Crítica | DuckTales – 2X03: The Ballad of Duke Baloney!

The Ballad of Duke Baloney plano critico

Pão-Duro Mac Mônei (Flintheart Glomgold, no original) sempre foi pouco aproveitado nos quadrinhos e na animação clássica, mas nesse revival de Ducktales ele é simplesmente um dos melhores personagens. Mac Mônei, “segundo pato mais rico do mundo”, se considera o maior rival de Patinhas, e mesmo que não seja, é hilário ver sua tentativa em estar sempre próximo do seu adversário, apenas para jogar em sua cara o quão fácil foi. Parte do motivo dele funcionar tão bem na nova animação envolve sua dublagem original, feita por Keith Ferguson, que entrega uma versão ainda mais extravagante, barulhenta e raivosa do personagem. Na primeira temporada Mac Mônei foi um inconveniente maravilhoso, não servia apenas de alívio cômico, mas como uma forma de contar um pouco da história de Patinhas, e isso acontece em The Ballad of Duke Baloney!

Depois de desaparecer no mar, Mac Mônei é encontrado sem memória no cais de Patópolis. Ele vira amigo dos pescadores e é recebido muito bem por todos, além disso agora atende pelo nome de Duke Baloney e trabalha vendendo tudo que encontra no mar. É claro que nem todos acreditam nessa mudança de personalidade e acha que Mac Mônei está apenas se aproveitando de todos para realizar outro plano contra Patinhas. Luisinho e Patrícia decidem partir nessa missão de desmascarar Pão-Duro.

Como mencionei na crítica do primeiro episódio, a série já estabeleceu muito bem seus personagens, então uma aventura estrelada por Luisinho e Patrícia já é o suficiente para criar várias situações engraçadas. Os dois funcionam bem, Luisinho não confia em Mac Mônei já que o próprio faria a mesma coisa se fosse um vilão. Já Patrícia acredita em redenção e está considerando uma segunda chance.

Mesmo que a dupla esteja engraçada, Pão-Duro rouba a cena com sua atitude exagerada, mesmo sem memória continua bolando planos mirabolantes e sem sentido algum, só que seu foco agora é em derrotar um barco que consegue pegar mais peixes que ele – não preciso mencionar que é um barco com o nome de Patinhas. Durante o episódio vemos uma mudança de seu pesado sotaque escocês para uma coisa mais próxima do sul-africano, e isso não serve apenas como uma piada recorrente, no fim descobrimos que o passado dele está mais ligado ao de Patinhas do que imaginamos. É uma cena hilária, como todas que contém ele, e é mais um momento de desenvolvimento de personagem e linha temporal que a série tem feito muito bem. Don Rosa ficaria orgulhoso (não sei se ele assiste, mas vamos imaginar que sim).

Além da comédia dos personagens, há muita piada visual nesse episódio. O exemplo mais inesperado é uma sequência de sonho em preto e branco que poderia ter saído de um filme de David Lynch (lembrou até um episódio de Twin Peaks: O Retorno, é sério), com os sobrinhos de Patinhas pulando sem expressão em uma gaita de fole gigantesca, um pato saindo de um baú de moedas e uma criança fazendo o truque de O Exorcista enquanto pilota um barco.

The Ballad of Duke Baloney! é mais um episódio pequeno em escala mas um dos que melhor representa o sentimento de aventura e mistério que Ducktales faz de um jeito único. No aguardo agora de Los Tres Caballeros, que estão agendados para aparecer no próximo episódio. Vamos que vamos!

Ducktales – 2X03: The Ballad of Duke Baloney! (EUA, 03 de novembro de 2018)
Criação: Francisco Angones e Matt Youngberg
Direção: Jason Zurek
Roteiro: Coleen Evanson
Elenco: David Tennant, Ben Schwartz, Keith Ferguson, Bobby Moynihan, Kate Micucci, Natasha Rothwell, John Dimaggio
Duração: 21 min.

ROBERTO HONORATO . . . Criado pela TV, minha família era o programa dos Muppets e minha segunda casa era a locadora (era fácil de chegar, só precisava atravessar a rua). Não me incomodava rebobinar todas as fitas, e nem podia, já que assistia o mesmo filme várias vezes. E quando não é cinema, o cheiro de quadrinhos me chama de longe e preciso gastar dinheiro que não tenho. E nunca esqueça: #sixseasonsandamovie