar aqui anotado que o departamento de arte fez um trabalho notável até agora com esses dois episódios, inserindo elementos no cenário que servem de referência ou piada visual.

Ducktales está de volta e mesmo que ainda não tenha entrado de cabeça no formato seriado, não tem decepcionado com narrativas menores.

Ducktales – 2X01 e 2X02: The Most Dangerous Game… Night! e The Depths of Cousin Fethry! (EUA, 20 e 27 de outubro de 2018)
Criação: Francisco Angones e Matt Youngberg
Direção: Tanner Johnson (The Most Dangerous Game… Night!), Matthew Humphreys (The Depths of Cousin Fethry!)
Roteiro: Francisco Angones (The Most Dangerous Game… Night!), Christian Magalhaes (The Depths of Cousin Fethry!)
Elenco: David Tennant, Dani Pudi, Ben Schwartz, Bobby Moynihan, Kate Micucci, Tony Anselmo, Beck Bennett, Toks Olagundoye, Jim Rash
Duração: 21 min.

ROBERTO HONORATO . . . Criado pela TV, minha família era o programa dos Muppets e minha segunda casa era a locadora (era fácil de chegar, só precisava atravessar a rua). Não me incomodava rebobinar todas as fitas, e nem podia, já que assistia o mesmo filme várias vezes. E quando não é cinema, o cheiro de quadrinhos me chama de longe e preciso gastar dinheiro que não tenho. E nunca esqueça: #sixseasonsandamovie